Veja-se também: Prefácio do editor
Veja-se também: Introdução

O Derradeiro Combate
do Demonio

Preâmbulo


     Ao longo do último meio-século tem vindo a desenrolar-se, dentro da Igreja Católica, uma estranha história que poderá vir a ter implicações gravíssimas para o Mundo inteiro.

     Neste livro, o leitor verá por que razão dizemos que é “uma estranha história”, embora ela comece (e termine - por fim - segundo a promessa de Nossa Senhora) de uma forma muito bela. No âmago de todo o enredo está uma Mensagem vinda do Céu.

     Em 1917, Nossa Senhora desceu do Céu até à pequena aldeia de Fátima, mais propriamente até à Cova da Iria - onde três pequenitos se ocupavam a guardar o rebanho familiar -, para lhes confiar essa Mensagem como um segredo que devia ser cuidadosamente guardado por muitos anos, até a Santíssima Virgem indicar que era chegado o momento de revelar a todo o mundo aquela Mensagem vinda do Céu. O conteúdo e a forma como foi transmitida a Mensagem são únicos na História da Igreja - o que distancia as aparições de Fátima de todas as outras manifestações visíveis de Nossa Senhora, mesmo daquelas que deram nome a Santuários Marianos mundialmente conhecidos, como Lourdes (França) ou Guadalupe (México).

De que forma foi transmitida a Mensagem de Fátima

     Muito longe de ser um acontecimento privado, Nossa Senhora dialogou com os pastorinhos (só a Lúcia Lhe falava directamente) em pleno campo, na presença de muitas pessoas. Além disso, o próprio Deus quis autenticar as Aparições de Sua Mãe em Fátima, através de um milagre público - o Milagre do Sol -, anunciado três meses antes, testemunhado por mais de 70.000 pessoas e noticiado em todo o mundo, em títulos de caixa alta, nas primeiras páginas dos jornais da época. Esta forma espectacular - que não tinha acontecido em aparição alguma - foi propositada: “para que todos acredit[ass]em”.

     Por si só, um tal milagre impedia que as aparições de Fátima fossem relegadas à categoria genérica de “revelações privadas” - como as que, ao longo dos séculos, foram experimentadas por vários Santos e místicos católicos.

     Mas este é apenas um dos vários aspectos únicos das aparições de Fátima.

O conteúdo da Mensagem

     Também o conteúdo da Mensagem confiada aos pastorinhos era único nos anais da Cristandade: continha um pedido, e uma advertência sobre castigos iminentes se não se obedecesse a esse pedido. Nenhuma aparição anterior, pública ou privada, tinha transmitido uma mensagem semelhante à Humanidade.

     Quando, nos anos 40, este conteúdo foi mais largamente publicitado, tanto maior foi o apoio que se começou a reunir em prol da autenticidade da Mensagem de Fátima. Continha ela uma série de profecias – o fim da I Guerra Mundial, a eleição do Papa Pio XI, o começo da II Guerra Mundial e a expansão da Rússia comunista –, cada uma das quais aconteceu como fora predito. Desde o tempo das aparições que as evidências provaram ser suficientes para suscitar a adesão de seis Papas sucessivos, assim como de milhões de Fiéis; e foram também suficientes para levar o Vaticano, no reinado do actual Papa, a beatificar os pequenos Francisco e Jacinta Marto, falecidos ainda crianças, e a comemorar as aparições de Nossa Senhora de Fátima no Missal Romano - livro oficial da Igreja para a celebração da Santa Missa.

     Uma outra profecia da Mensagem, apenas parcialmente divulgada, é o Terceiro Segredo de Fátima - a que nos referiremos mais adiante neste Preâmbulo.

