Capítulo 16

Delineando uma acusação formal

     Grande é a calamidade que agora aflige a Santa Igreja e a vastidão do Mundo. Nestes tempos estranhos - tal como nos da Crise Ariana -, o laicado deve meter ombros a fardos que, em épocas normais, não lhe competiriam.

     Como membros do Corpo Místico de Cristo, temos o dever de tomar medidas positivas de oposição a essa crise, de acordo com o nosso estado de vida. Se assim fizermos, não poderemos ser destroçados por esse falso apelo à piedade que nos incita à condescendência, na errónea presunção de que “É Deus Quem cuida da sua Igreja” - falso apelo se com isso se quer significar que o comum dos Católicos nada deve fazer para se opor aos erros e às injustiças praticados por membros da Hierarquia; mas, antes, submeter-se cegamente a qualquer decisão da autoridade, por mais destruidoras que sejam as consequências.

O nosso dever em Justiça e Caridade

     Ora, não é isto o que um Católico deve fazer. Não foi isto o que fizeram os leigos e o Clero fiéis durante a Crise Ariana, e não é isto o que nós devemos fazer hoje. O nosso silêncio e aquiescência em face deste progressivo desastre seria, antes de mais, uma injustiça para com a Igreja e a traição do nosso dever solene de Justiça, decorrente da nossa condição de Católicos confirmados como soldados de Cristo.

     Tal dever de Justiça é, também, obrigação nossa em Caridade para com os nossos irmãos Católicos, incluindo os nossos superiores na Hierarquia. É nosso dever em Caridade para com os nossos superiores opormo-nos àquilo que está a acontecer na Igreja, mesmo se tal oposição implica dar o passo - extremo - de ter de censurar, em público, esses mesmos superiores.

     Como disse São Tomás de Aquino: «se a Fé está em perigo, qualquer súbdito tem o dever de censurar o seu Prelado, mesmo publicamente.» E porque é que será ao mesmo tempo Justiça e Caridade que, nestes casos, um súbdito censure o seu Prelado, mesmo que o faça publicamente? Neste ponto, São Tomás observa que a censura pública a um Prelado «pareceria ter o sabor de um orgulho insolente; mas não há presunção alguma no facto de alguém pensar de um modo melhor sobre determinado assunto, porque nesta vida não há ninguém que não tenha algum defeito. Devemos também lembrar-nos de que, quando uma pessoa censura o seu Prelado inspirada pela Caridade, isso não significa que ela se julgue, porventura, melhor; mas apenas que está a oferecer a sua ajuda a quem, “estando de entre vós em posição mais alta, por isso mesmo se encontra em maior perigo”, como Santo Agostinho observa na sua Regra, supra citada1.» Claro que há também perigo para os nossos irmãos católicos - o perigo mais grave possível -, vindo do actual curso de inovações destrutivas que é seguido por certos membros do aparelho de estado do Vaticano que voltaram as costas não só à Mensagem de Fátima como a todo o passado da Igreja.

     A lição de São Tomás, sobre o dever de censurarmos os nossos superiores sempre que as suas acções ameacem prejudicar a Fé, reflecte o ensinamento unânime dos Santos e dos Doutores da Igreja. Dizia São Roberto Belarmino, Doutor da Igreja, na sua obra sobre o Pontífice Romano, que até o Papa pode ser alvo de censura e de oposição, se for uma ameaça e perigo para a Igreja:

     Do mesmo modo que é lícito opor-se a um Pontífice que agride o corpo, é também lícito opor-se àquele que agride as almas ou perturba a ordem pública ou que, acima de tudo, atenta no sentido da destruição da Igreja. Afirmo que é lícito opor-se-Lhe, não fazendo o que Ele ordena e evitando que a Sua vontade seja executada; já não é lícito, contudo, julgá-lo, puni-lo ou depô-lo, uma vez que tais actos são da competência de um superior2.

     Semelhantemente, o eminente teólogo do séc. XVI, Francisco Suárez (que recebeu do Papa Paulo V a elogiosa designação de Doctor Eximius et Pius, “Doutor Excepcional e Piedoso”) ensinou o seguinte:

     E desta segunda maneira o Papa podia ser cismático, se Ele não quisesse estar em união normal com todo o corpo da Igreja, como seria se Ele quisesse excomungar toda a Igreja ou, como observa tanto Cajetan como Torquemada, se Ele quisesse subverter os ritos da Igreja baseados na Tradição Apostólica. (…) Se [o Papa] der uma ordem contrária aos bons costumes, Ele não deve ser obedecido; se Ele tentar fazer algo manifestamente contrário à Justiça e ao Bem comum, será legítimo resistir-Lhe; se Ele atacar pela força, é pela força que deve ser repelido, [embora] com a moderação apropriada a uma justa defesa3.

     Ora, se até ao Papa se pode, legitimamente, oferecer oposição quando (ou se) toma medidas que iriam fazer mal à Igreja, quanto mais aos Prelados a quem temos o dever de acusar aqui. Muito simplesmente, como disse o Papa São Félix III, «Não se opor ao erro é aprová-lo; e não defender a verdade é suprimi-la.» Os membros do laicado e do baixo Clero não estão isentos desta injunção. Todos os membros da Igreja estão sujeitos a ela.

     Por isso temos um dever: o de falar abertamente. Temos o dever de chamar a atenção do Santo Padre para aquilo que, em consciência, acreditamos ser uma bem fundada acusação aos Prelados mencionados neste livro (e aos seus muitos colaboradores) de terem causado - e estarem na iminência de continuar a causar - um grande mal à Igreja e ao Mundo, com os seus ataques à Mensagem de Fátima. Temos o dever de suplicar ao Santo Padre que repare o crime que, segundo cremos, estes homens cometeram.

     Estamos, pois, a apresentar o caso à sua consideração, leitor, como membro da Santa Igreja Católica. Iremos agora sumariar brevemente aquilo que as provas demonstram, em geral, e o que elas evidenciam, em particular, das acções daqueles que acusámos nesta obra.

     Na generalidade, demonstrámos o seguinte:

     Primeiro: a Mensagem de Fátima é uma verdadeira profecia, autêntica, e de vital importância para a Igreja e o Mundo, nesta época da História humana. A Mensagem foi trazida, em pessoa, pela Mãe de Deus, e autenticada por milagres públicos indiscutíveis e testemunhados por dezenas de milhar de pessoas; foi pronunciada como digna de crédito pela Igreja e recebeu a confirmação de uma série de Papas, incluindo o Papa João Paulo II. Em suma: a Mensagem de Fátima não pode, simplesmente, ser ignorada. Foi Ele próprio quem disse que «a Igreja se sente interpelada por essa Mensagem».

     Segundo: a Mensagem de Fátima apela ao estabelecimento no Mundo da devoção ao Imaculado Coração de Maria - isto é, da Fé Católica - por todo o Mundo. Para esse fim, o próprio Deus decretou as seguintes coisas para o nosso tempo: a Consagração pública e solene da Rússia - específica e unicamente a Rússia - ao Imaculado Coração de Maria, pelo Papa em união com todos os Bispos; a conversão da Rússia ao Catolicismo; e o consequente Triunfo do Imaculado Coração, tanto na Rússia como em toda a parte.

     Terceiro: o Terceiro Segredo de Fátima (na porção ainda por revelar) prediz aquilo que os Católicos vêem à sua volta nos dias de hoje: uma catastrófica perda de Fé e de disciplina na Igreja - heresia, escândalo, apostasia, que atingem quase cada canto do mundo católico. Para além de uma montanha de outras evidências que sobre este ponto apresentámos, há uma delas que, por si só, o prova cabalmente: a frase crucial da Mensagem que os acusados ocultaram e tentaram fazer esquecer de todos: «Em Portugal, se conservará sempre o dogma da Fé etc.» - em Portugal, sim; mas não em outros países, como estamos a ver.

