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Capítulo 6 O motivo consolida-se Por volta de 1948, o Papa Pio XII, por sugestão do Cardeal Ruffini, que era solidamente fiel à tradição, pensou em convocar um Concílio Geral, e chegou mesmo a dedicar alguns anos aos preparativos necessários. Há indícios de que os elementos progressistas em Roma acabaram por dissuadir o Papa Pio XII de concretizar o seu projecto, porque este Concílio mostrava uma tendência bem definida de seguir a orientação da Humani Generis na sua condenação dos erros modernistas. Tal como esta grande encíclica de 1950, o futuro Concílio iria combater «as falsas opiniões que ameaçam enfraquecer insidiosamente os fundamentos da doutrina católica»1. Ao mesmo tempo, os “erros da Rússia” a que a Virgem de Fátima se referira estavam a penetrar na própria Igreja. Várias Ordens religiosas católicas estavam a ser infiltradas. Por exemplo, o chamado movimento dos “Padres Operários Católicos” estava tão claramente infiltrado pelos comunistas que o Papa Pio XII decidiu acabar com ele na década de 1950. Tragicamente, Pio XII convenceu-se de que estava demasiado idoso para meter ombros à tarefa grandiosa de um Concílio que combatesse as fileiras cada vez mais numerosas dos inimigos da Igreja, e resignou-se à decisão de que «isto ficará para o meu sucessor»2. O Papa Pio XII morreu em 9 de Outubro de 1958. E chegamos agora ao ano crítico do nosso caso. Chegámos a 1958, dois anos antes de 1960 - o ano em que devia revelar-se o Terceiro Segredo, de acordo com o desejo de Nossa Senhora de Fátima, como declarou a Irmã Lúcia. Durante o pontificado do Papa Pio XII, o Santo Ofício, sob a competente direcção do Cardeal Ottaviani, manteve o Catolicismo em terreno seguro, mantendo sob freio os cavalos selvagens do modernismo. Muitos dos teólogos modernistas de hoje contam desdenhosamente como eles e os seus amigos estiveram “amordaçados” durante este período. Todavia, nem o Cardeal Ottaviani pôde prever o que ia acontecer em 1958. Iria subir à Cadeira Pontifícia um novo género de Papa «que, segundo os progressistas acreditavam, iria favorecer-lhes a causa»3, e este Papa forçaria um relutante Ottaviani a destrancar e a abrir o curral, forçando-se a si próprio a aguentar a debandada. E nem se podia dizer que esta situação não tivesse sido prevista. Ao receber a notícia da morte do Papa Pio XII, o velho D. Lambert Beauduin, amigo de Roncalli (o futuro Papa João XXIII), confessou ao Padre Bouyer: «Se elegerem Roncalli, é a salvação: ele seria capaz de convocar um concílio e de consagrar o ecumenismo»4. Neste ponto da nossa exposição, e especialmente para o leitor não-Católico, deve realçar-se que as mudanças na orientação básica da Igreja (que iremos discutir) não têm qualquer antecedente na História da Igreja Católica e constituem-se, talvez, como a Sua pior crise. Um estudo atento daquilo que se lhe segue evidenciará porque é que a Mensagem de Fátima, com o seu apelo à consagração e conversão da Rússia como arauto da Paz no mundo, se tornou inaceitável para aqueles homens da Igreja, liberais e politicamente correctos, dos passados 50 anos. Estas mudanças - sem paralelo - não foram um benefício, antes um grande prejuízo, para os não-Católicos: o resultado da “modernização” da Igreja incluía não apenas os escândalos que hoje vemos entre o Clero, como também a incapacidade, por parte do elemento humano da Igreja, de realizar um acto - a solene Consagração da Rússia - que traria benefícios a toda a Humanidade. Um Concílio é convocado e a E aconteceu tal como D. Lambert vaticinou. Roncalli foi eleito, tomou o nome de João XXIII, convocou um Concílio e consagrou o ecumenismo. A “revolução de tiara e capa”, prevista pela Alta Vendita, estava em marcha. Um dos primeiros actos da revolução foi pôr de lado o Terceiro Segredo de Fátima. Contrariando as expectativas do mundo inteiro, a 8 de Fevereiro de 1960 (pouco mais de um ano após a convocação do Concílio), o Vaticano divulgava a seguinte notícia anónima, através da agência noticiosa A.N.I.:
E encontramos, na mesma comunicação, o primeiro ataque directo de fontes do Vaticano à credibilidade da Mensagem de Fátima, no seu todo:
Dizem ter ouvido? Poderia haver alguma dúvida sobre a veracidade do seu testemunho, depois do Milagre do Sol? Poderia alguém questionar terem eles recebido do Céu uma profecia autêntica, sabendo-se que, até então, se tinham cumprido todas as predições da Mensagem - desde o fim iminente da I Guerra Mundial até ao facto de se espalharem os erros da Rússia, desde a II Guerra Mundial até à eleição do Papa Pio XI? Este primeiro ataque declarado contra a Mensagem de Fátima vindo do interior do aparelho de Estado do Vaticano surge em 1960, à medida que o Vaticano começa a seguir uma nova orientação da Igreja, que (como veremos em seguida) desabrochará com o Concílio Vaticano II. Consideremos estes factos, relacionando-os com o comunicado de 8 de Fevereiro de 1960:
O crime tinha começado. E agora o motivo para o crime - o desejo de mudar a orientação da Igreja, afastando-A das certezas católicas da Mensagem de Fátima e aproximando-A de uma “iluminada” acomodação da Igreja ao mundo - começaria resolutamente com o início do Concílio Vaticano II em 11 de Outubro de 1962. Recordamos mais uma vez as palavras da Irmã Lúcia: que Nossa Senhora desejava que o Terceiro Segredo fosse revelado em 1960, porque seria então “mais claro”. Agora tornar-se-ia, realmente, muito claro. Os “erros da Rússia” infiltram-se na Igreja Primeiro, e ainda antes da abertura do Concílio, houve mais uma traição à Mensagem de Fátima - sinal de muitas coisas sem precedentes que iriam acontecer. Na primavera de 1962, em Metz, França, o Cardeal Eugène Tisserant encontrou-se, nada mais nada menos, com o Metropolita Nikodim, da Igreja Ortodoxa Russa - um agente do KGB, tal como o eram os outros prelados ortodoxos. Nesse encontro, Tisserant e Nikodim negociaram o que viria a ser conhecido como o Pacto de Metz, ou, mais popularmente, o Acordo Vaticano-Moscovo6. A existência deste Acordo Vaticano-Moscovo é um facto histórico irrefutável, atestado em todos os seus pormenores por Monsenhor Roche, secretário particular do Cardeal Tisserant. O acordo era substancialmente o seguinte: o Papa João XXIII, de acordo com o seu ardente desejo, seria “favorecido” com a presença de dois observadores ortodoxos russos no Concílio; em troca, a Igreja Católica concordava que o Concílio Vaticano II não condenaria o Comunismo soviético nem a Rússia soviética. Significava isto, em essência, que o Concílio iria comprometer a liberdade moral da Igreja Católica ao fingir que aquela forma mais sistemática do Mal humano na História da Humanidade (o Comunismo) não existia - apesar de, na mesma altura em que o Concílio iniciava os seus trabalhos, os Soviéticos perseguirem, prenderem e assassinarem milhões de Católicos. Restringida assim a liberdade da Igreja num acordo com os Comunistas, o Concílio não fez a menor menção ao Comunismo. Com tal procedimento, o Concílio afastou-se dos ensinamentos do Papa Leão XIII, do Bem-Aventurado Pio IX, de S. Pio X e ainda do Papa Pio XI, que recordaram à Igreja que não podia deixar de se condenar este Mal incomparável. Como este último escreveu na Divini Redemptoris.