A Igreja pronuncia-se sobre as Aparições da Cova da Iria

     A Igreja é geralmente relutante em confirmar, de ânimo leve, factos deste género. Por isso, e como em todos os casos semelhantes, o Vaticano procedeu a uma investigação intensa e exaustiva - e não encontrou nenhuma inconsistência, contradição ou discrepância como as que frequentemente invalidam outras supostas “aparições”. Pelo contrário, os inquiridores encontraram tudo em ordem, e reconheceram também a natureza única do Milagre do Sol, evento para o qual ainda não há uma explicação científica adequada.

     Quanto ao pedido da Consagração da Rússia - que, se for feita, trará «ao Mundo algum tempo de paz» e, se não for, «várias nações serão aniquiladas» (entre outros males de que o mundo há-de padecer) -, será credível o castigo que ameaça o seu não-cumprimento?

     Claro que uma Mensagem vinda do Céu é, naturalmente, um assunto de Fé e de crença religiosa. Por isso poderia parecer que diria respeito só à Igreja Católica e aos seus Fiéis, tal como o castigo iminente se não se atender ao pedido da Senhora mais brilhante do que o Sol. Se fosse só isso o que nos diz a Mensagem, os Não-Católicos e os Não-Cristãos (e até muitos Católicos com outros modos de devoção) poderiam não fazer caso dela. Mas, tanto para uns como para os outros, é impossível - e gravemente insensato - ignorar ou desprezar tudo o que diz respeito a Fátima. Com efeito, não é preciso acreditar que esta mensagem veio do Céu para ela merecer uma consideração séria - que lhe dê, pelo menos, o “benefício da dúvida” -, uma vez que está em causa o futuro de «várias nações».

     É isto precisamente que dá a Fátima a sua dimensão universal.

     A partir do momento em que foi comprovada a credibilidade dos factos e dos depoimentos dos pastorinhos - desde os Bispos locais, em Portugal, até uma série de Papas, no Vaticano (como já vimos) -, toda a Hierarquia Católica pronunciou unanimemente “fidedignas” as aparições de Fátima. O Papa João Paulo II declarou mesmo que «a Igreja se sente interpelada» pela Mensagem de Fátima. Esta aprovação hierárquica, uniforme ao longo dos anos, reforçou fortemente a convicção dos Fiéis de que Fátima transmitia uma autêntica Mensagem do Céu.

- Que aconteceu hoje à Mensagem?
- Que aconteceu ao pronunciamento da Igreja?

     De 1917 aos anos 60, Portugal e o mundo consideram de Fátima «o Altar do Mundo». E, dentro das humanas limitações, aí punham as suas esperanças e recebiam a coragem para suportar o sofrimento - embora a Hierarquia, por uma ou outra razão, continuasse a demorar a Consagração da Rússia.

     Ora em 26 de Junho de 2000 esta ‘estranha história' em torno de Fátima foi ainda mais estranhamente ‘desfigurada', quando, no Vaticano, o Cardeal Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e o seu mais directo colaborador deram uma conferência de imprensa a que o jornal Los Angeles Times chamou uma tentativa de «desacreditar “com luva branca” o culto de Fátima». A intenção foi divulgar amplamente, através da imprensa, a ideia de que as profecias de Fátima eram “revelações privadas” e que estas já “pertenc[ia]m ao passado” - pelo que, neste momento, nem profecias são.

     Que aconteceu entretanto? Como é que as aparições de Fátima passaram de oficialmente fidedignas a oficialmente desacreditadas por um alto Prelado? Que aconteceu à Mensagem, com o seu pedido e a sua ameaça de castigo pelo seu não-cumprimento? Qualquer Católico, em pleno uso da razão, poderá fazer estas perguntas, devido ao comportamento inexplicável da alta Hierarquia da Igreja - e mesmo todo e qualquer ser humano (crente ou não) o poderá fazer, devido ao conteúdo (conhecido) da Mensagem. Porque a Mensagem de Fátima tem implicações mais amplas do que os domínios da Fé e da crença, pelo que merece uma mais ampla atenção.