     Quarto: a Irmã Lúcia insistiu para que o Terceiro Segredo fosse tornado público em 1960, porque nesse ano ele seria «mais claro».

     Quinto: em 1960 foi convocado o Concílio Vaticano Segundo. Os homens que governaram a Igreja a partir de 1960 deram ao Seu elemento humano uma orientação inteiramente nova - o que foi feito por meio de uma “abertura ao Mundo”, através da qual o “diálogo” com hereges, cismáticos, comunistas, ateus e outros oponentes da única e verdadeira Igreja substituiu, de facto, a oposição ao erro - que, antes, a Igreja tinha mantido intransigentemente -, assim como a Sua obrigação de transmitir às gerações seguintes a Fé Católica, total e inviolada, como Cristo lhes mandara que fizessem. E, não contentes com ignorar o seu solene dever de conservar e transmitir a Fé, eles perseguiram ainda aqueles que procuravam aderir a esse dever.

     Sexto: já em 1973, o Papa Paulo VI era forçado a admitir: «A abertura ao Mundo transformou-se numa verdadeira invasão da Igreja pelo pensamento mundano» - ou seja, pelo liberalismo. Esta invasão da Igreja pelo liberalismo, e o consequente colapso da Fé e da disciplina no interior da Igreja, constituem o ansiado objectivo da Maçonaria organizada e do Comunismo: não a completa aniquilação da Igreja, que eles sabiam ser impossível, mas a Sua adaptação às ideias liberais. O estado presente da Igreja é, precisamente, o que essas forças haviam audazmente anunciado que iriam conseguir e, precisamente também, aquilo que uma longa linha de Papas pré-conciliares avisara ser o objectivo das suas conspirações.

     Sétimo: em vez de lutarem contra essa nova orientação que adapta a Igreja às ideias liberais, os homens da Igreja pós-conciliar (incluindo aqueles que aqui acusamos) continuaram, inflexivelmente, a segui-la, tomando e implementando decisões em nome do Concílio Vaticano II, o que inclui a Ostpolitik, uma política pela qual muitos membros da Igreja foram forçados a evitar qualquer condenação ou oposição activa aos regimes comunistas; a “iniciativa ecuménica” e o “diálogo inter-religioso” que, de facto, significam o abandono da conversão dos não-Católicos à única e verdadeira religião, e do dogma de que a Igreja Católica é a única Igreja verdadeira, fora da qual não há salvação; a introdução, em documentos conciliares e pós-conciliares, de uma novel terminologia cuja ambiguidade (tal como as fórmulas dos Arianos, no século IV) está a enfraquecer insidiosamente a crença nos dogmas da Fé; uma “reforma” da liturgia sem quaisquer precedentes, que consistiu em abandonar o Rito Latino tradicional; permissão ou tolerância de diversas formas de heteropraxis (práticas condenáveis) - tais como receber a Comunhão na mão, haver raparigas no serviço do altar, retirar o Sacrário do seu lugar no altar, etc. - que destroem a crença na Sagrada Eucaristia e no Sacerdócio sacrificial.

     Oitavo: a Mensagem de Fátima - com o seu simples apelo a uma pública Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria feita pelo Papa e pelos Bispos, a conversão da Rússia ao Catolicismo, e o Triunfo do Imaculado Coração (e, com Ele, da Igreja Católica) por todo o mundo - não pode conciliar-se com a nova orientação da Igreja, na qual a Ostpolitik, o “diálogo ecuménico” e o “diálogo inter-religioso” impedem a Igreja de declarar publicamente que a Rússia deve ser consagrada e convertida à verdadeira religião, para o bem dessa nação e de todo o mundo.

     Nono: os eclesiásticos que implementaram a nova orientação (incluindo os acusados) tentaram “rever” a Mensagem de Fátima para a conformarem àquela nova orientação - o que foi feito insistindo numa “interpretação” da Mensagem que elimina: qualquer consagração da Rússia pelo seu nome (o que eles consideraram uma intolerável ofensa “ecuménica” ou uma “provocação” aos Ortodoxos Russos), qualquer conversão da Rússia à Fé Católica (o que expressamente abandonaram, como uma eclesiologia “ultrapassada”), e qualquer Triunfo do Imaculado Coração de Maria por todo o mundo (o que consideram “triunfalista”, embaraçoso e “não-ecuménico”).

     Décimo: o actual Secretário de Estado do Vaticano, o Cardeal Sodano - que assumiu de facto o controle do governo quotidiano da Igreja, desde a reorganização da Cúria Romana pelo Cardeal Jean Villot (maçom e Secretário de Estado do Papa Paulo VI) - ditou uma Linha Partidária sobre Fátima, segundo a qual a Mensagem de Fátima em geral e o Terceiro Segredo em particular devem ser ‘enterrados’, por via de uma “interpretação” que elimina as profecias de acontecimentos futuros - transformando-as em eventos passados, e reduzindo o seu conteúdo especificamente católico a uma genérica e simples piedade “cristã” que não ofende nem os Ortodoxos Russos nem os Protestantes.

     Décimo primeiro: a Linha do Partido sobre Fátima deste Secretário de Estado foi citada nada menos que quatro vezes no comentário sobre a Mensagem de Fátima e o Terceiro Segredo dado a público pelo Cardeal Ratzinger e por Monsenhor Bertone, a 26 de Junho de 2000.

     Décimo segundo: assim, de acordo com a Linha do Partido sobre Fátima, o Terceiro Segredo foi só parcialmente revelado (se é verdade que aquilo que foi dado a público faz parte dele), e a visão do “Bispo vestido de Branco” a ser executado por soldados no exterior de uma cidade meio em ruínas foi “interpretada” como tendo sido apenas aquele atentado - falhado - há 21 anos, à vida do Papa João Paulo II, por um só assassino.

     Décimo terceiro: essa porção do Terceiro Segredo que contém “as palavras da Santíssima Virgem” (assim referida pelo Vaticano, em 1960) - palavras que, ao que tudo indica, se seguem à frase incompleta «Em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé etc.» -, tem sido retida e negada aos fiéis.

     Décimo quarto: na realidade, o Terceiro Segredo foi revelado na sua essência - não só pelo depoimento de numerosas testemunhas mas até pelo próprio Papa João Paulo II que (em sermões em Fátima) por duas vezes relacionou explicitamente a Mensagem de Fátima com o Livro do Apocalipse e, em particular, com a queda de um terço das estrelas (almas consagradas) do Céu, depois de arrastadas e derrubadas “pela cauda do dragão” (Apoc. 12:3,4) - acontecimento nunca apercebido em citação alguma das duas primeiras partes da Mensagem e, portanto, indubitavelmente percepcionado no Terceiro Segredo.

     Décimo quinto: numa vã tentativa de abafar as legítimas dúvidas levantadas pela Linha do Partido sobre Fátima, o aparelho de estado do Vaticano conduziu uma “entrevista” secreta com a Irmã Lúcia - da qual não há transcrição nem outro registo completo - onde, ao que parece, ela foi essencialmente induzida a “concordar” ter sido ela a inventar aqueles elementos da Mensagem de Fátima que contradizem a Linha do Partido e, ainda, induzida a repudiar (sem a mais leve explicação) o seu testemunho - inalterável durante 60 anos - de que a Consagração da Rússia requer que o nome da Rússia seja explicitado e que nela participem tanto o Papa como os Bispos do Mundo, numa cerimónia pública conjunta.