E, contudo, o Concílio não diria uma única palavra sobre o Comunismo soviético; pelo contrário, começaria a época do “diálogo” com as mesmas forças às quais a Igreja anteriormente se tinha oposto. Porque é que isto aconteceu? Certamente não foi por “coincidência” que o silêncio do Concílio sobre o Comunismo se sincronizou perfeitamente com a infiltração comunista da Igreja Católica - que, como vimos num capítulo anterior, fora revelada pouco antes do Concílio Vaticano II por testemunhas-chave que não tinham motivo algum para mentir (Dodd, Hyde, Golitsyn, Mitrokhin e outros). Mesmo sem estes testemunhos, o nosso senso comum dir-nos-ia que era inevitável que as forças do Comunismo (actuando ao lado das da Maçonaria) tentassem destruir a Igreja Católica a partir do Seu interior. Satanás é suficientemente inteligente para saber que a Igreja Católica é, por excelência, a Cidadela que ele deve tomar de assalto no seu esforço de conquistar todo o mundo para o reino das trevas. Era esta, pois, a situação da Igreja no preciso momento em que o Concílio Vaticano II foi erradamente forçado a observar um silêncio vergonhoso quanto ao Mal do Comunismo. E escusado será dizer que, sob esse Acordo Vaticano-Moscovo, a Consagração da Rússia soviética ao Imaculado Coração de Maria pelos Padres conciliares, como meio de alcançar a sua conversão, estava absolutamente fora de questão. Ora este início de viragem para uma nova orientação da Igreja - que o Concílio iria acelerar de forma muito dramática - estava já em conflito com a Mensagem de Fátima. E assim tem continuado a ser desde o encontro de Metz, que aumentou a procura da Ostpolitik, a política implementada pelo Secretário de Estado do Vaticano, sob a qual a Igreja cessou toda e qualquer condenação e oposição aos regimes comunistas, substituindo-as por “diálogo” e “diplomacia serena” - uma política que até hoje tem silenciado o Vaticano sobre a violenta perseguição da Igreja na China comunista. Assim, em 12 de Outubro de 1962, dois Padres representantes da Igreja Ortodoxa desembarcaram de um avião no Aeroporto de Fiumicino para estarem presentes no Concílio Vaticano II. E o Concílio começou, tendo observadores ortodoxos a seguir as várias sessões, certificando-se de que o Acordo Vaticano-Moscovo estava a ser cumprido. A intervenção escrita de 450 Padres Conciliares contra o Comunismo “perdeu-se” misteriosamente, depois de ter sido entregue ao Secretariado do Concílio, e os Padres Conciliares que se ergueram para denunciar o Comunismo foram delicadamente aconselhados a permanecerem sentados e calados8. Os próprios chefes da Igreja tinham “descido a ponte levadiça” para os Comunistas entrarem e, entretanto, Comunistas e Maçons faziam tudo por tudo para destruirem a Igreja a partir do Seu interior (recordem-se as predições de Bella Dodd):
E finalmente - como Dodd predisse - «Os Comunistas explorariam então esta abertura para subverterem a Igreja». Este esforço imenso de subversão implicaria, em primeiríssimo lugar, a implantação da “teologia” modernista num concílio ecuménico - tal como o Cónego Roca e os outros iluminados da Maçonaria já se tinham gabado de vir a suceder. Os neo-modernistas triunfam no Vaticano II A 13 de Outubro de 1962, no dia seguinte à chegada dos dois observadores comunistas ao Concílio - também dia aniversário do Milagre do Sol em Fátima -, a História da Igreja e do mundo foi profundamente alterada por um acontecimento aparentemente de importância menor. Num incidente que ficou famoso, o Cardeal Liénart, de França, pegou no microfone para exigir que fossem postos de lado os candidatos propostos pela Cúria Romana para secretariarem as comissões preparatórias do Concílio, e que se fizesse uma nova escala de candidatos. A exigência foi aceite e a eleição adiada. E quando, finalmente, se fez a eleição, quem foi eleito pelas maiorias ou quase maiorias para as comissões conciliares foram os liberais - muitos dos quais se contavam entre aqueles “inovadores” contra quem protestara o Papa Pio XII. Os esquemas preparatórios tradicionalmente formulados para o Concílio foram rejeitados, pelo que o Concílio começou literalmente sem qualquer agenda escrita, deixando o caminho aberto a documentos inteiramente novos - escritos, agora, pelos liberais. É bem conhecido, e foi já impecavelmente documentado9, que um grupo de periti (especialistas) e Bispos liberais se encarregou então de liderar o Concílio Vaticano II com uma agenda de trabalhos que “re-fazia” a Igreja à imagem e semelhança deles, através da implementação de uma “nova teologia”. Quanto a este ponto, unanimemente concordam tanto defensores como críticos do Vaticano II. No seu livro Vatican II Revisited, o Bispo Aloysius J. Wycislo (um defensor rapsódico da revolução conciliar) declara, com um entusiasmo atordoado, que «teólogos e eruditos bíblicos que estavam ‘mal vistos’ desde há vários anos reapareceram como periti (especialistas em Teologia e conselheiros dos Bispos no Concílio), e os seus livros e comentários post-Vaticano II tornaram-se uma leitura popularizada»10. Notou ainda Aloysius Wycislo que «a encíclica Humani Generis do Papa Pio XII teve (…) um efeito devastador no trabalho de um número considerável de teólogos pré-conciliares»11, explicando: «Durante os trabalhos preparatórios iniciais do Concílio, aqueles teólogos (na maioria franceses, mas também alguns alemães), cujas actividades tinham sido limitadas pelo Papa Pio XII, ainda continuavam mal vistos. O Papa João levantou discretamente a proibição que afectava alguns dos mais influentes. Todavia, outros continuaram a ser suspeitos aos olhos dos responsáveis do Santo Ofício»12. Neste ponto, o testemunho directo de Monsenhor Rudolf Bandas, ele próprio um peritus conciliar, é de importância decisiva para o nosso caso:
De facto, o próprio Papa João XXIII sentia-se contente ao anunciar que, a partir deste Concílio, a Igreja - coisa inexplicável - deixaria de condenar o erro e de se preocupar com o estado em que se encontrava o mundo:
Mas o optimismo do Papa João XXIII contrastava nitidamente com o profundo alarme que, acerca do estado do mundo, se encontrava em muitas declarações dos seus predecessores imediatos (para não falar na própria Mensagem de Fátima). Consideremos alguns exemplos: O Papa S. Pio X:
O Papa Pio XI:
O Papa Pio XII (depois do fim da 2ª Guerra Mundial):
Claro que não deixaria de haver inúmeras batalhas no Concílio Vaticano II, entre o Grupo Internacional de Padres que lutavam pela defesa dos dogmas da Fé e da Tradição Católica, e o grupo progressista do Reno. Tragicamente, foi o elemento liberal e modernista quem prevaleceu, num processo desencadeado pelo optimismo do Papa João XXIII, para quem a verdade havia de vencer pela sua própria energia, sem a ajuda de quaisquer “terapias” condenatórias por parte do Magisterium. Wycislo canta os louvores dos progressistas triunfantes, tais como Hans Küng, Karl Rahner, John Courtney Murray, Yves Congar, Henri De Lubac, Edward Schillebeeckx e Gregory Baum, que tinham sido considerados suspeitos antes do Concílio (e com boas razões) e que agora eram as luminárias que dirigiam a teologia post-Vaticano II15. Com efeito, aqueles mesmos que o Papa Pio XII considerava inaptos para percorrerem as vias do Catolicismo eram agora quem tudo controlava. E como para coroar o seu sucesso, tanto o Juramento Anti-Modernista como o Índice de Livros Proibidos foram discretamente suprimidos logo a seguir ao encerramento do Concílio - decisão que o Bispo Graber considerou “incompreensível”16. O Papa S. Pio X tinha-o predito correctamente: a falta de vigilância das autoridades ocasionara o regresso em força do Modernismo. Dois exemplos flagrantes de Consideremos dois exemplos de “novos” teólogos deixados na Igreja com liberdade para fazerem o seu trabalho de destruição: Dominique Chenu e Hans Küng. Chenu era um defensor da Nova Teologia que Henri De Lubac celebrizara, tendo sido condenado pelas suas ideias progressistas em 1942, no pontificado do Papa Pio XII17. O seu livro Une école de théologie foi colocado no Índice de Livros Proibidos, e ele foi demitido do cargo de reitor do Colégio Dominicano de Le Saulchoir18. O Padre David Greenstock, no seu artigo de 1950, no Thomist, contra a Nova Teologia de Chenu e de De Lubac, explicou os perigos do sistema que apresentavam e a razão para que fosse condenada. Greenstock sublinhou que os partidários da Nova Teologia rejeitam a filosofia aristotélico-tomista em favor das filosofias modernas, dizendo eles que tal é necessário para apelar ao “homem moderno” que considera a filosofia tomista “irrelevante”. O resultado foi abalar a Teologia Católica, que ficou “deslocada” da firmeza dos seus fundamentos filosóficos e “mudada” para os sistemas filosóficos fluidos do século XX - muitos dos quais se fundamentam no ateísmo e no agnosticismo. Chenu também rejeitou a imutabilidade da Doutrina Católica, afirmando que a fonte de toda a teologia não é o dogma imutável, mas sim a vida vital19 da Igreja nos seus membros, a qual não pode separar-se da História. Assim, estritamente falando - diz Greenstock -, Chenu considerava que «a teologia é a vida dos membros da Igreja, e não uma série de conclusões tiradas de dados revelados, com a ajuda da razão» - um princípio que é escorregadio, impreciso e erróneo. Conclusão: Chenu sustentava que a religião pode mudar com os tempos e deve mudar com os tempos, segundo as exigências das circunstâncias. Greenstock explicou ainda que os partidários desta Nova Teologia são ao mesmo tempo heterodoxos e fraudulentos: «A principal luta com que se debate o partidário deste novo movimento» - escreveu ele - «é que a teologia, para sobreviver, tem de caminhar com os tempos. Por outro lado e simultaneamente, [esses