     O pedido é que a Rússia seja consagrada, pelo Papa em conjunto com todos os Bispos Católicos do mundo, ao Imaculado Coração de Maria. Uma Consagração, cerimónia de funda tradição na Igreja Católica e que só Ela pode efectuar, tem um efeito santificante. Aos olhos dos Católicos, seria vantajosa para a Rússia. Para os descrentes pode ter pouco ou nenhum significado, mas é evidente que não faz mal a ninguém. Além disso, se a Mensagem tivesse a mínima hipótese de ser autêntica, o benefício da Consagração da Rússia do modo como fora pedido poderia ser de um valor mundialmente incalculável: a anunciada recompensa («será concedido ao Mundo algum tempo de paz»), e não o anunciado castigo («várias nações serão aniquiladas»). Dadas as circunstâncias, mesmo para os mais cépticos a Consagração “valia a pena”.

     Ora, se o Vaticano julgou credíveis as aparições, e se está em jogo a aniquilação de várias nações, essa Consagração já devia ter sido feita há muito tempo. Apesar disso (e com pleno conhecimento da Igreja), o pedido de Nossa Senhora de Fátima não foi satisfeito ao longo de, pelo menos, seis décadas - por motivos apenas conhecidos de um pequeno grupo de altos Prelados do Vaticano.

     Realizaram-se já várias consagrações formais (numa delas, inclusive, a Rússia foi nomeada explicitamente) - mas ficaram sempre por cumprir todos [ou alguns d]os requisitos que Nossa Senhora pedira em Fátima: que o Papa, em conjunto com todos os Bispos católicos do Mundo, consagrasse(m) a Rússia, pelo seu nome, e em cerimónia solene e pública.

     Recentemente ainda (2001), o Papa João Paulo II e 1.500 Bispos visitantes fizeram, em Roma, uma Consagração do Mundo. Muitas pessoas pensaram então que o Papa aproveitaria a oportunidade para realizar o pedido da Virgem de Fátima - mas, para desilusão geral, a Rússia não foi mencionada.

-Que se passará no Vaticano?

     Toda a gente - católica ou não -, há-de concordar que o comportamento do Vaticano face à Consagração da Rússia (e às consequências da sua não-realização) não só parece estranhamente incoerente, face às normas e tradições da Igreja, como mostra um desprezo temerário em relação à segurança dos Católicos fiéis e de toda a Humanidade: se o castigo predito na Mensagem de Fátima se realizar, o preço desta indecisão do Vaticano será muito alto - e pago por toda a humanidade a incluir os inocentes. Então, porque continua a Igreja a desprezar a Mensagem, sabendo que arrisca o mundo inteiro a sofrer consequências tão catastróficas?

     Também este aspecto é tratado neste livro – que nos mostra um Vaticano a atravessar uma série de mudanças em relação a Fátima: inicialmente, confirma a veracidade da Mensagem de Fátima; depois, põe-a em dúvida; a seguir, suprime-a; e, por fim, descarta-se dela totalmente. Remontar até à origem deste processo é difícil, pois muito do que acontece no Vaticano é feito em sigilo, e as atitudes oficiais têm que ser decifradas a partir de pronunciamentos que, frequentemente, são obscuros.

     O que irá no coração e no espírito desses Prelados do Vaticano, conspiradores que desprezam a Mensagem de Fátima? Não o sabemos. Só podemos julgar esses indivíduos pelas consequências lógicas da posição que abertamente assumiram e pelas suas próprias acções. Ao analisá-las - como o fazemos neste livro -, uma conjuntura perturbadora emerge: a de uma Igreja dividida contra Si mesma, vindo essa fractura, precisamente, desde o cimo. Depois - seguindo os factos que compõem a acusação que esboçamos e que nos levam muito longe -, vemos como a autenticidade da Mensagem provoca perguntas alarmantes sobre o estado da Hierarquia da Igreja de hoje.