     Décimo sexto: aqueles que não cederem à nova orientação da Igreja, o que inclui a adesão à Linha do Partido sobre Fátima, estão sujeitos a perseguição e “saneamento”, através de “suspensão”, ameaças de “excomunhão” e outras formas de injusta disciplina, enquanto os que seguem a nova orientação e a Linha do Partido sobre Fátima são deixados em paz ou mesmo recompensados - mesmo no caso de promoverem a heresia, ou se manterem em clara desobediência à Liturgia ou a outras Leis da Igreja, ou cometerem indizíveis escândalos sexuais. Tal como no tempo da Heresia Ariana, vemo-nos perante a mesma situação que São Basílio Magno lamentava: «Só uma ofensa é agora vigorosamente castigada: uma observância estrita às tradições dos nossos Pais. Por causa disto, os piedosos são exilados dos seus países e levados para desertos.»

     Décimo sétimo: como resultado directo deste esforço concertado de rever, obscurecer e enterrar a Mensagem de Fátima em prol da nova orientação - a Rússia, não tendo sido consagrada, não se converteu, mas só se degenerou ainda mais; a Igreja está nos abismos de uma crise sem precedentes, e muitas almas estão em risco de se perderem. É que Nossa Senhora de Fátima disse: «Se fizerem o que Eu disser, salvar-se-ão muitas almas.» E acrescentou ainda: «Vão muitas almas para o Inferno, por não haver quem se sacrifique e peça por elas.» Com respeito à sua própria missão, a Irmã Lúcia disse ao Padre Fuentes a 26 de Dezembro de 1957: «(…) a minha missão não é indicar ao Mundo os castigos materiais que decerto virão sobre a terra, se, antes, o Mundo não fizer oração e penitência. Não. A minha missão é indicar a todos o perigo iminente em que estamos de perder para sempre a nossa alma, se persistirmos em continuar agarrados ao pecado.» Consequentemente, o Mundo está perante a aniquilação de várias nações - que, segundo avisou Nossa Senhora de Fátima, seria o resultado da rejeição dos Seus pedidos.

     Agora, com respeito aos Prelados que nos vemos compelidos a acusar nominalmente diante da Igreja, ficou estabelecido o seguinte mediante provas substanciais:

Quanto ao Cardeal Angelo Sodano

     Primeiro: como Secretário de Estado do Vaticano, o Cardeal Sodano é, em absoluto, a figura de maior poder na Igreja de hoje, dada a reorganização da Cúria romana sob o papado de Paulo VI; assim, e em especial devido ao enfraquecimento da saúde do Sumo Pontífice, o Cardeal Sodano é, de facto, quem governa os assuntos do quotidiano da Igreja.

     Segundo: devido às mesmas reformas curiais do Papa Paulo VI, o Cardeal Sodano está no Vaticano à cabeça de cada dicastério, incluindo a Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) que (quando tinha a designação de Santo Ofício) era formalmente encabeçada pelo Papa.

     Terceiro: foi o Cardeal Sodano quem ditou aquilo a que chamámos a Linha do Partido sobre Fátima, isto é, a falsa ideia de que a Mensagem de Fátima, incluindo o Terceiro Segredo, pertence inteiramente ao passado, e que ninguém deve, pois, continuar a pedir a Consagração da Rússia. Sabemos isto porque:

  • foi o Cardeal Sodano, e não o Papa, quem anunciou ao Mundo, a 13 de Maio de 2000, que o Terceiro Segredo iria ser revelado, mas só depois de um “comentário” - preparado pela CDF - que, como é sabido, lhe está também subordinado;
  • foi a “interpretação” do Terceiro Segredo feita pelo Cardeal Sodano que foi citada, nada menos do que quatro vezes, no comentário A Mensagem de Fátima (AMF) da Congregação para a Doutrina da Fé.

        Quarto: o Cardeal Sodano, na condição de quem governa, de facto, os assuntos do quotidiano da Igreja, reforçou vigorosamente a nova orientação da Igreja no que respeita a Fátima. Sabemos isto porque:

  • foi o Cardeal Sodano que assumiu o controle da “interpretação” do Terceiro Segredo e da sua falsa redução a uma coisa do passado, tal como o resto da Mensagem de Fátima.
  • no dia seguinte à publicação de AMF, o Cardeal Sodano demonstrou de modo incisivo a sua adesão à nova orientação da Igreja convidando a estar presente no Vaticano Mikhail Gorbachev, o ex-ditador soviético pró-aborto, para uma suposta “conferência de imprensa” (não eram permitidas perguntas) durante a qual o Cardeal Sodano, Gorbachev e o Cardeal Silvestrini não fizeram senão cumular de elogios um elemento-chave da nova orientação, desenvolvido pelo predecessor de Sodano, o Cardeal Casaroli: a chamada Ostpolitik - segundo a qual a Igreja “dialoga” com os regimes comunistas em vez de se lhes opor, e mantém um silêncio diplomático face à perseguição da Igreja pelos Comunistas.
  • em 1993, o Cardeal Cassidy, representante do Cardeal Sodano, negociou a Declaração de Balamand que declara que o regresso dos Ortodoxos a Roma representa uma “eclesiologia ultrapassada” - como o seria, então (no dizer do Cardeal Sodano), a conversão da Rússia à Fé Católica, pedida por Nossa Senhora de Fátima.
  • foi o Cardeal Sodano quem superintendeu à perseguição do Padre Nicholas Gruner - talvez o maior divulgador, dentro da Igreja, da autêntica Mensagem de Fátima -, como o demonstram os seguintes factos:

      A “suspensão” não fundamentada do Padre Gruner foi anunciada “por mandado de uma mais alta autoridade” (a designação do Vaticano para o Secretário de Estado), a 12 de Setembro de 2001.
      Documentos denunciando falsamente o Padre Gruner e pressionando Sacerdotes e Bispos a boicotarem as suas conferências de apostolado foram postos a circular por todo o mundo, e durante anos, por Núncios Apostólicos que são “diplomatas” eclesiásticos ligados ao Secretário de Estado.
      A perseguição ao Padre Gruner começou em 1989, com o que o seu Bispo, ao tempo, designou como “sinais preocupantes” do Secretário de Estado do Vaticano.

Quanto ao Cardeal Joseph Ratzinger

        Primeiro: o Cardeal Ratzinger, como chefe da Congregação para a Doutrina da Fé, reiterou em inúmeras ocasiões o seu comprometimento com a nova orientação da Igreja - que ele descreveu como a “demolição de bastiões”, num livro publicado logo que se tornou chefe da CDF.

        Segundo: em concordância com esta “demolição de bastiões”, o Cardeal Ratzinger declarou abertamente que, segundo ele, o Beato Pio IX e São Pio X “viram apenas um dos lados” aquando das Suas solenes e infalíveis condenações do liberalismo, e que os Seus ensinamentos foram “refutados” pelo Concílio Vaticano II. Declarou ainda que a Igreja Católica não mais procuraria converter todos os Protestantes e cismáticos, que Ela não tinha o direito de “absorver” as suas “igrejas e comunidades eclesiais”, antes deveria dar-lhes um lugar numa “unidade na diversidade” - ponto de vista obviamente irreconciliável com a consagração e a conversão da Rússia à Fé Católica. O ponto de vista do Cardeal Ratzinger é, no mínimo, suspeito de heresia.

        Terceiro: um dos “bastiões” que o Cardeal Ratzinger desejava “demolir” era a compreensão tradicional católica da Mensagem de Fátima.

        Quarto: e o Cardeal Ratzinger desejou fazer essa demolição do bastião de Fátima em AMF, comentário que ele publicou.