teólogos] têm muito cuidado em repetir todas as proposições fundamentais da teologia tradicional, quase como se não houvesse qualquer intenção de a atacar. Isto é completamente verdade no caso de autores como os Padres De Lubac, Daniélou, Rahner, (…) E todos eles estão, sem dúvida, no centro deste movimento»20. Em 1946, o eminente teólogo dominicano Padre Reginald Garrigou-Lagrange, no seu famoso ensaio “Para onde nos leva a Nova Teologia?”21, demonstrou que os difusores da Nova Teologia (Blondel, De Lubac, Chenu) pervertem inteiramente o conceito da imutabilidade da Verdade. Assim, avisava ele, a Nova Teologia só pode levar-nos numa única direcção - em linha recta para o Modernismo. Enquanto tudo isto se passava, os Padres Chenu e De Lubac iam recebendo, encobertamente, protecção e encorajamento do Cardeal Suhard, Arcebispo de Paris. Foi ele que disse a Chenu que não se preocupasse, porque «Daqui a vinte anos, toda a gente na Igreja há-de falar como você». Como podemos ver, o Cardeal predisse com exactidão a invasão da Igreja pelo pensamento neo-modernista: a maior parte dos Clerigos de hoje fala, como Chenu. No início da década de 60, o Padre Chenu foi um de muitos teólogos radicais convidados pelo Papa João XXIII para o Concílio Vaticano II - no fim do qual, graças à orientação progressista do Concílio, o Padre Chenu viu muitas das suas teorias, outrora formalmente condenadas, a fazer parte dos novos ensinamentos do Vaticano II, em especial integradas em Gaudium et Spes. Chenu relata alegremente que, precisamente, aqueles pontos que fizeram com que a sua obra fosse condenada em 1942 foram exactamente os mesmos a ser agora promovidos por membros da Hierarquia, em nome do Concílio22. Quanto a Hans Küng, a “luminária” do período post-conciliar - trabalhou no Concílio juntamente com outros radicais, como Congar, Ratzinger, Rahner e Schillebeeckx. Nos anos 70, porém, como Küng tivesse ido “longe demais”, foi censurado pelo Vaticano devido a algumas ideias heréticas, incluindo as seguintes: rejeição da infalibilidade da Igreja; a ideia de que os Bispos não recebem de Cristo a autoridade que têm para ensinar; a sugestão de que qualquer leigo baptizado tem o poder de consagrar a Sagrada Eucaristia; a negação de que Cristo é “consubstancial” ao Pai; o lançar em descrédito doutrinas (não especificadas) sobre a Virgem Maria23. Mas é bom sublinhar que estas são só algumas das opiniões heréticas de Küng, as únicas a serem mencionadas nas sanções do Vaticano. Assim sendo, o Vaticano deixou intactas, na prática, as outras teses heterodoxas de Küng. Por exemplo, num dos seus livros mais famosos, intitulado On Being a Christian, Hans Küng:
Küng nunca retractou estas declarações não-ortodoxas e heréticas. Além disso, solicitou publicamente que fosse feita uma revisão dos ensinamentos da Igreja sobre temas como a infalibilidade do Papa, o controlo da natalidade, o celibato obrigatório dos Padres, e o sacerdócio das mulheres. Apesar desta rejeição descarada dos ensinamentos da Igreja, a única sanção que o Vaticano chegou a aplicar a Küng foi “não ter autorização” para ser considerado um teólogo católico e, assim sendo, não poder ensinar Teologia em nenhuma Universidade Católica. Esta “sanção” acabou por ser diluída, quando a Universidade de Tübingen (a sua alma mater) o manteve como membro do corpo docente, tendo simplesmente reestruturado uma parte da Universidade para que Küng, uma grande celebridade, aí pudesse continuar a ensinar - naquela parte da Universidade hoje oficialmente classificada como escola “secular”. Neste entretanto, o Vaticano nunca condenou Küng como herege, nunca o excomungou (como o Direito Canónico prevê), nunca ordenou que os seus livros fossem retirados das bibliotecas dos Seminários e Universidades católicos (onde ainda hoje se encontram em abundância), nunca o impediu de ser conferencista-convidado em instituições católicas, nunca causou impedimentos à publicação de artigos seus na Concilium ou noutras publicações “católicas” progressistas. O Padre Hans Küng nem sequer foi suspenso. Pelo contrário, ainda hoje é Sacerdote em exercício na diocese de Basileia, e não há outras sanções canónicas levantadas contra ele. Isto quer dizer que um Padre que continua a vomitar o seu veneno herético para cima de qualquer um ao seu alcance continua a ser autorizado a presidir a liturgias públicas, a pregar e a aconselhar nas confissões. No Vaticano, a Congregação para o Clero, dirigida pelo Cardeal Castrillón Hoyos, deixa-o “intocável”. Portanto, apesar da leve “condenação” do Vaticano, Küng conserva o acesso a uma grande variedade de “canais” influentes que disseminam a sua venenosa doutrina por toda a Igreja. Diz-se até que foram as “descobertas teológicas” de Hans Küng sobre a natureza da Igreja que forneceram a “base teológica” que tornou possível o Acordo “Luterano-Católico”, em 1999. E mais: em 1998, o Cardeal Sodano - Secretário de Estado do Vaticano e o prelado mais poderoso da Igreja - teceu louvores a Küng em discurso público na Basílica de S. João de Latrão, elogiando as suas «belas páginas dedicadas ao Mistério Cristão»25. O Cardeal Sodano também se referiu a Küng como “o teólogo alemão”, embora ele tivesse sido (supostamente) privado desse título. (Este é o mesmo Cardeal Angelo Sodano que, em última análise, está por detrás da actual perseguição feita ao Padre Nicholas Gruner e ao seu Apostolado de Fátima, como veremos). Ora a condenação de 1942, com que o Vaticano fulminava Chenu, foi muito mais severa do que a de Küng. Mas Chenu não só lhe “sobreviveu”, como até veio a ser um grande nome da Igreja Conciliar, sem nunca ter renunciado às suas ideias erróneas. O mesmo sucedeu com Rahner, Congar, De Lubac e von Balthasar, todos eles teologicamente suspeitos antes do Concílio, e gozando depois de grande prestígio - embora não tivessem sequer abandonado uma só das suas opiniões heterodoxas. Mesmo alguém como Küng tem razões para acreditar que qualquer pequena condenação que ele sofra não passará de um inconveniente temporário, um contratempo aborrecido, o destino de todos os verdadeiros “profetas”. Assim como Chenu viu as suas ideias heréticas acabarem por se impor graças a um Concílio revolucionário, da mesma maneira Küng pode respirar, a plenos pulmões, a esperança de que, num futuro não muito distante, os seus erros venham eventualmente a ser adoptados de facto pelo Catolicismo “corrente” - mesmo que não fiquem a ser ensinamentos do autêntico Magisterium, que nunca poderia impor tais erros à Igreja. Os Neo-Modernistas aclamam a Foi, pois, com fortes motivos para tal, que os progressistas - como o Cardeal Suenens, Küng, Louis Bouyer e Yves Congar - celebraram o Concílio Vaticano II como uma Revolução, como a morte de uma era e o começo de outra:
Estas declarações são sobremaneira ousadas, quando consideramos que os Concílios de Trento e do Vaticano I são Concílios dogmáticos, cujos ensinamentos não podem nunca ser mudados, ignorados ou reinterpretados em nome de um “conhecimento mais profundo”. O Concílio Vaticano I declarou infalivelmente:
Todavia, os modernistas - tal como avisara o Papa S. Pio X - não aceitam nada como fixo ou imutável. O seu princípio mais importante é o da “evolução do dogma”. Defendem a noção de que a religião deve mudar à medida que os tempos mudam. A este respeito, bem como a respeito de muitos outros pontos, os impulsionadores do Vaticano II revelam-se como pessoas embebidas no erro do Modernismo. Maçons e Comunistas exultam Juntamente com os neo-modernistas, tanto Maçons como Comunistas exultaram com o resultado do Concílio. Tal como os autores da The Permanent Instruction of the Alta Vendita tinham desejado, tal como os infiltrados comunistas a que Bella Dodd se referiu tinham desejado, as noções da cultura liberal tinham finalmente ganho apoiantes ao mais alto nível da Hierarquia Católica. Maçons e Comunistas celebraram a espantosa reviravolta trazida pelo Concílio. Alegram-se ao ver que, finalmente, os Católicos “viram a luz”, pois que muitos dos seus princípios maçónicos foram aceites pela Igreja. Por exemplo, Yves Marsaudon, do Rito Escocês, no seu livro Ecumenism Viewed by a Traditional Freemason, louvou o ecumenismo nascido do Concílio Vaticano II. Escrevia ele:
Yves Marsaudon deleitava-se ao acrescentar que «Pode-se dizer que o ecumenismo é o filho legítimo da Maçonaria»32. O espírito de dúvida e de revolução característico do Post-Vaticano II alegrou, obviamente, o coração do maçon francês Jacques Mitterand, que escreveu com aprovação:
O francês Marcel Prelot, Senador pela Região de Doubs, é provavelmente o mais exacto ao descrever o que realmente aconteceu. Escreveu ele:
Os Comunistas ficaram igualmente deliciados com os resultados do Concílio. Como declarou o Partido Comunista Italiano no seu 11º Congresso, em 1964: «O extraordinário ‘despertar’ do Concílio, que pode comparar-se com exactidão aos Estados Gerais de 1789, mostrou a todo o mundo que a velha Bastilha político-religiosa foi abalada até aos alicerces»35. L'Unità, jornal oficial do Partido Comunista Italiano, teve o descaramento de, a respeito do Arcebispo Marcel Lefebvre - que chefiava a oposição tradicionalista contra os liberais conciliares e tinha proposto que o Concílio condenasse o Comunismo -, aconselhar o Papa Paulo VI: «Tende consciência do perigo que Lefebvre representa. E continuai o magnífico movimento de aproximação começado com o ecumenismo do Vaticano II»36. Uma “orientação” completamente nova para a Igreja As manifestações públicas de contentamento feitas pelas luminárias neo-modernistas, pelos Comunistas e pelos Maçons a respeito do Vaticano II não são de admirar. Era óbvio, para quem tivesse olhos para ver, que o Concílio Vaticano II parecia adoptar ideias que tinham sido condenadas pelo Bem-Aventurado Papa Pio IX no Syllabus dos Erros, mas que estavam em concordância com o Pensamento modernista. (Como explicaremos mais adiante, o próprio Cardeal Ratzinger descreveu certos aspectos dos ensinamentos do Concílio como sendo um “contra-Syllabus”). Claro que isto não aconteceu por acaso, mas de propósito. No Vaticano II, os progressistas procuraram evitar declarações directas que se visse facilmente serem erros modernistas condenados; do mesmo modo, “plantaram” deliberadamente ambiguidades nos textos conciliares que tencionavam explorar depois do Concílio37. Utilizando ambiguidades deliberadas, os documentos conciliares promoveram um ecumenismo que fora condenado pelo Papa Pio IX, uma liberdade religiosa para falsas seitas que os Papas do Século XIX (especialmente o Bem-Aventurado Pio IX) tinham condenado, uma nova liturgia segundo as orientações do Protestantismo e do ecumenismo, a que o Arcebispo Bugnini38 chamou «uma conquista da maior importância para a Igreja Católica», uma colegialidade que ataca o cerne da primazia papal, e uma «nova atitude para com o mundo» - especialmente em Gaudium et Spes, um dos mais radicais documentos conciliares. Até o Cardeal Ratzinger admitiu que a Gaudium et Spes está permeada pelo espírito de Teilhard de Chardin39. O resultado de tudo isto foi, nada mais nada menos, do que uma orientação inteiramente nova para a Igreja: aquilo a que o Papa Paulo VI chamou “abertura ao mundo”. Todavia, como o próprio Papa Paulo VI foi forçado a admitir, a abertura ao mundo provou ser um erro de cálculo absolutamente desastroso. O Papa Paulo VI admite que a Igreja Como até o Papa Paulo VI admitiu oito anos após o Concílio, «a abertura ao mundo tornou-se uma verdadeira invasão da Igreja pelo pensamento mundano. Fomos talvez demasiado fraco e imprudente.» Mas já três anos depois do Concílio o Papa Paulo VI tinha admitido que «A Igreja está num período agitado de autocrítica, que poderia antes chamar-se auto-demolição»40. E em 1972, talvez no mais espantoso comentário jamais feito por um Pontífice Romano, Paulo VI lamentou que «Por alguma fresta o fumo de Satanás entrou no Templo de Deus»41. Consideremos algumas das razões manifestas para as confissões estarrecedoras do Papa Paulo VI. A Igreja “abre-se” ao “diálogo” Com o Vaticano II começou a grande empresa de colaboração com as forças do mundo, a grande abertura ao mundo. Em parte alguma é isto mais visível do que na própria encíclica Gaudium et Spes, que declara: «Por meio de estudo constante, eles» - isto é, todos os Padres da Igreja Católica, todos os Bispos, todos os membros da Hierarquia - «devem estar preparados para fazerem por estabelecer diálogo com o mundo e com homens de todos os géneros de opiniões». Não faltará neste momento quem diga: -Mas que mal tem a colaboração pacífica e o diálogo com homens de todos os géneros de opiniões, em assuntos em que a Igreja possa encontrar uma espécie de acordo básico? Ora, também aqui os Papas pré-conciliares nos alertaram para mais um dos truques e enganos do Demónio, sob a aparência do Bem. Falando precisamente sobre este apelo à colaboração e ao diálogo com os Comunistas em causas que supostamente são comuns a toda a Humanidade - o que, na verdade, é o apelo do Demónio para que a Igreja deponha as armas e se junte ao inimigo -, o Papa Pio XI avisou-nos da seguinte maneira na Divini Redemptoris:
O Papa Pio XI não podia ter sido mais claro quanto ao dever de evitar o “diálogo” e a colaboração com Comunistas. E por que razão? «Diz-me com quem andas, e dir-te-ei quem és,» ou, como dizem os italianos, Dimmi con chi vai, e ti dirò che sei. Como o Papa Pio XI reconheceu, quem se associa a um certo tipo de pessoas acaba inevitavelmente por ser influenciado, mesmo contra vontade, a tornar-se como elas. Quem colabora com as forças do mundo defrontará a tendência destas para o seduzir, e ficará como elas. Se a Igreja Se abre ao mundo no sentido de cessar a Sua oposição aos poderes a que Ela anteriormente se opôs, e se a Igreja agora disser que passará a colaborar e a dialogar com os Seus inimigos, os membros da Igreja ficarão, a seu tempo, como aqueles a que dantes se opunham. Deste modo, a abertura ao mundo resultará em a Igreja ficar como o mundo - como até o Papa Paulo VI se viu obrigado a admitir na declaração supra citada. A Igreja “reconcilia-se” com o Liberalismo Os “conservadores” que negam que o Vaticano II constitui uma quebra da tradição, ou que contradiz ensinamentos anteriores, certamente não escutaram os promotores e agitadores do Concílio, que confessam desavergonhadamente a verdade. Yves Congar, um dos “peritos” do Concílio e o principal dos artesãos das reformas conciliares, confessou com uma satisfação discreta que «A Igreja teve pacificamente a sua Revolução de Outubro»43. Congar admitiu também, como se fosse algo de que devesse orgulhar-se, que a Declaração sobre a Liberdade Religiosa do Vaticano II é contrária ao Syllabus do Papa Pio IX44. E acrescentou:
Congar sugere jubilosamente que o Vaticano II desfez uma condenação papal de erro que era infalível. Particularmente notáveis são as declarações do Cardeal progressista Suenens, um dos prelados mais liberais do século XX e, além disso, um Padre Conciliar, que escreveu com alegria dos antigos regimes que vieram a ser demolidos. As palavras que usou para louvar o Concílio são excepcionalmente reveladoras, talvez as mais arrepiantes e as mais condenatórias de todas. Declarou Suenens que “o Vaticano II é a Revolução Francesa da Igreja”46. E há poucos anos, o próprio Cardeal Ratzinger, aparentemente não perturbado por tais afirmações, acrescentou-lhes uma da sua lavra. Segundo ele, o texto do Vaticano II Gaudium et Spes não é senão um “contra-Syllabus”. Escreveu:
Repare-se na pura audácia de um Cardeal que chama “unilaterais”, nos seus esforços para proteger a Igreja dos erros do liberalismo e do modernismo, a dois dos maiores Papas da história da Igreja! Segundo o Cardeal Ratzinger, no Vaticano II a Igreja fez uma “tentativa” para “corrigir” e “contradizer” os ensinamentos do Bem-Aventurado Pio IX e de S. Pio X, e, pelo contrário, para se reconciliar com a Revolução Francesa e com o Iluminismo. Mas este era exactamente o objectivo da Instrução Permanente, o plano maçónico de subversão da Igreja! Foi precisamente por isso que, no Syllabus de Erros, o Bem-Aventurado Pio IX condenou a proposição de que «O pontífice romano póde e deve reconciliar-se e conformar-se com o progresso, com o liberalismo e com a moderna civilisação.» (Proposição Condenada Nº 80). E S. Pio X, na sua encíclica Notre Charge Apostolique, condenou o movimento do Sillon em França, censurando os seus membros porque «Não temem empreender reconciliações blasfemas entre o Evangelho e a Revolução». Mas, segundo o Cardeal Ratzinger, “não pode haver um regresso ao Syllabus, que pode ter marcado a primeira fase no confronto com o liberalismo mas não pode ser a última fase”48. E o que é esta última “fase” no “confronto com o liberalismo”? Aparentemente, sob o ponto de vista do Cardeal Ratzinger, é a aceitação por parte da Igreja daquelas ideias que Ela anteriormente condenara! Confrontar o liberalismo reconciliando-se com ele? Que espécie de linguagem é esta? A “confrontação” de Ratzinger com o liberalismo não passa de uma rendição vergonhosa. Além do mais, na opinião do Cardeal Ratzinger, não só as condenações do liberalismo no Syllabus do Bem-Aventurado Pio IX, mas também os ensinamentos anti-modernistas de S. Pio X na Pascendi devem agora ser considerados ultrapassados. Em 1990, a Congregação para a Doutrina da Fé divulgou uma “Instrução sobre a Vocação Eclesiástica do Teólogo”. Ao explicar a Instrução à imprensa, o Cardeal Ratzinger declarou que certos ensinamentos do Magistério «não eram considerados como a palavra final sobre o assunto como tal, mas serviam antes de ancoragem no problema, e sobretudo como uma expressão de prudência pastoral, uma espécie de disposição temporária»49. Como exemplos destas “disposições temporárias”, Ratzinger citou «as declarações dos Papas durante o último século sobre a liberdade religiosa, assim como as decisões anti-modernistas do começo deste século ...»50 - ou seja, os ensinamentos anti-modernistas de S. Pio X no início da década de 1900. Estes comentários do Cardeal Ratzinger deveriam perturbar qualquer Católico, não só por admitirem que o Concílio abraçou um objectivo preferido dos inimigos da Igreja, mas ainda por virem do homem que, como chefe da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), está supostamente encarregado de guardar a pureza da doutrina católica. E este, como veremos mais adiante, é o mesmo homem que comandou o ataque para desfazer a compreensão tradicional católica da Mensagem de Fátima. É abandonado o ensinamento de que Assim como a tentativa de reconciliar a Igreja com os princípios da Revolução Francesa neutralizaria a oposição, outrora firme, da Igreja aos erros da idade moderna, também a “aventura ecuménica” lançada no Concílio depressa levaria ao abandono de facto de todos os esforços para converter os protestantes e cismáticos à Fé Católica - como no caso da conversão da Rússia. Ao mesmo tempo que o Concílio adoptava o “movimento ecuménico” - apenas 35 anos depois de o Papa Pio XI o ter condenado na sua encíclica Mortalium Animos - o documento conciliar Lumen Gentium confundiu por completo a doutrina da Igreja Católica como sendo a única Igreja verdadeira. Segundo a Lumen Gentium, «a Igreja de Cristo... subsiste na Igreja Católica». (ênfase acrescentada) Isto é de espantar. Por que razão o documento não proclama claramente o que a Igreja Católica sempre ensinou, como transparece das encíclicas de Pio XII - ou seja, que a única e verdadeira Igreja de Cristo é a Igreja Católica51? Para quê empregar um termo favorável ao erro progressista de que a Igreja de Cristo é, na realidade, maior do que a Igreja Católica, de modo que as seitas cismáticas e protestantes são “de certa maneira misteriosa” parte da Igreja de Cristo, ou ligadas a ela? Este erro, baseado no uso da palavra “subsiste” pelo Vaticano II, é anunciado aos quatro ventos pelo Padre Avery Dulles, recentemente feito Cardeal pelo Papa João Paulo II:
Da mesma maneira, o Cardeal Ratzinger adopta mais uma vez as ideias da “nova teologia”. Numa entrevista ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung, disse o seguinte:
O Cardeal Ratzinger afirma, pois, que os Padres Conciliares pretendiam dizer que o “ser” da Igreja é mais amplo do que a Igreja Católica, mas esta afirmação é falsa. A generalidade dos Padres Conciliares não tinha intenção de contrariar os ensinamentos do Papa Pio XII, segundo os quais a Igreja de Cristo é a Igreja Católica, e não uma vaga “entidade” que é “mais ampla” do que a Igreja Católica. Na verdade, foi a intenção de Ratzinger usar a ambiguidade para enfraquecer insidiosamente o ensino tradicional de que a única Igreja de Cristo é a Igreja Católica - intenção esta que partilhou com os seus co-conspiradores da “nova teologia” no Vaticano II. Sabemos isto porque foi o próprio Padre Ratzinger, servindo como peritus teológico no Concílio, que introduziu a palavra “subsistit” (subsiste) no rascunho do documento conciliar Lumen Gentium. Inseriu este termo por sugestão de um ministro protestante, o Pastor Schmidt, da Alemanha. Se o leitor acha que a explicação dada pelo Cardeal Ratzinger para o uso do termo “subsistit” é confusa, saiba que foi de propósito. “Subsiste” e “é” podem, contudo, significar a mesma coisa, ao contrário do que Cardeal Ratzinger sugere. Pela necessidade de precisão que deve caracterizar qualquer documento conciliar, o Concílio deveria ter afirmado claramente que «A Igreja de Cristo subsiste só na Igreja Católica.» Mas, como admitiu o Padre Edward Schillebeeckx, outro peritus do Concílio, os seus confrades liberais tinham inserido deliberadamente ambiguidades nos textos conciliares54, sabendo que poderiam mais tarde interpretá-los de forma heterodoxa depois do Concílio. Isto é precisamente o que o Cardeal Ratzinger faz agora com o termo ambíguo “subsistit” (subsiste). Com efeito, o texto original em alemão da entrevista ao Frankfurter Allgemeine Zeitung acima citada mostra que Ratzinger ainda é mais radical no seu afastamento dos ensinamentos do Papa Pio XII: «... die Konzilsväter das von Pius XII gebrauchte Wort ‘ist’ durch ‘subsistit’ ersetzten» - literalmente, «... os Padres Conciliares substituíram a palavra ‘é’, usada por Pio XII, por ‘subsistit’». Isto é, o Cardeal Ratzinger admite que o Vaticano II substituiu a terminologia do Pio XII - graças ao próprio Cardeal Ratzinger e ao seu amigo ministro protestante! Ainda pior, lê-se ainda no texto original da entrevista: “So wollten die Väter sagen: Das Sein der Kirche als solches reicht viel weiter als die römisch-katholische Kirche” - literalmente, “Assim, os Padres queriam dizer: a Igreja como entidade abrange muito mais do que a Igreja Católica Romana”55. Portanto, Dulles e Ratzinger contradizem terminantemente o ensinamento católico perene de que a Igreja de Cristo existe exclusivamente na Igreja Católica. Apesar disso, o seu ponto de vista é hoje a interpretação comum do Vaticano II. Temos aqui um bom exemplo de como os “novos teólogos” do Vaticano II passaram a bola teológica para eles próprios, fingindo ao mesmo tempo que foi o “Concílio” que fez o passe. A Igreja já não procura a Com esta nova visão da “Igreja de Cristo” como qualquer coisa muito maior do que a Igreja Católica Romana, não admira que hoje, depois de 40 anos de “actividade ecuménica”, até os prelados do Vaticano repudiem abertamente o regresso dos protestantes e cismáticos a Roma. Um exemplo proeminente deste afastamento do ensino tradicional é a declaração recente do Cardeal Walter Kasper, antigo secretário do mais conhecido herege post-conciliar na Igreja, Hans Küng. Kasper, cujas ideias modernistas são bem conhecidas em toda a Igreja, foi elevado a Cardeal pelo Papa João Paulo II em Fevereiro de 2001, e actualmente é, no Vaticano, Prefeito do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos. Disse Kasper:
A verdade é que a declaração de Kasper menospreza o dogma infalível, três vezes definido, de que «fora da Igreja não há salvação» (extra ecclesia nulla salus). A própria linguagem destas três definições solenes e infalíveis (e, portanto, impossíveis de serem mudadas)57, que são impostas a todos os Católicos58 (sem excepção alguma, incluindo Cardeais e Papas) sob pena de serem automaticamente excomungados (isto é: de serem, por si próprios, expulsos da Igreja Católica) é o seguinte:
Este ensinamento não deve entender-se como excluindo a possibilidade de salvação àqueles que não sejam membros formais da Igreja Católica, se, sem culpa própria, não sabem da sua obrigação objectiva em o fazer. Mesmo assim, tal como o Bem-Aventurado Papa Pio IX ensinou em Singulari Quadem, os Católicos não têm que se preocupar com especulações infundadas sobre a salvação daqueles que, formalmente, não sejam membros da Igreja, uma vez que só Deus sabe quem se irá salvar (de algum modo extraordinário), de entre o grande número de pessoas que, da Humanidade, não professou exteriormente a religião católica. Por esta razão, o Bem-Aventurado Pio IX - que o próprio Papa João Paulo II beatificou - exortou os Fiéis a sustentarem o dogma de que «fora da Igreja Católica não há salvação» e a continuarem, com um fervor cada vez maior, o trabalho divinamente indicado para a Igreja: fazer discípulos em todas as nações. Com respeito ao destino daqueles que permanecerem fora da Igreja visível, Sua Santidade advertiu que «toda a inquirição além disto é ilegal». Quem pode duvidar da sabedoria da advertência do Bem-Aventurado Papa Pio IX? Com efeito, a Igreja também ensinava como infalível, e constantemente, que ninguém neste Mundo (excepto se houve uma revelação privada) pode saber com certeza absoluta o estado subjectivo de qualquer alma, e muito menos se uma alma — mesmo que seja a sua própria alma — está contada entre o número dos eleitos. Uma vez que não é possível, para a Igreja, presumir que qualquer pessoa venha a ser salva ou condenada, os ministros da Igreja são obrigados pelo dever a procurarem obter a conversão de cada um dos homens, mulheres e crianças à face da terra, de acordo com os Mandamentos de Nosso Senhor: «Ide, pois, ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; ensinando-as a cumprir tudo quanto vos tenho mandado» (Mt. 28:19-20); «Quem acreditar e for baptizado será salvo, mas quem não acreditar será condenado.» (Mc. 16:16). Ao afirmar que os Protestantes já não necessitam de se converter ao Catolicismo, o Cardeal Kasper opõe-se descaradamente tanto ao ensino infalível do Magistério como aos próprios Mandamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo. O ponto de vista de Kasper também contradiz abertamente o ensino constante da Igreja de que a única via para a unidade dos cristãos é o regresso dos dissidentes à Igreja Católica através da sua conversão. Na admoestação que o Papa Pio XII fez em 1949 ao Santo Ofício sobre o “movimento ecuménico”, os Bispos eram avisados que, em quaisquer discussões “ecuménicas” que porventura autorizassem, deviam apresentar-se aos interlocutores protestantes “a verdade católica” e “os ensinamentos das Encíclicas dos Pontífices Romanos sobre o regresso dos dissidentes à Igreja”59. A doutrina católica do regresso dos dissidentes foi salientada pelo Pio XII em 20 de Dezembro de 1949: «A doutrina católica deverá ser proposta e total e integralmente exposta: o que a Igreja Católica ensina sobre a verdadeira natureza e meios de justificação, sobre a constituição da Igreja, sobre a primazia da jurisdição do Romano Pontífice, sobre a única união verdadeira que se obtém pelo regresso dos dissidentes à única e verdadeira Igreja de Cristo, não deve ser silenciada nem coberta por palavras ambíguas»60. Pelo menos, Kasper diz abertamente aquilo em que a maioria dos prelados parece hoje acreditar, mas não o confirma nem desmente. Mas o plano de acção de Kasper representa, de facto, o “espírito do Vaticano II” que prevalece. Quem o confirmou foi o Cardeal Ratzinger em pessoa, quando ainda era o Padre Ratzinger. No seu livro de 1966 Theological Highlights of Vatican II, diz Ratzinger que o Concílio deu à Igreja uma nova orientação com respeito aos não-Católicos, que dispensa qualquer apelo à sua conversão:
Ora, o Cardeal Ratzinger escreveu este livro durante o Concílio. Como trabalhava com Karl Rahner, esteve muito envolvido na redacção dos documentos conciliares. É, portanto, capaz de nos contar quais eram as verdadeiras intenções dos “arquitectos” do Vaticano II, o que não se deve confundir com as intenções dos próprios Padres Conciliares. E declara que o Vaticano II, segundo os autores dos documentos, ensinou que a conversão é uma opção62. O que quer dizer que um não-Católico não precisa de se converter à verdadeira Igreja - nem para se salvar nem por causa da unidade. Este ponto de vista não é menos radical do que o do Padre Edward Schillebeeckx, outro peritus conciliar progressista, que foi investigado pelo Vaticano depois do Concílio (mas nunca sancionado) pela sua negação aberta de vários dogmas católicos. Schillebeeckx exultou ao constatar que «no Vaticano II, a Igreja Católica abandonou oficialmente o seu monopólio sobre a religião cristã»63. Da mesma maneira, um periódico “católico” do Serviço Internacional de Documentação de Judeus e Cristãos (SIDIC)64, com base em Roma, referiu-se à nova orientação do Vaticano II sobre os não-Católicos. Em 1999 apontou o que considera ser o “principal problema” com os chamados “Católicos tradicionais”, incluindo o Arcebispo Lefebvre:
A teoria moderna de que os não-Católicos não precisam de se converter porque já são “de uma maneira misteriosa” parte da Igreja de Cristo66 menospreza o ensino perene da Igreja sobre a necessidade de os não-Católicos abandonarem os seus erros e regressarem à única e verdadeira Igreja de Jesus Cristo, tal como os Papas pré-conciliares ensinaram por unanimidade. Há relatórios de casos em que Cardeais do Vaticano desencorajam activamente os não-Católicos de quererem converter-se ao Catolicismo concordando, evidentemente, com esta mesma interpretação falsa do Concílio. O Catholic Family News publicou a história do Padre Linus Dragu Popian, que tinha crescido sob a influência da Igreja Ortodoxa romena. Em 1975 arriscou a vida para deixar a Roménia comunista e apresentou-se como seminarista ao Vaticano, exprimindo o seu desejo de se converter ao Catolicismo. O então Secretário de Estado, Cardeal Villot, e outros Cardeais do Vaticano ficaram horrorizados. Disseram ao jovem Popian que ele não devia fugir ao Comunismo, nem devia converter-se ao Catolicismo, o que prejudicaria as relações do Vaticano com a Roménia comunista e com a Igreja Ortodoxa romena67. Poucas coisas mudaram em Roma desde então. O Bispo Fellay, da Sociedade de S. Pio X, contou numa entrevista recente que encontrara um Bispo cismático (ortodoxo) que desejava converter-se à Igreja Católica. O Bispo Fellay aconselhou-o a tratar directamente com Roma. Quando o Bispo ortodoxo comunicou ao Vaticano que queria fazer-se católico, «entrou-se em pânico. No dia seguinte, o Cardeal Neves, Prefeito da Congregação dos Bispos, disse ao Bispo cismático: “Excelência, não é necessário converter-se. Desde o Concílio que as coisas mudaram! As conversões já não são precisas”»68. Esta recusa deliberada em permitir que um Bispo ortodoxo, cismático, voltasse a Roma está completamente de acordo com a Declaração de Balamand de 1993, negociada entre certos funcionários do Vaticano e várias igrejas ortodoxas. Neste documento, o representante do Vaticano (o Cardeal Cassidy, do Conselho Pontifício para a “Unidade dos Cristãos”) chegou a concordar com a situação; devido a “perspectivas radicalmente alteradas, e com elas as atitudes”, fruto das manobras do Vaticano II, a Igreja Católica treinará novos Sacerdotes «para abrir caminho às futuras relações entre as duas Igrejas, passando além da eclesiologia ultrapassada do regresso à Igreja Católica»69. A noção de que pode ficar “ultrapassado” o ensinamento constante do Magistério sobre o regresso dos dissidentes (hereges e cismáticos) à única Igreja verdadeira como único meio da autêntica unidade dos Cristãos é herética, uma vez que nega rotundamente não só o ensinamento da Igreja quanto ao retorno dos dissidentes, mas também o dogma infalivelmente definido de que fora da Igreja Católica não há salvação. O abandono do ensino tradicional da Igreja nesta área não representa “caridade” para com os irmãos separados; representa, sim, a negação do dever que a Igreja tem de os esclarecer com a verdade. Uma vez mais, o resultado não é nenhum benefício para os não-Católicos, mas antes uma Igreja enfraquecida, cheia de escândalos, que dificilmente é capaz de servir de fermento à sociedade, o que é a Sua missão. Quanto à Igreja, sendo uma instituição tanto divina como humana, será - sem qualquer dúvida - restaurada até atingir o Seu antigo vigor, tal como aconteceu no passado, depois de outras crises; mas - sem qualquer dúvida, também - a Igreja e o Mundo estarão sujeitos a grandes sofrimentos até que acabe esta crise de Fé. O Reinado Social de Cristo foi abandonado Em consequência da nova orientação da Igreja, em curso desde o Vaticano II, houve um abandono de facto dos ensinamentos constantes da Igreja sobre o Reinado Social de Cristo. Segundo estes ensinamentos, não só os indivíduos como também todas as nações são obrigados a submeter-se a Cristo e conformar-se com o Seu ensino. Serão os ensinamentos de Cristo, e não o “diálogo” com os não-crentes, que trarão a paz ao mundo; é a Sua Igreja que deve servir como o instrumento principal da paz mundial. O Papa Pio XI resumiu com uma concisão admirável a doutrina constante da Igreja sobre este tema na sua encíclica Ubi Arcano Dei:
Falando dos esforços para obter a paz mundial através de uma Liga de Nações, o Papa Pio XI declarou: Neste intuito muitos esforços foram até aqui tentados, mas nada ou quase nada lograram de êxito, principalmente com referência aos pontos em que são mais vivas as divergências internacionais. — E' que não há instituição humana capaz de impor a todas as nações uma espécie de Código Internacional adaptado à nossa época, análogo ao que regia na Idade Média esta verdadeira Liga das Nações que se chamava a cristandade. Ela também viu se cometerem muitas injustiças, mas ao menos conseguiu sempre conservar inconteste o valor sagrado do direito, regra segura segundo a qual tinham as nações de prestar suas contas71. Para reforçar esta doutrina, o Papa Pio XI instituiu a Festa de Cristo Rei com a sua encíclica Quas Primas:
A “Civilização do Amor” Todavia, depois do Vaticano II o Reinado Social de Cristo foi substituído por uma coisa chamada “civilização do amor” - uma expressão inventada pelo Papa Paulo VI para descrever a noção utópica de que o “diálogo com o mundo” levaria a uma fraternidade universal de religiões que não seria, de modo algum, explicitamente cristã. Desde então, o slogan da “civilização do amor” tem sido incessantemente repetido. Foi assim que o Papa João Paulo II descreveu esta novidade no seu discurso para o Dia Mundial da Paz de 2001:
Até o João Paulo II foi levado a pensar que os encontros inter-religiosos de oração, tais como os de Assis em 1986 e 2002, são parte dos meios pelos quais se supõe que esta noção utópica virá a ser realizada. Todavia, uma visão de tais espectáculos chegaria para horrorizar o Papa Pio XI e qualquer dos seus antecessores. Entretanto, o Reinado Social de Cristo numa ordem social católica está excluído de facto da nova orientação. É evidente que a nova orientação “ecuménica” e “inter-religiosa” da Igreja não pode de maneira alguma ser reconciliada com a Mensagem de Fátima, o que explica que, desde o Vaticano II, se tenha feito um esforço para “rever” a Mensagem de acordo com a nova orientação, ou mesmo enterrá-la por completo. Os Católicos são obrigados Os Católicos são obrigados a submeterem-se ao ensino estabelecido pela Igreja quanto à Fé e à Moral; mas não são obrigados a submeterem-se às novas atitudes e às novas orientações de homens da Igreja liberais que, agora, dizem e fazem coisas que nunca se ouviram nem viram ao longo da História da Igreja. Portanto, os Católicos têm o direito, e até o dever, de resistir a esta nova orientação, nascida das ambiguidades do Concílio e das opiniões da “nova teologia”, que divergem do Magistério perene e infalível. Há anos que os Católicos têm a falsa ideia de que devem aceitar o Concílio pastoral do Vaticano II com o mesmo assentimento de fé que devem aos Concílios dogmáticos. Mas isto não é assim. Os Padres Conciliares referiram-se várias vezes ao Vaticano II como sendo um Concílio pastoral, querendo dizer que se tratava de um Concílio que não curou de definir a Fé, mas se preocupou antes em tomar medidas no âmbito de um critério prático e prudente - como a introdução da “aventura ecuménica”. O documento definidor do Concílio, a Nota Prévia (Nota Praevia em latim) à Lumen Gentium, diz isto claramente: “Em vista da prática conciliar e da finalidade pastoral do presente Concílio, o sagrado Sínodo define assuntos da fé e da moral como de aceitação obrigatória por parte da Igreja apenas quando o próprio Sínodo o declara abertamente”74. Ora não foram definidos assuntos de fé ou de moral “de aceitação obrigatória por parte da Igreja” sobre a nova “orientação ecuménica”, nem sobre qualquer das novas formulações “pastorais”, na linguagem dos documentos conciliares. O facto de o Vaticano II ser inferior em autoridade a um concílio dogmático é confirmado pelo testemunho do Bispo Thomas Morris, um Padre Conciliar. A seu pedido, esta declaração só foi aberta após a sua morte:
Temos ainda o testemunho importante do Secretário do Concílio, o Arcebispo (mais tarde Cardeal) Pericle Felici. Por altura do encerramento do Vaticano II, os Bispos pediram ao Arcebispo Felici aquilo a que os teólogos chamam a “nota teológica” do Concílio - por outras palavras, o “peso” doutrinal dos seus ensinamentos. Felici respondeu:
E disse mais:
O próprio Paulo VI observou que, “Dado o carácter pastoral do Concílio, evitou pronunciar-se de maneira extraordinária sobre dogmas dotados da nota de infalibilidade”78. Assim, ao contrário de um Concílio dogmático, o Vaticano II não exige um acordo de fé inqualificado. Os documentos verbosos e ambíguos do Concílio não se podem comparar aos pronunciamentos doutrinais dos Concílios passados. As novidades do Vaticano II não exigem aceitação incondicional da parte dos fiéis, nem o próprio Concílio alguma vez o disse. Todavia, os ensinamentos ambíguos do Concílio e a nova orientação postconciliar da Igreja deram como resultado nada menos do que aquilo a que o próprio Cardeal Ratzinger chamou a “demolição dos bastiões” da Igreja - incluindo, como veremos, a demolição da Mensagem de Fátima. Como iremos agora demonstrar, este empreendimento destrutivo concretizou, em linhas gerais, os sonhos dos inimigos da Igreja, e cumpriu os avisos proféticos da Mensagem de Fátima, como o Papa Pio XII deu a entender.