     E o Papa? Qual a sua posição quanto a este assunto? Como todos os seus antecessores (desde o tempo das Aparições), João Paulo II tem professado, aberta e repetidamente, a crença na sua autenticidade: visitou por três vezes o Santuário de Fátima, e atribui a Nossa Senhora de Fátima o ter sobrevivido a uma tentativa de assassínio em 1981. Apesar disso, neste Vaticano dividido, até o Santo Padre se vê impotente perante os Cardeais que o rodeiam e que, ocupando os mais altos cargos, tomam sobre Fátima uma posição bem diferente. Note-se que o Santo Padre não esteve presente na já referida conferência de imprensa (Junho de 2000), onde dois dos mais altos Prelados ficaram totalmente “à vontade” para minarem a credibilidade das profecias de Fátima e as relegarem para o passado.

Fátima, “politicamente incorrecta”

     Como explicam vários capítulos deste livro, Fátima tem também implicações políticas que poderiam ter influenciado o modo como o Vaticano a (mal)tratou. No seu contexto ideológico actual, a Mensagem de Fátima é vista como “politicamente incorrecta”: pede a Consagração da Rússia (pelo seu nome) para que essa nação se converta ao Catolicismo; no entanto, essa cerimónia iria contra a Ostpolitik (que o aparelho de estado do Vaticano adoptou, por respeito para com o Comunismo internacional e a Igreja Ortodoxa Russa). Assim, e para não ser “politicamente incorrecta”, a Igreja Católica abandona a sua atitude militante e o seu ensino tradicional; abstém-se de denunciar o comunismo como um mal e deixa de procurar converter ao Catolicismo os Ortodoxos Russos.

     Nesta obra examinamos e divulgamos as maquinações políticas que, sem qualquer dúvida, influenciaram certas atitudes tomadas em relação a Fátima por parte de alguns diplomatas do Vaticano; e também não há dúvida de que os arquitectos da Ostpolitik conciliatória no Vaticano acham que a Mensagem de Fátima é inconveniente.

     Poderíamos, então, pensar que o Vaticano não fará a Consagração da Rússia simplesmente por motivos políticos. Mas, o que pesaria mais para o Vaticano? O aniquilamento de várias nações ou um incidente diplomático? E a Rússia? Sentir-se-ia realmente ofendida com uma cerimónia de Consagração? E mesmo que ficasse ofendida, que poderia fazer a Rússia de pior do que o anunciado castigo por não se ter feito a Consagração «deste pobre país»?

     Vendo bem, parece pouco provável que, por si só, tais considerações diplomáticas levassem o Vaticano a não fazer caso de uma mensagem vinda do Céu. Dá a impressão de que uma outra coisa tinha que estar em laboração: algo ainda mais profundo e mais escuro que as políticas mundiais - e assim era. É este o objecto fulcral deste livro.

Mais profundo e mais escuro que a política

     Lavrando mais escura e profundamente que a política é o modo como a Igreja Católica tem vindo a ser transformada de diversos modos, deixando confusos muitos dos Fiéis.

     Vista de longe e do exterior, a Igreja parece continuar a exercer normalmente a sua função salvífica; mas isso é só na aparência - porque a reforma iniciada nos anos 60 pelo Concílio Vaticano II conduziu a grandes mudanças, únicas até então (e.g. a Missa em vernáculo, o abandono do traje clerical distintivo, etc.) e que, embora dramáticas para os Fiéis, passavam quase despercebidas às pessoas ‘de fora’, imersas nas tendências laicas da sociedade da segunda metade do Século XX. Comparativamente com a sociedade, a Igreja parecia ser uma instituição resistente à mudança, mantendo inalteráveis os Seus ensinamentos (o celibato sacerdotal, a ordenação de mulheres, a contracepção, o divórcio e o aborto) - aspectos em que ainda parece conservar a posição firme que sempre teve ao longo dos séculos.