        Quinto: AMF tenta destruir o autêntico conteúdo católico e profético da Mensagem, servindo-se das seguintes fraudes exegéticas:

  • O Cardeal Ratzinger retirou as palavras “Por fim” da profecia da Santíssima Virgem: «Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará.»
  • O Cardeal Ratzinger cortou também, da profecia de Fátima, as palavras que se seguem imediatamente àquelas: «O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao Mundo um tempo de paz.»
  • Tendo deliberada e fraudulentamente alterado as palavras da Mãe de Deus, o Cardeal Ratzinger declarou que o Triunfo do Imaculado Coração de Maria (predito para o futuro) significava apenas o fiat da Santíssima Virgem, há 2.000 anos, ao consentir ser a Mãe do Redentor;
  • pelo que o Cardeal Ratzinger, deste modo, ignorou propositadamente a profecia da Virgem sobre quatro acontecimentos futuros em torno da Consagração e da conversão da Rússia e, propositadamente também, reduziu-os, todos eles, a um único evento - o Seu fiat, pronunciado no ano 1 a. C.
  • Com respeito à devoção ao Imaculado Coração - que Nossa Senhora de Fátima anunciou que Deus queria estabelecer no Mundo -, o Cardeal Ratzinger teve a desfaçatez de dizer que essa Devoção ao único e Imaculado Coração de Maria nada mais significa do que seguirmos o exemplo de Maria, obtendo para cada um de nós um imaculado coração”, por meio da “unidade interior” com Deus.
  • Com esta “interpretação” grotesca e blasfema, o Cardeal Ratzinger rebaixa a própria Mãe de Deus, para cortar com qualquer ligação entre a Devoção no Mundo ao Imaculado Coração de Maria e o apelo de Nossa Senhora de Fátima para que a Rússia se converta à Religião Católica - ora a conversão desta nação deve preceder a verdadeira devoção ao Imaculado Coração, uma vez que a religião ortodoxa russa não reconhece o dogma da Imaculada Conceição.

        Sexto: o Cardeal Ratzinger sustentou, em AMF, que «devemos supor, como afirma o Cardeal Sodano, que “(…) os acontecimentos a que faz referência a terceira parte do ‘segredo’ de Fátima pareçam pertencer já ao passado”»; e que o Terceiro Segredo culminou com a tentativa falhada de assassinato [do Papa João Paulo II] em 1981.

        Sétimo: ao adoptar a Linha do Partido do Cardeal Sodano acerca do Terceiro Segredo, o Cardeal Ratzinger contradiz, em absoluto, o seu próprio testemunho de 1984 - três anos depois da tentativa de assassínio -, segundo o qual o Terceiro Segredo é uma “profecia religiosa”, referente a «perigos que ameaçam a Fé e a vida do Cristão e, consequentemente, do Mundo» - não tendo dado a entender, de modo algum, nessa ocasião que o Segredo se referia à tentativa de assassinato de 1981 nem a qualquer outro acontecimento passado.

        Oitavo: reforçando a Linha do Partido, o Cardeal Ratzinger, na conferência de imprensa de 26 de Junho de 2000, esforçou-se por criticar o Padre Nicholas Gruner informando a imprensa mundial de que o este Sacerdote “deve submeter-se ao Magistério” e aceitar a alegada consagração do Mundo, de 1984, como uma consagração da Rússia. Isto é: para o Cardeal Ratzinger, o Padre Gruner tem de se submeter à Linha do Partido do Cardeal Sodano. Tal alegação do Cardeal Ratzinger é falsa, por não ter havido nenhum pronunciamento com autoridade do Magisterium: nem do Papa, nem de um Concílio, nem do Magisterium Ordinário e Universal.

        Nono: em suma, o Cardeal Ratzinger, pondo em prática a Linha do Partido, abusou conscientemente da sua posição de chefe da Congregação para a Doutrina da Fé para dar a falsa aparência de peso e validade teológicos a uma vergonhosa “desconstrução” da Mensagem de Fátima - uma atitude tão descarada que até o Los Angeles Times pôs como subtítulo à sua notícia de AMF e da conferência de imprensa de 26 de Junho de 2000 o seguinte:

        «O maior teólogo do Vaticano demoliu, com luva branca, o relato de uma Freira sobre uma sua visão de 1917 que alimentou décadas de especulação.»

Quanto a Monsenhor Tarcisio Bertone

        Na sua qualidade de Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, também Mons. Bertone pôs em prática a Linha do Partido ditada pelo Cardeal Sodano.

        Primeiro: Mons. Bertone perpetrou uma fraude (demonstrável) ao afirmar em AMF que «A Irmã Lúcia confirmou pessoalmente que este acto, solene e universal, de consagração [do Mundo, em 1984] correspondia àquilo que Nossa Senhora queria: “Sim, está feita tal como Nossa Senhora a pediu, desde o dia 25 de Março de 1984” (carta de 8 de Novembro de 1989). Por isso, qualquer discussão e ulterior petição [para a consagração da Rússia] não tem fundamento.»

        Segundo: ora a fraude é demonstrável, uma vez que a citada «carta de 8 de Novembro de 1989» foi impressa em computador - coisa que a idosa Irmã Lúcia não utiliza, e contém um erro de facto que a Irmã Lúcia nunca poderia ter cometido: ou seja, que o Papa Paulo VI realizou uma consagração do Mundo durante a sua visita a Fátima em 1967 - quando este Papa não consagrou coisa alguma nesta Sua rápida passagem pela Cova da Iria.

        Terceiro: Mons. Bertone baseia-se apenas e propositadamente na «carta de 8 de Novembro de 1989» que é claramente falsa, embora ele (e todo o aparelho de estado do Vaticano), uma vez que tinha um total acesso à Irmã Lúcia em Abril-Maio de 2000, pudesse ter-lhe pedido então que confirmasse se a consagração do Mundo de 1984 era suficiente como substituto da consagração da Rússia - contrariamente ao que ela testemunhou, de modo consistente, durante décadas.

        Quarto: Mons. Bertone que, segundo a Linha do Partido do Cardeal Sodano, considerou que Fátima «pertence ao passado», toma a ousadia de afirmar em AMF que «A decisão (…) [do] Santo Padre João Paulo II» em publicar o conteúdo do Terceiro Segredo a 26 de Junho de 2000, «encerra um pedaço de história, marcado por trágicas veleidades humanas de poder e de iniquidade» - asserção displicente, absurda e fraudulenta, que ignora a realidade e contribui para a presente exposição ao perigo, tanto da Igreja como de todo o Mundo.

        Quinto: em resposta à crescente dúvida do público, sobre se teria sido completa a revelação do Terceiro Segredo e da Consagração da Rússia pelo Vaticano, Mons. Bertone preparou uma “entrevista” secreta com a Irmã Lúcia no seu convento em Coimbra, cujos alegados resultados não foram dados a público senão passado mais de um mês.

        Sexto: ora, embora a “entrevista” tenha supostamente durado mais de duas horas, Mons. Bertone fornece apenas quarenta e quatro palavras da Irmã Lúcia relacionadas com a Consagração da Rússia e o Terceiro Segredo - palavras essas que são apresentadas sem qualquer contexto, pelo que nos é impossível saber exactamente o que teria sido perguntado à Irmã Lúcia e como terá ela exactamente respondido.

        Sétimo: entre outras coisas incríveis, esperam que nós acreditemos que, nesta entrevista de duas horas da qual nos são fornecidas apenas quarenta e quatro palavras,

  • a Irmã Lúcia repudiou o seu testemunho, inabalável durante toda a vida, de que Nossa Senhora pedira a Consagração da Rússia, feita pelo Papa e por todos os Bispos do Mundo - e não a Consagração do Mundo, pelo Papa e alguns Bispos.
  • a Irmã Lúcia “confirma tudo o que está escrito” em AMF, incluindo a sugestão que aí é feita de que foi ela quem arquitectou a visão do Terceiro Segredo a partir de coisas vistas em livros, e de que Edouard Dhanis é um “eminente conhecedor” de Fátima - mesmo tendo Dhanis afirmado que a Irmã Lúcia virtualmente ‘cozinhou’ cada um dos elemento proféticos da Mensagem de Fátima.
  • a Irmã Lúcia “confirma” que o Triunfo do Imaculado Coração de Maria não tem nada a ver com a consagração e a conversão da Rússia - mas unicamente com o fiat da Virgem Maria, há 2.000 anos

        Oitavo: da tal “entrevista” de duas horas não foi publicada transcrição alguma, nem outra qualquer gravação [ou registo]; apenas um sumário, em língua italiana, em L'Osservatore Romano, assinado por Mons. Bertone e (alegadamente) pela Irmã Lúcia - que nem sequer fala Italiano. (A “assinatura” da Irmã Lúcia não aparece na tradução inglesa do “sumário”.)