Notas 1. Pode encontrar-se uma descrição completa desta história fascinante em The Whole Truth About Fatima, Vol. III, pelo Frère Michel de la Sainte Trinité, pp. 257-304. 2. Ibid., p. 298. 3. Visconde Léon de Poncins, Freemasonry and the Vatican (Christian Book Club, Palmdale, Califórnia, 1968), p. 14. 4. L. Bouyer, Don Lambert Beauduin, a Man of the Church, Casterman, 1964, pp. 180-181; citado pelo Padre Dilder Bonneterre em The Liturgical Movement, Ed. Fideliter, 1980, p. 119. 5. O Padre Aparício, Sacerdote jesuíta, foi o confessor e director espiritual da Irmã Lúcia de 1926 a 1938, altura em que foi enviado para o Brasil como missionário, mas correspondeu-se com a Irmã Lúcia durante vários anos. Em 1950 voltou a Portugal por algum tempo e visitou a Irmã Lúcia, em 1950 e 1951, sem quaisquer dificuldades. O Padre Aparício declarou que em Agosto de 1960, durante uma visita de um mês a Portugal, não teve licença para falar com a Irmã Lúcia: “Não consegui falar com a Irmã Lúcia porque o Arcebispo não podia dar-me autorização para a visitar. As condições de isolamento em que ela se encontra foram impostas pela Santa Sé. Consequentemente, ninguém pode falar com ela sem licença de Roma. O Arcebispo tem um número muito limitado dessas licenças” (Fatima: Tragedy and Triumph, Immaculate Heart Publications, 1994, pp. 33-34). A situação não mudou desde então. Em 16 de Janeiro de 1983, o Padre Joseph de Sainte-Marie, O.C. escreveu ao ilustre leigo católico Hamish Fraser nos seguintes termos: “Além disso, recordo-lhe - ela própria (a Irmã Lúcia) lembrou-me recentemente, num pedido que lhe enviei - que a Irmã Lúcia não pode falar com ninguém sobre o assunto das aparições sem a permissão expressa da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé ou do próprio Santo Padre” (The Fatima Crusader, Nº 13-14, p. 13). E em 19 de Março de 1983 a Irmã Lúcia disse ao Núncio Papal em Portugal, o Reverendíssimo Sante Portalupi, que ela não tinha anteriormente tido oportunidade de fazer um comentário sobre a inexactidão da cerimónia de consagração de 1982 (consagração do mundo, e não da Rússia), porque a Santa Sé não lhe dera autorização para falar: “A Consagração da Rússia não foi feita como Nossa Senhora pediu. Não pude dizê-lo (antes) porque não tive autorização da Santa Sé” ( Ibid., p. 3, e The Fatima Crusader, Nº 16, Set.-Out. 1984, p. 22ff, reproduzindo o artigo do Padre Pierre Caillon em Fidelité Catholique, impresso pela primeira vez em 1983). Em 19 de Fevereiro de 1990, Monsenhor A. Duarte de Almeida, capelão do Carmelo de Coimbra, declarou o seguinte: “para visitar a Irmã Lúcia, é necessário obter autorização do Cardeal Ratzinger” (cit, por David Boyce, “Fatima Inquest - August 1990”, in The Fatima Crusader, Nº 35, Inverno 1990-1991, p. 13). À data da alegada “entrevista” da Irmã Lúcia por Mons. Bertone, a 17 de Novembro de 2001, admitia este Arcebispo (no seu comunicado sobre a entrevista) ter sido a mesma conduzida com o consentimento do Cardeal Ratzinger. Portanto, até há pouquíssimo tempo (até 2001), mesmo um alto prelado do Vaticano necessitava da autorização da Santa Sé para falar com a Irmã Lúcia. 6. Cf. Jean Madiran, “The Vatican-Moscow Agreement”, in The Fatima Crusader, Nº 16. Setembro-Outubro 1984, p. 5; e também os artigos nas pp. 4, 7 e 11 de The Fatima Crusader, Nº 17, Fevereiro-Abril 1985. Veja-se também Átila Sinke Guimarães, “The Metz Pact”, Catholic Family News, Setembro de 2001. 7. Papa Pio XI, Divini Redemptoris, Encíclica sobre o Comunismo Ateu, 19 de Março de 1937. Cf. também a citação nas pp. 63-64 referida na nota 42 deste capítulo. 8. Encontra-se uma descrição mais completa deste assunto em The Rhine flows into the Tiber do Padre Ralph Wiltgen (New York: Hawthorne, 1967; TAN, 1985), pp. 272-278. 9. Por exemplo, The Rhine flows into the Tiber do Padre Ralph Wiltgen, Pope John's Council de Michael Davies (Kansas City, Missouri: Angelus Press); e até em Vatican II Revisited (ver a nota seguinte), que canta louvores à reforma. 10. Reverendíssimo Aloysius Wycislo S.J., Vatican II Revisited. Reflections By One Who Was There (Staten Island, New York: Alba House), p. x. 11. Ibid., p. 33. 12. Ibid., p. 27. 13. The Wanderer, 31 de Agosto de 1967, p. 7. 14. Council Daybook, Vol. I (Washington, D.C.: National Catholic Welfare Conference), pp. 25, 27. 15. Vatican II Revisited. Reflections By One Who Was There, pp. 27-34. 16. Bispo Graber, Athanasius and the Church of Our Time, p. 54. 17. Átila Sinke Guimarães, Animus Delendi (The Desire to Destroy) (Los Angeles, California: Tradition in Action, 2001), p. 128. Seria mais exacto dizer Animus Delendi - I, (por ser o primeiro de dois volumes com este título). 18. Ibid. 19. “Vida vital” parece ser um termo que substitui a “iminência vital” condenada na encíclica Pascendi, do Papa Pio X, contra o modernismo. Cf. a p. 8 da tradução inglesa, publicada pela Newman Press. 20. David Greenstock, “Thomism and the New Theology”, The Thomist (Outubro de 1950). Vale a pena ler todo o artigo, se se quiser compreender bem a natureza errónea da “Nova Teologia”. 21. Publicado no Angelicum de 1946. A primeira tradução inglesa, “Where is the New Theology taking us?”, apareceu em Catholic Family News de Agosto de 1997. 22. Animus Delendi - I, p. 129. 23. Ibid., pp. 146-149. 24. Estas observações são do livro de Monsenhor Kelly The Battle for the American Church, cit. por John Vennari em “Vatican praises purveyor of heresy”, The Fatima Crusader, Primavera-Verão 1998. 25. Ibid. 26. Cit. de Guimarães, Animus Delendi - I, p. 60. 27. Ibid., p. 61. 28. Ibid., p. 59. 29. Ibid., p. 62. 30. Vaticano I, Sessão III, Cap. IV, Fé e Razão. 31. Cit. da Open Letter to Confused Catholics, pp. 88-89. 32. Yves Marsaudon, Oecuménisme vu par um Maçon de tradition, pp. 119-120. 33. Cit. da Open Letter to Confused Catholics, pp. 88-89. 34. Ibid., p. 100. 35. Bispo Graber, Athanasius and the Church of Our Time, p. 64. 36. Arcebispo Marcel Lefebvre, They Have Uncrowned Him (Kansas City, Missouri: Angelus Press, 1988), p. 229. Aqui o autor nota também que o jornal comunista Izvestiya exigiu que o Papa Paulo VI o condenasse, assim como ao seu seminário em Ecône. 37. Ficou registada a declaração dos periti progressistas no Concílio: “Exprimi-lo-emos de forma diplomática, mas depois do Concílio tiraremos as conclusões nele implícitas” (no livro do Padre Ralph Wiltgen, The Rhine flows into the Tiber, p. 242). 38. O Arcebispo progressista Annibale Bugnini foi o maior arquitecto da revolução litúrgica que culminou na Nova Missa (Novus Ordo). Acabou por ser afastado do Vaticano e colocado no Irão, porque mostraram ao Papa Paulo VI documentos que demonstravam que Bugnini era maçon. Michael Davies dedica um capítulo inteiro (o Cap. 24) ao Arcebispo Bugnini em Pope Paul's New Mass (Kansas City, Missouri: Angelus Press, 1992). 39. Cardeal Joseph Ratzinger, Principles of Catholic Theology (San Francisco, California: Ignatius Press, 1987), p. 334. 40. Discurso ao Lombard College, 7 de Dezembro de 1968. 41. Discurso de 30 de Junho de 1972. 42. Papa Pio XI, Divini Redemptoris, Encíclica sobre o Comunismo ateu, 19 de Março de 1937. (ênfase acrescentada) 43. Yves Congar, O. P., “Le Concile au jour le jour, deuxième session” (“O Concílio dia a dia, segunda sessão”) (Paris: Cerf, 1964), p. 115. 