     Quererá isto dizer que a liderança do Vaticano é resolutamente tradicionalista? Quem considerar apenas os elementos visíveis, como as alocuções públicas do Papa, provavelmente pensará que sim. Mas os Fiéis atentos vão dizer o contrário.

As mudanças na Igreja Católica
hoje não são o que aparentam ser

     Por isso cada vez aumenta mais a separação entre a Sua imagem pública e a Sua verdadeira realidade. As crenças que dantes estavam no centro da Fé Católica estão agora a ser abandonadas - não pelos Fiéis, que continuam a ocupar os bancos da igreja; mas por algumas das Suas mais altas autoridades.

     Ao longo dos séculos, a Igreja Católica canonizou muitas centenas de pessoas, com base em milagres obtidos por sua intercessão e, como sabemos, muitos destes santos experienciaram aparições de Cristo ou da Santíssima Virgem Maria. A tradição católica afirma a Sua Fé num diálogo entre a terra e o Céu, através de santos que tiveram visões e que, chamados por Deus a serem profetas do seu tempo, autenticam as suas profecias com milagres.

     Muito longe de reiterarem este aspecto, tão antigo, da crença cristã, certos Prelados do Vaticano afirmam hoje enfaticamente que as “aparições privadas” podem ser tratadas com indiferença, porque “não [são] essenciais” à Fé - e incluem nas suas afirmações (apesar da advertência da Mensagem acerca de uma catástrofe mundial) as aparições de Fátima que, obviamente, foram públicas.

     O que se passa é que, enquanto se mantêm oficialmente certos aspectos das tradições da Igreja – e isso é largamente publicitado -, noutros aspectos as tradições são abandonadas ou minadas pela base - o que eles só muito raramente admitem, e ao de leve. Devido à “modernização” do período post Concílio Vaticano II, os Católicos de todo o mundo, unidos antes pelas mesmas crenças religiosas, passaram a vê-las trivializadas e reduzidas a um mero estatuto de culto. Entre elas estão, principalmente, as aparições, os milagres e as profecias – que se situam tradicionalmente no coração da história de Fátima. E foi precisamente o abandono da crença em tudo isto que transformou Fátima – de algo “fidedigno” a um mero culto que o dirigente doutrinal da Igreja tenta desacreditar “com luva branca”.

     Poucas crenças resistiram e, mesmo assim, sofrendo desafios a um altíssimo nível. É o caso de certos artigos fundamentais da Fé, como a Ressurreição e a Divindade de Cristo, postos em dúvida por Hans Küng - “Teólogo” largamente publicado e abertamente herético - que, por tão graves afirmações, recebeu apenas uma ligeira repreensão.

Uma crise de Fé e de disciplina na Igreja

     Os Católicos fiéis, dantes agrupados em torno de crenças comuns – universais –, sentem-se agora confusos e dispersos; como se, separados uns dos outros, caminhassem em diferentes direcções em cada região. E isto devido a uma liderança contraditória e duvidosa a todos os níveis. Aquela Igreja Católica sólida e monolítica deixou já de existir: hoje está cheia de fracturas - ao longo das quais iremos avançando neste livro. Nele verá o leitor uma liderança eclesial fragmentada, cuja primeira fissura divide um Papa absolutamente crente nos seus súbditos imediatos - que podem ser tudo menos verdadeiros súbditos.

     Neste ponto, é bom recordar como é, tradicionalmente, a estrutura da Igreja, que é muito diferente de uma democracia. Os Bispos da Igreja Católica não são eleitos pelos Fiéis, nem sequer pelos seus pares; são escolhidos pelo Papa e sagrados por ele ou (mais geralmente) por um Bispo mais antigo; e o poder que lhes é conferido através desta consagração vem directamente de Deus. Uma vez sagrado, o novo Bispo fica, em última instância, responsável apenas perante Deus e, abaixo de Deus, devedor de obediência (nos assuntos da Igreja) só ao Papa. Ora o que acontece é que certos altos Prelados que rodeiam o Papa e que deviam ser os Seus assessores são antes ( como dissemos) tudo menos súbditos fiéis.