        Nono: foi Mons. Bertone quem conduziu essa “entrevista”, embora ele estivesse pessoalmente interessado em coagir a Irmã Lúcia a apoiar a Linha do Partido e em defender a sua absurda afirmação de que a conferência de imprensa de 26 de Junho de 2000 «encerra um pedaço de história, marcado por trágicas veleidades humanas de poder e de iniquidade (…)».

Quanto ao Cardeal Dario Castrillón Hoyos

        O principal papel do Cardeal Castrillón Hoyos neste assunto foi pôr em prática a Linha do Partido [do Cardeal Sodano] e servir a nova orientação da Igreja procurando, na sua qualidade de chefe da Congregação para o Clero, esmagar o apostolado de Fátima e destruir o bom nome do Padre Nicholas Gruner - que representa o maior foco de ‘resistência’ perante o esforço de sepultar a Mensagem de Fátima. As provas demonstram que:

        Primeiro: a nova orientação da Igreja permitiu que o Clero católico fosse completamente infiltrado por homossexuais, pederastas e hereges, que não trazem senão a vergonha à Igreja - em detrimento de tantos bons Sacerdotes que, tal como o Padre Gruner, têm respeitado os seus votos e guardado a Fé.

        Segundo: a despeito da crise de Fé e disciplina que grassa entre o Clero, varrendo todos os continentes, este Cardeal Castrillón Hoyos tem emitido condenações públicas, avisos de “suspensão” e, até, uma ameaça de excomunhão, respeitante a um único Sacerdote da Igreja Católica: o Padre Nicholas Gruner (Nota do editor: talvez agora haja mais um), que não cometeu ofensa alguma contra a Fé nem a Moral, que honrou o seu voto de celibato, que conservou a Fé e que não fez absolutamente nada merecedor de qualquer castigo - quanto mais a punição cruel e invulgar que lhe foi imposta pelo Cardeal Castrillón Hoyos, sob as ordens do Cardeal Sodano que, de facto, se arrogou a si próprio o poder do Papado.

        Terceiro: os únicos Sacerdotes que o Cardeal Castrillón Hoyos, durante o seu mandato, sujeitou a medidas disciplinares duras e imediatas são Padres “tradicionalistas” que ele considerou insuficientemente “inseridos” na “realidade eclesial de hoje” e na “Igreja do nosso tempo” - isto é, a nova orientação, pela qual ele exercita um zelo muito mais diligente do que em prol da integridade moral e doutrinal do sacerdócio.

        Quarto: na sua carta ao Padre Gruner, a 5 de Junho de 2000, o Cardeal Castrillón Hoyos ameaçava-o com a excomunhão - apenas alguns dias antes da (já referida) conferência de imprensa de 26 de Junho de 2000, convocada, sob a direcção do Cardeal Sodano, para “demolir com luva branca” a Mensagem de Fátima.

        Quinto: a 16 de Fevereiro de 2001, o Cardeal Castrillón Hoyos enviou nova carta ao Padre Gruner, reiterando a ameaça de “excomunhão” e exigindo-lhe que “publicamente retractasse” a sua crítica, quer ao Cardeal Sodano quer a outros assuntos de livre opinião na Igreja encontrados em alguns artigos da The Fatima Crusader - exigência sem precedentes e que não deixa de ser risível, considerando a profusão de literatura herética que hoje é promovida por Padres infiéis e até por Bispos, em relação aos quais o Cardeal Castrillón Hoyos não toma medida alguma.

        Sexto: nessa mesma carta, o Cardeal Castrillón Hoyos revelou o motivo que o levava a promover a Linha do Partido enquanto criticava duramente o Padre Gruner por não aceitar a nova versão de Fátima: «a Mãe Santíssima apareceu a três pequenos videntes na Cova da Iria no princípio do século XX, e delineou um programa para a Nova Evangelização na qual a Igreja inteira se encontra empenhada e que se torna ainda mais urgente no dealbar do terceiro milénio.»

        Sétimo: ora Nossa Senhora de Fátima nada disse sobre nenhuma “Nova Evangelização”, mas apenas sobre a consagração da Rússia, a conversão desta nação ao Catolicismo e o Triunfo do Seu Imaculado Coração - elementos que, todos eles, o Cardeal Castrillón Hoyos ignorou deliberadamente, do mesmo modo que os restantes acusados.

        Oitavo: numa Igreja tomada de assalto por uma alargada corrupção do Clero por ele tolerada na generalidade, o Cardeal Castrillón Hoyos tentou destruir a obra de toda uma vida e o bom nome do Padre Nicholas Gruner, Sacerdote fiel, única e simplesmente porque o Padre Gruner não aceitará uma falsificação da Mensagem de Fátima ditada pelo Cardeal Sodano.

Em relação a todos os acusados

        As evidências que apresentámos mostram que todos os quatro acusados - Cardeal Angelo Sodano, Cardeal Joseph Ratzinger, Mons. Tarcisio Bertone e Cardeal Dario Castrillón Hoyos - conspiraram de comum acordo para levarem a cabo vários actos que não fazem qualquer sentido, a menos que sejam vistos segundo o prisma do motivo que aqui provámos: e o motivo é eliminar a Mensagem de Fátima, compreendida no seu sentido tradicional católico, da memória da Igreja, de modo a abrir caminho a uma nova orientação eclesial que não pode coexistir com aquilo que a autêntica Mensagem diz.

        Os acusados tentaram livrar-se da Mensagem de Fátima precisamente naquele momento histórico em que a correspondência da Igreja aos seus pedidos evitaria aquilo que, como pode ver-se, é o advento de uma catástrofe à escala mundial. As autoridades civis do Mundo, tendo apenas por base de defesa os relatórios falíveis (e humanos) dos operacionais dos Serviços de Defesa do Estado, são suficientemente sensatas para se prepararem para o pior. Porém, os acusados - que estão na posse de um “relatório” infalível, enviado pelos nossos “Serviços de Defesa Celestes”, sobre o aniquilamento de nações que se avizinha - afirmam-nos que esse “relatório” só fala de acontecimentos passados, que provavelmente não é fiável e que de qualquer modo, pode perfeitamente ser ignorado.

        E, ao mesmo tempo, há a prova esmagadora de que os acusados estão ainda a ocultar-nos uma parte do “relatório” destes nossos “Serviços de Defesa Celestes”: a parte que aponta directamente as acções e omissões dos acusados como sendo a causa de uma crise sem precedentes na Igreja, uma crise cujos terríveis efeitos são agora visíveis no Mundo inteiro - que se limita a olhá-los com um misto de troça e desprezo.

Onze mentiras

        Prova a evidência que os acusados perpetraram pelo menos onze mentiras distintas - mentiras que já causaram um grave dano à Igreja e a toda a humanidade, e que, de modo iminente, ameaçam com males ainda mais graves cada homem, mulher e criança, tal como a própria Virgem Maria nos avisou.

        Essas mentiras são as seguintes:

Mentira nº 1:

A visão do «Bispo vestido de Branco», dada a público a 26 de Junho de 2000, compõe a totalidade do Terceiro Segredo de Fátima.