44. Bem vistas as coisas, não pode haver um “Contra-Syllabus”, porque o Syllabus que o Bem-Aventurado Papa Pio IX publicou em 1864 é claramente um ensinamento solene e definitivo, que todos os Católicos devem aceitar (Can. 750 §2). Na encíclica Quanta Cura, publicada com o Syllabus em 8 de Dezembro de 1864, o Bem-Aventurado Pio IX escreveu solenemente: «No meio de tão grande multiplicidade de opiniões perversas, lembrando-nos do nosso apostolico cargo, e cheios de solicitude pela nossa santissima religiõn, pela sua santa doutrina e pela salvação das almas, que nos foi divinamente confiada, julgamos dever levantar a nossa voz apostolica. E porque, em virtude da nossa authoridade apostolica, reprovamos, proscrevemos e condemnamos todas as opiniões e doutrinas perversas mencionadas n'esta carta encyclica, e cada uma em particular, queremos e mandamos que sejam tidas como reprovadas, proscriptas e condemnadas por todos os filhos da igreja catholica.»” (itálicos nossos) (Esta tradução portuguesa foi da versão oficial da Igreja Católica proveniente do Latim original) 45. Yves Congar, La crise de l'Église et Msgr. Lefebvre (Paris: Cerf, 1977), p. 54. 46. Citado da Open Letter to Confused Catholics, p. 100. 47. Cardeal Joseph Ratzinger, Principles of Catholic Theology, pp. 381-382. (ênfase acrescentada) 48. Ibid., p. 191. 49. L'Osservatore Romano, edição semanal em inglês, 2 de Julho de 1990, p. 5. 50. Ibid. 51. Na encíclica Mystici Corporis, de 1943, o Papa Pio XII ensinou que “esta verdadeira Igreja de Cristo... é a Santa, Católica, Apostólica Igreja Romana”. Isto significa claramente que a Igreja de Cristo não se compõe da Igreja Católica e das outras denominações “cristãs”. Pio XII reafirmou esta doutrina em 1950, na sua encíclica Humani Generis: “O Corpo Místico de Cristo e a Igreja Católica Romana são uma e a mesma coisa.” (esta segunda citação é tradução nossa) 52. Citado de Vatican II, the Work That Needs to Be Done, editado por David Tracy com Hans Küng e Johann Metz (New York: Concilium, Seabury Press, 1978), p. 91. (ênfase acrescentada) 53. L'Osservatore Romano, edição italiana, 8 de Outubro de 2000, p. 4: “Quando i Padri conciliari sostituirono la parola ‘è’ con la parola ‘subsistit’ lo fecerano con un scopo ben preciso. Il concetto espresso da ‘è’ (essere) è più ampio di quello espresso da ‘sussistere’. ‘Sussistere’è un modo ben preciso di essere, ossia essere come soggeto che esiste in sè. I Padri conciliari dunque intendevano dire che l'essere della Chiesa in quanto tale è un'entità più ampia della Chiesa cattolica romana”. 54. Cf. as declarações do Padre Schillebeeckx na revista holandesa De Bauzuin, Nº 16, 1965, citadas em tradução francesa em Itinéraires, Nº 155, 1971, p. 40. 55. Frankfurter Allgemeine Zeitung, 22 de Setembro de 2000; tradução italiana em L'Osservatore Romano, 8 de Outubro de 2000. 56. Adista, 26 de Fevereiro de 2001; tradução inglesa citada de “Where Have They Hidden the Body?” pelo Dr. Christopher Ferrara, The Remnant, 30 de Junho de 2001. 57. «Com a aprovação do santo concílio, ensinamos e definimos como dogma divinamente revelado: que o Romano Pontífice, quando fala ex cathedra - isto é, quando, na qualidade de Pastor e mestre de todos os Cristãos, define, por virtude da sua autoridade apostólica suprema, qualquer doutrina que diga respeito à Fé ou à moral e que deve ser sustentada pela Igreja universal -, possui, por meio da assistência divina que lhe foi prometida na pessoa de S. Pedro, a infalibilidade com que o divino Redentor quis que a Sua Igreja fosse dotada ao definir doutrina respeitante à Fé ou à moral; e que, portanto, tais definições do Romano Pontífice não são passíveis de serem reformadas devido à sua própria natureza, não por causa da concordância da Igreja.» (D.S. 1839) (tradução nossa) 58. «Mas se alguém presume contradizer esta nossa definição (Deus não permita que alguém o faça): seja excomungado.» (D.S. 1840) (tradução nossa) 58a Os três pronunciamentos ex cathedra eram, no seu Latim original: 59. Acta Apostolicae Sedis (AAS) 42-142. 60. Pio XII, Instrução do Santo Oficio, Ecclesia Catholica, 20 de Dezembro de 1949, “Sobre o Movimento Ecuménico”. 61. (Ênfase acrescentado) Padre Joseph Ratzinger, Theological Highlights of Vatican II (New York: Paulist Press, 1966), p. 65-66. Esta secção do livro sublinha o fundamento deliberadamente ecuménico em que se baseia o documento conciliar Lumen Gentium. Para uma discussão mais completa do livro do Padre Ratzinger, veja-se “Vatican II vs. the Unity Willed by Christ,” por John Vennari, Catholic Family News, Dez. de 2000. 62. Mesmo que o Cardeal Ratzinger mudasse por completo os seus pontos de vista pessoais e adoptasse uma posição mais ortodoxa, os textos do Concílio continuariam a ser ambíguos, imprecisos, e aparentemente orientados para um ecumenismo heterodoxo que não procura converter os não-Católicos ao Catolicismo. 63. E. Schillebeeckx, O.P., Igreja ou Igrejas? , in V. A., Cinco problemas que desafiam a Igreja hoje, pp. 26f. Citado de In the Murky Waters of Vatican II de Átila Sinke Guimarães (Metairie, Louisiana: Maeta, 1997), p. 243. 64. O SIDIC é uma associação que se identifica como católica, que foi “fundada em Roma em 1965 a pedido de um grupo de peritos do Concílio Vaticano II, na sequência da promulgação da Nostra Aetate”, para promover o “diálogo” entre Católicos e judeus. O SIDIC tem a sua sede em Roma e representantes locais nos seguintes países: Austrália, Bélgica, Canadá, Estados Unidos, França, Holanda, Inglaterra, Israel, e Itália. Nostra Aetate, documento proveniente do Concílio, é a “Declaração sobre a relação da Igreja com as religiões não-cristãs”. 65. Service International de Documentation Judéo-Chrétienne, (SIDIC) Roma [edição inglesa em Washington, D.C.], Vol. XXXII, Nº 3, 1999, p. 22. 66. A ambiguidade verbal usada pelo Vaticano II para fazer vigar esta noção falsa encontra-se em Lumen Gentium 8, onde se lê que “A Igreja de Cristo subsiste na Igreja Católica”, ao contrário da definição do Papa Pio XII, segundo a qual a Igreja de Cristo é a Igreja Católica (encíclica Mystici Corporis). Vejam-se a discussão anterior e as notas a este capítulo sobre a origem e efeito desta ambiguidade, admitidas pelo Cardeal Joseph Ratzinger. 67. Para uma sinopse da história do Padre Popian, cf. “Vatican says, Do Not Convert to Catholicism”, por John Vennari, Catholic Family News, Dezembro de 2001. Cf. também “Vatican says, ‘You Must Not Become Catholic!’” de John Vennari, The Fatima Crusader, Nº 69, Inverno de 2002. O testemunho do Padre Popian em cassete áudio em ambos inglês e italiano, intitulada “Vatican's Ostpolitik and Ecumenism Tried to Prevent My Conversion to Catholicism”, pode obter-se no Fatima Center, 17000 State Route 30, Constable, New York 12926, Estados Unidos. 68. “We are a Sign of Contradiction”, entrevista com o Bispo Bernard Fellay, SSPX, revista Latin Mass, Outono de 2001, p. 11. 69. Declaração de Balamand, nn. 13 e 30. A Declaração de Balamand (1993) foi citada com aprovação pelo Papa João Paulo II em Ut Unum Sint, n. 59. 70. Papa Pio XI, Ubi Arcano Dei, Carta Encíclica sobre a Paz de Cristo no Reino de Cristo, 23 de Dezembro de 1922. 71. Ibid. 72. Papa Pio XI, Quas Primas, Encíclica sôbre Cristo-Rei, 11 de Dezembro de 1925. (ênfase acrescentada) 73. Mensagem do Papa João Paulo II para o Dia Mundial da Paz, 1 de Janeiro de 2001. “O diálogo entre as culturas para uma civilização de amor e paz”. 74. Adenda à Lumen Gentium, Nota Explanatória da Comissão Teológica, in Walter M. Abbott, S.J., ed., The Documents of Vatican II (New York: America Press, 1966), pp. 97-98. 75. Testemunho pessoal do Bispo Morris, citado num artigo de Kieron Wood, Catholic World News, 22 de Janeiro de 1997. 76. The Documents of Vatican II, ed. por Walter Abbott, S.J., p. 98. 77. Citado da Open Letter to Confused Catholics, p. 107. 78. Papa Paulo VI, Audiência Geral de 12 de Janeiro de 1966, in Insegnamenti di Paolo VI, Vol. 4, p. 700, citado por Átila Sinke Guimarães, In the Murky Waters of Vatican II (Metairie, Louisiana: Maeta, 1997; TAN, 1999), pp. 111-112.
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