     Esta obra examina de perto quatro Prelados do Vaticano e documenta largamente qual tem sido o seu papel num plano para “fechar o livro” de Fátima - porque Fátima é “politicamente incorrecta” e a voz da crença tradicional católica. Enquanto não houver certezas sobre as motivações individuais destes Prelados, continuará de pé, como conclusão, que a sua actuação tem contribuído muito para a actual crise de Fé e de disciplina na Igreja. Vem-se tornando por demais evidente que já não é possível determinar com clareza em que é que acreditam, verdadeiramente, estes funcionários do Vaticano. O lugar de Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, que dantes era ocupado por pessoa idónea cujo compromisso à conservação da Doutrina Católica era absoluto e indiscutível, está hoje nas mãos do Cardeal Joseph Ratzinger - e em que acredita ele? As suas entrevistas e pronunciamentos contêm afirmações tão cheias de ambiguidade que em muitas áreas nem os peritos em Teologia conseguem afirmar, com exactidão, em que é que ele acredita.

     Se aquilo que o Cardeal Ratzinger pensa ou deixa de pensar sobre assuntos de doutrina católica nada significa para os Não-Católicos - já o que ele pensa sobre as aparições, milagres e profecias significa muitíssimo para todos no caso de Fátima. Vejamos: se ele não acredita nas aparições de Fátima, se trata com indiferença o Milagre do Sol, e ignora e despreza as profecias da Mensagem de Nossa Senhora, então pode estar a pôr em risco o Mundo inteiro - Católicos ou não, crentes ou ateus. Não é preciso alguém ser Católico para se interrogar sobre Deus, e sobre qual o modo que Deus escolhe para comunicar com a Humanidade. Ora, para comunicar com a humanidade, Deus bem poderia escolher a Mensagem de Fátima - porque (como sabiamente diz a Bíblia) os caminhos de Deus não são os nossos caminhos.

O calapso da crença tradicional entre Católicos

     É assim que esta situação da Igreja Católica (em colapso, confusa, caótica em certos aspectos e muitas vezes contraditória nas palavras e nas acções de alguns dos Seus altos Prelados) emerge como a explicação mais plausível para o comportamento da Igreja em relação a Fátima – o que, de outro modo, seria inexplicável.

     Em última análise, a questão que se põe não é, apenas, em que acredita a Igreja Católica; é também o que poderá isso significar para a Humanidade. Tal situação que convida todos (Católicos ou não, Cristãos ou não) a considerarem a possibilidade de a Mensagem de Fátima poder ser autêntica. E o certo é que há provas capazes de apoiarem esta ideia.

     Apenas parcialmente divulgada, há ainda na Mensagem a profecia do Terceiro Segredo de Fátima. As evidências esboçadas neste livro apontam fortemente para uma profecia de graves problemas na liderança da Igreja - problemas esses que têm uma semelhança inquietante com aquilo que hoje está efectivamente a acontecer. Na sua procura de explicação para uma situação aterradora, todos os olhares se voltarão para o Terceiro Segredo, ainda por divulgar.

     Esta obra fornece bons motivos para acreditar que o Terceiro Segredo prediz, exactamente, o que está a acontecer agora: os escândalos, noticiados em catadupa, entre o clero - com o abuso sexual de crianças e jovens (coisa que raramente aconteceu ao longo dos séculos, sendo então os prevaricadores severamente castigados pela Igreja e pelo Estado cristão) - serão o começo do prometido castigo, se a Consagração não for feita. Quando, como última consequência, o mundo inteiro for castigado, a punição cairá em primeiro lugar sobre a Igreja Católica: o estiolar do sacerdócio e a sua degeneração moral são apenas os primeiros sinais de uma calamidade que acabará por engolir toda a Humanidade. O facto de os quatro Prelados do Vaticano, examinados neste livro, se terem dado ao (enorme) trabalho de pôr termo à questão de Fátima enquanto ainda está oculto o texto do Terceiro Segredo apoia fortemente esta interpretação. E – sem dúvida – pode pensar-se que eles têm ainda algo a ocultar… Se assim não fosse, porque não publicariam eles o Terceiro Segredo e não deixariam que a Irmã Lúcia dos Santos testemunhasse da sua autenticidade?