        De uma forma criminosa, esta mentira priva a Igreja e o Mundo dos óbvios avisos proféticos da visão, que só podem ser explicados através das palavras omissas da Santíssima Virgem - palavras que não só explicariam a visão como também nos diriam o modo de evitar a futura catástrofe aí representada, que inclui a execução de um Papa (ou de um Bispo vestido de Branco) por um pelotão de soldados, no exterior de uma cidade meio arruinada.

        Numa exibição de clara duplicidade, os acusados dizem-nos, por um lado, que a visão deve ser interpretada de modo “simbólico” (representando a perseguição da Igreja durante o século XX), enquanto, por outro lado, eles próprios a interpretam à letra, como sendo a representação da tentativa falhada de assassínio do Papa, em 1981. Pura e simplesmente, eles fingem ignorar como, no texto publicado da visão, a Irmã Lúcia a explica dizendo que «o Papa é morto». E aqui ignoram também a alegada carta da Irmã Lúcia de 12 de Maio de 1982 - por eles próprios apresentada como prova em AMF! -, supostamente escrita um ano depois da tentativa de assassinato, na qual a vidente dizia: «E se não vemos ainda o facto consumado do final desta profecia, vemos que para aí caminhamos a passos largos

        Ao ocultar as palavras da Virgem Maria que claramente faltam no Terceiro Segredo, os acusados privam-nos de uma orientação preciosa vinda do Céu, neste tempo de crise única para a Igreja - só para tentarem esconder o quanto contribuiram, para provocarem essa crise, que o Segredo - conhecido na sua totalidade - sem dúvida revelaria.

Mentira nº 2:

O Terceiro Segredo representa acontecimentos que «pertencem ao passado», incluindo o atentado falhado à vida do Papa João Paulo II.

        O esforço para “interpretar” a visão de um futuro desastre que se abate sobre o Papa e a Hierarquia (o que inclui uma execução pública) como, unicamente, uma tentativa falhada de assassinato, há mais de 20 anos, é a fraude mais gritante envolvida no crime que nos ocupa. Como demonstrámos abundantemente, esta mentira é o aspecto mais perigoso do crime, porque fará com que toda a Igreja desça pelo caminho florido que leva à ruína, só por dizer a todos os Fiéis que não devem preocupar-se mais com o que constitui, afinal, avisos proféticos em plena vitalidade (inclusive a aniquilação de várias nações) e que, seguramente, ainda não pertencem ao passado.

        Esta fraude - quase risível pela sua audácia - é exposta unicamente pela descrição que o próprio Cardeal Ratzinger fez do conteúdo do Terceiro Segredo, em 1984. Curiosamente, nesta altura Ratzinger nada disse sobre a “interpretação” vulgarizada de que o Terceiro Segredo culminou em 1981, com a referida tentativa de assassinato. Torna-se óbvio, portanto, que esta “interpretação” foi forjada posteriormente com o fim de desorientar e enganar os Fiéis.

Mentira nº 3:

A Mensagem de Fátima não oferece orientações específicas para a actual crise na Igreja e no Mundo, para além de se possuir uma piedade genérica em forma de oração e penitência, e de se ser “puro de coração”.

        Os acusados e os seus colaboradores querem fazer crer que Nossa Senhora de Fátima não pediu especificamente, por vontade expressa de Deus Todo-Poderoso, a Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, pelo Papa em união com todos os Bispos católicos do Mundo, e ao mesmo tempo; e a Devoção dos Cinco Primeiros Sábados, com a Sagrada Comunhão em Reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria, entre os quais se situam todas as blasfémias dos Homens contra o Imaculado Coração.

        Fica provado que os acusados e os seus colaboradores enterraram e ignoraram estes pedidos vindos do Céu, porque tais coisas são católicas demais aos olhos da nova orientação da Igreja, “ecuménica” e mundialmente espalhada, que eles obstinadamente perseguem e promovem. E aqui está como os próprios meios que Deus determinou para se obterem, no nosso tempo, Graças especiais para as almas se salvarem do Inferno foram, criminosamente, ocultadas da vista de todos.

Mentira nº 4:

Todos os pedidos da Virgem de Fátima foram honrados.

        Pelo contrário, os Seus pedidos foram repelidos pelos acusados. Tanto eles como os seus colaboradores substituiram arrogantemente a consagração da Rússia - a ser feita pelo Papa conjuntamente com todos os Bispos católicos de todo o Mundo, numa solene cerimónia pública - por uma consagração do Mundo. O que eles fizeram foi “adaptar” aquilo que a Mãe de Deus pedira com a autoridade do Seu Divino Filho, de modo a enquadrar-se nos seus planos e iniciativas - humanos, sujeitos a erro e, portanto, sem valor -, incluindo um “ecumenismo” absolutamente estéril que nada mais produziu do que um contínuo desrespeito pelo Papa, por parte da Hierarquia Ortodoxa Russa - não convertida e controlada pelo Kremlin.

        Em vez de procurarem a conversão da Rússia, o Triunfo do Imaculado Coração de Maria e a reparação pelos pecados que Deus lhes pedira em Fátima, os acusados participaram na fraude desta “nova embalagem” da Mensagem de Fátima que a apresenta como um suave e insignificante “programa para a nova Evangelização” (para recordar a ridícula asserção do Cardeal Castrillón Hoyos a este respeito).

        Tal como demonstrámos, “a nova Evangelização” abandona o constante ensinamento da Igreja segundo o qual não só os Ortodoxos Russos mas também todos os cismáticos e hereges deverão voltar ao seio da Igreja Católica, e que os Muçulmanos, Judeus e pagãos precisam igualmente da conversão, da Fé em Jesus Cristo e do Baptismo para serem livres do Inferno. Em suma: “a nova Evangelização” - muito à maneira dos slogans comunistas - significa o oposto daquilo que se lê: o que “a nova Evangelização” significa é nenhuma Evangelização - de ninguém! - e, consequentemente, não honrar os pedidos da Santíssima Virgem respeitantes à Conversão da Rússia.

Mentira nº 5:

A situação alarmante vivida na Igreja e no Mundo é o melhor que se pode esperar da falsamente declarada “obediência” à Mensagem de Fátima.

        É um crime tentar enganar os Fiéis dizendo-lhes que a actual situação da Rússia e do Mundo em geral representa, de qualquer modo que seja, o cumprimento das promessas da Mãe de Deus em Fátima. Deste modo, a Igreja e o Mundo são roubados de indizíveis benefícios temporais e espirituais que Deus lhes concederia se a Mensagem de Fátima fosse respeitada e obedecida. Foi-nos dada uma demonstração de tais benefícios no caso de Portugal - uma nação miraculosamente transformada numa ordem social católica, a seguir à sua consagração ao Imaculado Coração de Maria, em 1931; resultado que, segundo explicitamente declarou o chefe da Hierarquia portuguesa, se veria por todo o mundo, se, do mesmo modo, a Rússia fosse consagrada. Ora, não deixa de ter um sabor a blasfémia atribuir a horrenda situação espiritual e moral da Rússia e do Mundo inteiro ao Triunfo do Imaculado Coração de Maria.

Mentira nº 6:

A Mensagem de Fátima não oferece qualquer solução em concreto para a crise na Igreja e no Mundo, sem ser oração e penitência.

        Neste ponto, os pedidos específicos da Mãe de Deus são deliberada e fraudulentamente ocultados, para que ninguém requeira às autoridades da Igreja que os reafirme publicamente. Tal ocultação fraudulenta dos meios de auxílio espiritual enviados pelo Céu para o nosso tempo tem causado perdas incalculáveis para a Igreja e o Mundo.

Mentira nº 7:

Nada podemos fazer para evitar o grande castigo anunciado por Nossa Senhora de Fátima que inclui a aniquilação de várias nações, a não ser o oferecimento individual de orações e penitências.