     Quando um dia toda a história for contada, leitor, todos verão por qual motivo o Vaticano não efectuará a Consagração da Rússia: é que, se a fizesse, estaria a afirmar a autenticidade da Mensagem de Fátima e, consequentemente, da apostasia aí profetizada que havia de partir do interior do próprio Vaticano. Estes Prelados (que são descrentes) não querem sequer prestar atenção a uma Mensagem que contra eles aponta o dedo acusador. Pelo contrário, tentaram o mais possível sepultá-la - de um modo tal que fosse desacreditado aquilo que, anteriormente, o próprio Vaticano declarara digno de todo o crédito.

     Se os factos relatados nesta obra poderão convencer muitos não-Católicos de espírito aberto de que a autenticidade de Fátima é, pelo menos, possível, quanto mais os Católicos? Pois apesar de poderem levar os descrentes a acreditarem, as Aparições de Fátima, ironicamente, parecem exercer o efeito oposto sobre certos Prelados do Vaticano.

     Em qualquer outra era da História da Igreja, os membros da mais alta Hierarquia do Vaticano teriam sido, decerto, os primeiros entre os crentes: não teriam perdido tempo em obedecer a uma mensagem vinda do Céu, e corresponderiam ao Seu pedido.

     Mas com a confusão que se seguiu ao Concílio Vaticano II e com o avanço do laicismo adentro de cada instituição, incluindo a Igreja, ao longo dos últimos 40 anos, é dada agora à Mensagem uma recepção hostil - até mesmo pelo (por certos funcionários do) Vaticano. Não fazendo caso da Mensagem, estes Prelados colocam-se fora do grupo dos crentes e também do dos não-crentes (que ainda possuem um certo senso comum) - porque eles não querem dar à Mensagem uma oportunidade, nem sequer o benefício da dúvida, pelo sim, pelo não.

Uma lição paralela da Escritura Sagrada

     Há um paralelo impressionante entre a quase negação do Vaticano quanto à Consagração da Rússia e um acontecimento bíblico milagroso contado no Quarto Livro dos Reis (4 Reis 5:1-15; referido em alguns Bíblias como 2 Reis 5:1-15): a cura de Naaman.

     Tendo este comandante do exército da Síria ficado leproso, o seu Rei (que muito o estimava) enviou-o a Israel, ao profeta Eliseu, para que com um milagre o curasse de tão terrível enfermidade. Antes mesmo de se terem encontrado, Eliseu mandou dizer a Naaman se lavasse sete vezes no rio Jordão, que ficaria curado. Naaman irritou-se no seu íntimo por Eliseu não ter vindo ter com ele para lhe administrar a cura. E pensou: “Então é só lavar-me no Jordão? Em que seria isso melhor do que eu lavar-me em qualquer um dos fecundos rios da Síria?”. Rejeitando as indicações – tão insignificantes – do profeta, Naaman preparava-se para se ir embora, quando os seus conselheiros o dissuadiram. Argumentaram, dizendo que se o profeta lhe tivesse pedido uma façanha notável, Naaman tê-la-ia feito para obter a cura. Se assim era, então porque não faria ele esse acto social que lhe fora pedido, em vez de uma tal façanha? Por que razão não haveria ele de experimentar, sendo uma coisa tão simples?

     Então Naaman resolveu-se a experimentar. E à sétima lavagem no rio Jordão, a sua lepra desapareceu.

     Tal como Naaman, parece que os Prelados do Vaticano são incapazes de acreditar que algo tão simples como uma Consagração pode conceder um benefício tão momentoso como a verdadeira Paz para o Mundo. E estão tão obstinados na sua posição que nem sequer permitem que se experimente o remédio - apesar dos apelos, repetidos ao longo de muitas décadas, por milhões de Fiéis, incluindo milhares dentro do próprio clero católico.

     Para os “de fora”, parecerá incrível que um grupo minúsculo de incrédulos da alta Hierarquia possa bloquear uma acção tão ardentemente desejada por numerosíssimos Fiéis. Para entender isto, é necessário compreender a estrutura da Igreja que, como vimos, é basicamente hierárquica. Ora dado o contexto dos tempos e o estilo administrativo do actual Papa, é mais que certo que o Sumo Pontífice não dará uma ordem directa a todos os Bispos, a menos que tenha havido um consenso global entre eles. O que significa que, em última instância, cabe aos Bispos da Igreja, aproximadamente uns 4.500, concordarem voluntariamente em efectuar a Consagração da Rússia do modo como foi pedida. Mas devido aos largos poderes que esses Prelados têm sobre a marcação de audiências, as promoções e outros privilégios, é fácil ao pequeno grupo que lidera no Vaticano impedir que, em tempo algum, venha a emergir um tal acordo espontâneo.

     Claro que hoje é evidente, para todos os membros do clero católico que o facto de divulgar, alto e bom som, a Mensagem de Fátima é garante de um ‘bilhete sem regresso' para o esquecimento - quer se trate de um Sacerdote, de um Bispo ou mesmo de um Cardeal. Logo, os Bispos conservam-se calados, na sua maioria, no que toca a este assunto - indiferentemente daquilo que eles possam, na realidade, pensar ou em que possam acreditar. O mesmo se aplica aos Sacerdotes que, de todos eles, são ainda os mais vulneráveis à punição por serem “politicamente incorrectos”.

     Por isso, este livro também menciona o tratamento repressivo do Padre Nicholas Gruner, o “Sacerdote de Fátima”, que se devotou a promover a Mensagem de Fátima com um grande custo pessoal. As tentativas do Vaticano para o silenciar - o que chegou a incluir a ameaça de excomunhão - fazem um contraste flagrante com o tratamento brando de centenas de outros Sacerdotes, e até Bispos e Arcebispos, que têm sido implicados em alegações de abuso sexual de menores. O estado lamentável do clero católico de hoje está resumido neste contraste entre o tratamento dado ao Padre Nicholas Gruner e o que é outorgado aos clérigos católicos realmente culpados de crimes graves.

     A Igreja Católica tem nas suas mãos um remédio cujo resultado mais ninguém sabe como conseguir - trazer a Paz a este Mundo interminavelmente atormentado pela lepra da guerra. Com base nas evidências apresentadas neste livro, aqueles que impedem este remédio de ser experimentado têm muito que confessar. Devem uma explicação pelo seu comportamento, tanto aos Fiéis Católicos como a todo o Mundo. Além disso, e devido à sua importância para o mundo inteiro, o encobrimento da Mensagem de Fátima é uma ocasião de ultraje público bem mais grave do que o encobrimento, por parte de alguns Bispos, do mau comportamento sexual de sacerdotes e que a imprensa trouxe a público no ano de 2002.

     Como esta obra torna claro, tanto os católicos como os não-católicos têm muito a ganhar e muitíssimo a perder se a Mensagem de Fátima continuar a não ser reconhecida por aqueles mesmos homens a quem o próprio cargo obrigava a seguir os imperativos nela traçados.

     O capítulo final deste livro oferece algumas sugestões sobre aquilo que cada leitor, crente ou descrente, pode fazer para persuadir os dirigentes da Igreja Católica a agir, tanto no maior interesse da Igreja como da Humanidade.



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