        E deste modo os acusados, deliberada e premeditadamente, ocultaram da Igreja e do Mundo dois meios concretos que o Céu determinou para a protecção de males temporais e a obtenção de graças extraordinárias nesta época da História da Igreja - nomeadamente a Consagração da Rússia, e a prática generalizada da Devoção dos Cinco Primeiros Sábados.

        Assim os acusados - de um modo frio, deliberado e cruel - colocaram tanto a Igreja como a sociedade civil naquele mesmo percurso seguido pelos infortunados Reis de França que não prestaram atenção à ordem de Nosso Senhor para que a França fosse consagrada ao Seu Sacratíssimo Coração, em solene cerimónia pública.

        A execução do Rei de França [Luís XVI] pelos revolucionários, em 1793, é um espelho do que espera o Papa e muitos membros da Hierarquia, como mostra a visão do Terceiro Segredo: a execução do Papa e dos seus ministros por soldados, no exterior de uma cidade meio arruinada. É este acontecimento futuro que os acusados tentaram criminosamente deturpar, dando-o, simplesmente, como a representação da tentativa falhada de assassínio do Papa - sozinho e há mais de vinte anos!

Mentira nº 8:

A Mensagem de Fátima é uma simples “revelação privada”, que não impõe aos membros da Igreja qualquer obrigação de nela acreditarem ou de lhe obedecerem.

        O Cardeal Ratzinger assevera em AMF que a Mensagem de Fátima é apenas (e unicamente) «uma ajuda que é oferecida, mas não é obrigatório fazer uso dela.» Quer isto dizer que o Cardeal Ratzinger declara abertamente não estar a Igreja obrigada a respeitar os pedidos da Virgem de Fátima, incluindo a Consagração da Rússia e os Cinco Primeiros Sábados - asserção com que os outros acusados concordam.

        Ora, enquanto eles nos dizem que ninguém tem obrigação de acreditar ou de honrar a Mensagem de Fátima, já o próprio Papa vem declarar que «a Igreja se sente interpelada por essa Mensagem» - e, para o demonstrar, inseriu no novo Missal Romano a Festa de Nossa Senhora de Fátima, que a Igreja Católica celebra todos os anos a 13 de Maio. Consequentemente, e segundo a afirmação fraudulenta dos acusados, a Igreja celebra uma Festa em honra de uma aparição na qual ninguém tem de acreditar!

        Sustentar que os avisos do Céu acerca de um grande castigo, que «várias nações serão aniquiladas» e que a perda de milhões de almas não merecem qualquer crédito (se resolvermos não querer acreditar nisso) - mesmo se tais avisos foram autenticados por um milagre público sem precedentes, e testemunhado por 70 mil pessoas - é o cúmulo da insanidade humana. Então, todos nós sofreremos terríveis castigos, incluindo a aniquilação de várias nações - e já sofremos a Segunda Guerra Mundial, a Guerra da Coreia, a Guerra do Vietname, etc., já sem falar da Guerra contra os que não chegam a nascer, com a chacina de mais de 600 milhões de crianças inocentes -, tudo isto e muito mais são as consequências deste arrogante rebaixamento dos conselhos da Mãe de Deus em Fátima.

Mentira nº 9:

A Mensagem de Fátima é, em suma, de pouca importância nos seus pormenores proféticos; e o Terceiro Segredo não contém “nenhum grande mistério”, nem “quaisquer surpresas”, nem avisos relativos ao futuro.

        Com esta mentira, os Fiéis são criminosamente privados dos avisos do Céu e de prescrições da mais alta importância para a Igreja no nosso tempo. Tivesse a Mensagem de Fátima sido honrada, e incalculáveis danos, temporais e espirituais, se teriam evitado. Ao continuarem a insistir nesta mentira, os acusados deixam a Igreja e o Mundo impotentes para impedir a grande punição que há-de afectar gravemente todos os homens, mulheres e crianças - nomeadamente a (literal) “aniquilação de várias nações” e a escravidão a que serão submetidas, na totalidade e por todo o mundo, as populações sobreviventes; já sem mencionar a perda de milhões de almas condenadas ao Inferno por toda a eternidade. Nossa Senhora advertiu que esta seria a consequência última de não serem satisfeitos os Seus pedidos.

Mentira nº 10:

Estas pessoas aqui acusadas acreditam, elas próprias, na verdadeira Mensagem de Fátima.

        Ao mesmo tempo que se escondem por detrás de uma falsa aparência de crença na Mensagem de Fátima, as palavras e os actos objectivos dos acusados revelam em si uma tentativa sistemática para rebaixar e destruir toda a crença no conteúdo profético - e explicitamente católico - da Mensagem. A sua verdadeira intenção revela-se quando citam Dhanis como “eminente conhecedor” de Fátima; quando Dhanis lançou a dúvida sobre cada um dos aspectos proféticos da Mensagem. Assim, ao citarem Dhanis como a sua grande autoridade, os acusados dão a conhecer aos seus correligionários “iluminados” (mas não ao público em geral e não informado) que eles olham a Mensagem de Fátima essencialmente como uma piedosa congeminação da Irmã Lúcia, cuja afirmação de ter falado com a Virgem Maria sobre a consagração e a conversão da Rússia (e por aí fora…) não pode ser considerada digna de crédito pelos homens “iluminados” da Igreja pós-Conciliar.

        O facto de os acusados não admitirem abertamente que, na verdade, não acreditam na autêntica Mensagem de Fátima - e se propõem, mesmo, interpretá-la para nós -, não é apenas de uma grande hipocrisia, mas sim de uma fraude ultrajante feita à Igreja. Ora bem: tal como, no tribunal, os juízes e os potenciais membros do júri devem apresentar quaisquer eventuais pré-conceitos que haja em relação ao caso que têm entre mãos, também aqui os acusados deveriam revelar abertamente os seus juízos previamente formados, antes de pretenderem ser juízes isentos da Mensagem de Fátima.

Mentira nº 11:

Os Católicos que não concordarem com os acusados no que respeita a Mensagem de Fátima são “desobedientes” ao “Magistério”.

        Por “Magistério”, os acusados compreendem apenas as opiniões que têm sobre a Mensagem de Fátima - opiniões essas que contradizem mesmo aquilo que o Santo Padre tem dito e tem feito para confirmar a autenticidade da Mensagem, como, mais recentemente, a instituição da Festa de Nossa Senhora de Fátima no calendário litúrgico da Igreja.

        Assim (e ironicamente…), são os acusados que são desleais ao Magisterium, quando procuram despromover Fátima até ao estatuto de uma “revelação privada”, podendo ser negligenciada por toda a Igreja numa completa segurança.

Um crime de dimensões incalculáveis

       Como poderá compreender-se bem a magnitude do crime cometido por aqueles que iriam sepultar, em falsas representações e num encobrimento, uma preciosa Mensagem vinda do Céu e trazida pela Mãe de Deus em Pessoa, para o Bem temporal e a Salvação eterna dos Seus Filhos? Este crime é de dimensões incalculáveis, porque envolve não só calamidades temporais como também a perda de incontáveis milhões de almas - o que poderia ser evitado cumprindo os pedidos da Santíssima Virgem Maria quanto à Consagração da Rússia e aos outros pedidos que a Senhora fez em Fátima (incluindo a Devoção dos Cinco Primeiros Sábados que os acusados e seus colaboradores se recusam a promover). Quem os acusa é a própria Virgem de Fátima: «Se fizerem o que Eu disser, salvar-se-ão muitas almas e terão Paz.» Não fizeram o que a Senhora disse e, portanto, estes homens (mais os seus colaboradores) são os responsáveis pelas consequências: para a Igreja, para o Mundo, e para incontáveis milhões de almas que foram roubadas às Graças que Nossa Senhora de Fátima veio providenciar-lhes, em nome do Seu Divino Filho.

Um mistério de iniquidade

        Mas por que razão estarão os acusados, e os que com eles trabalham em prol da nova orientação da Igreja, tão irredutíveis na sua recusa em permitir que o Papa e os Bispos façam uma coisa tão simples como a que Nossa Senhora de Fátima pediu? Porque removem montanhas só para impedir que a palavra - Rússia - seja pronunciada numa consagração pública “desta pobre nação”? Que temos nós a perder, se cumprirmos o pedido da Santíssima Virgem à letra, sem correcções impostas por diplomatas do Vaticano e por ecumenistas? Nada. Que temos nós a ganhar? Tudo.

        De facto, não existe uma explicação legítima para tão perversa resistência à Consagração da Rússia pelo seu nome. Algo não-natural está presente aqui. Sem julgar os motivos subjectivos dos acusados, é-se levado à conclusão de que a sua recusa - de outro modo inexplicável e aparentemente sem sentido - de permitir que seja pronunciada uma simples palavra - a única que Nossa Senhora de Fátima pediu - é o resultado de uma intervenção preternatural no seio da Igreja. É uma intervenção do próprio Inimigo que, como disse a Irmã Lúcia, «está travando uma batalha decisiva contra a Virgem Maria.» Este derradeiro combate envolveu a penetração na Igreja de forças organizadas que a longo prazo A foram conduzindo à ruína. Em face deste tremendo desenrolar dos acontecimentos, até o Papa Paulo VI se viu na contingência de lamentar publicamente que «Por alguma fresta o fumo de satanás entrou no Templo de Deus.»

        Quer os acusados tivessem ou não, subjectivamente, essa intenção, o facto é que actuaram de um modo que apenas serve os propósitos do pior inimigo da Igreja. O resultado das suas acções fala por si: «Pelos seus frutos os conhecereis.» (São Mateus, 7:16). E quais são os frutos da sua governação da Igreja? Basta olhar para a situação da Igreja de hoje para conhecer a resposta.

        Juntamente com muitos outros detentores de elevadas posições na Hierarquia, os acusados têm presidido à pior crise de Fé e da Moral da História da Igreja. Na sua ânsia das ruinosas novidades que acarretaram consigo a crise, os acusados rejeitam uma ‘receita’ celeste que viria recuperar a saúde da Igreja e trazer a Paz a um mundo em guerra. Em vez de darem ouvidos aos avisos da Mãe de Deus em Fátima, eles dinamizam mais e mais o seu “ecumenismo” totalmente estéril, o “diálogo inter-religioso” e o “diálogo com o mundo” - bem como o seu conluio com homens sangrentos como Mikhail Gorbachev - cuja presença profanou o Vaticano, um dia apenas depois de os acusados terem tentado ver-se livres da Mensagem de Fátima. Ora, enquanto os acusados e seus companheiros mantêm conversas infindáveis com as forças do mundo, almas sem conta que, tanto na Rússia como em toda a parte, precisam da luz de Cristo para a sua Salvação, assim se ficam, deixadas na escuridão. Então os inimigos da Igreja todos se deleitam ao vê-La, deste modo, quase impotente para se lhes opor.

        A Igreja recua à medida que as forças do Mundo continuam a avançar sobre Ela. E, para mais, os acusados e seus colaboradores persistem na sua tentativa suicida de abraçarem o mundo - em vez de o conquistarem espiritualmente para Cristo Rei, como Nossa Senhora de Fátima os teria levado a fazer. Os homens que hoje controlam o aparelho de estado do Vaticano não querem ofender os Ortodoxos Russos nem qualquer outra pessoa com mostras de alguma militância católica por eles considerada embaraçosa e “ultrapassada” - para empregar uma das suas expressões favoritas. O abjecto recuo da Igreja perante o combate alegra o coração dos Maçons e dos Comunistas que, durante gerações, têm trabalhado na esperança de verem a Igreja reduzida, precisamente, a esta patética condição.

        Para mais, não falta sequer militância aos acusados e seus colaboradores. Enquanto, nos últimos quarenta anos, não fizeram praticamente nada para suster aqueles que, infiltrados na Igreja, espalhavam com virtual impunidade a heresia e a corrupção moral - nesse entretanto, implacavelmente perseguiam, denunciavam e ostracizavam quem quer que se opusesse aberta e efectivamente à sua desastrosa política de “reforma”, “abertura” e “renovação”. Para os acusados e outros membros da alta Hierarquia que presidiram à derrocada pós-conciliar, parece que a única “heresia” que resta, a única ofensa merecedora de dura punição, é questionar os seus juízos ao imporem à Igreja a nova orientação - orientação da qual excluiram, total e definitivamente (pelo menos, assim o consideram), a Mensagem de Fátima no seu tradicional significado católico.

A que ‘remédios’ podem os Fiéis legitimamente recorrer

        O que pedimos nós ao Santo Padre, como remédio para os actos e as omissões dos homens que já identificámos? Aquilo que buscamos é o seguinte:

Primeiro:
A Consagração da Rússia
- ainda há tempo!

        O que queremos dizer com isto é, precisamente, o que Nossa Senhora de Fátima pediu: a imediata Consagração da Rússia - pelo seu nome e inequivocamente - ao Imaculado Coração de Maria, numa solene cerimónia pública efectuada pelo Papa conjuntamente com todos os Bispos católicos do Mundo inteiro.

        Pedimos ao Papa que, sob pena de excomunhão, ordene a todos os Bispos católicos (excepto os que estejam presos ou impedidos por séria enfermidade) que consagrem a Rússia - solene, pública e especificamente - de acordo com o pedido de Nossa Senhora de Fátima, ou seja: conjuntamente com o Papa; no mesmo dia e à mesma hora que o Santo Padre indicar.

        Alguns dirão que já é tarde demais para obter a Consagração, e que continuar a pedi-la está fora de questão. Mas acontece que não é assim. Na Sua revelação à Irmã Lúcia em Rianjo (Espanha), em Agosto de 1931, foi Nosso Senhor Mesmo que lho fez saber:

        Participa aos Meus ministros que, dado seguirem o exemplo do Rei de França na demora em executa o Meu mandato, tal como a ele aconteceu, assim o seguirão na aflição. (…) Não quiseram [os ministros da Igreja Católica] atender ao Meu pedido! (…) Como o Rei de França, arrepender-se-ão, e fá-la-ão, mas será tarde. A Rússia terá já espalhado os seus erros pelo Mundo, provocando guerras, perseguições à Igreja: O Santo Padre terá muito que sofrer4.

        Mas, no entanto, como Nosso Senhor também revelou à Irmã Lúcia nessa ocasião, “Nunca será tarde para recorrer a Jesus e a Maria.” Isto é, mesmo se nós estamos a sofrer as consequências na demora no cumprimento dos pedidos do Céu, o pior dessas consequências - o que inclui a aniquilação de várias nações - pode ainda ser evitado, se for honrado o pedido da Consagração da Rússia, embora o seja tardiamente.

        É ultrajante que o respeito humano - o receio de ofender os Ortodoxos Russos - tenha, até agora, conseguido impedir a Igreja do cumprir o plano do Céu para alcançar a Paz no nosso tempo. E nós, como membros da Igreja militante, não podemos permitir por mais tempo que aqueles que se afirmam ser a voz do nosso Papa, tão doente, declarem que “o Papa” pronunciou - de maneira inequívoca, com autoridade e definitivamente - que a Consagração foi efectuada. Já demonstrámos como, em público, o próprio Papa disse precisamente o contrário. Devemos, portanto, implorar a Sua Santidade que repudie os conselhos, manifestamente maus, que lhe foram dados por aqueles que o rodeiam, para seguir antes os conselhos do Céu.

Segundo:
A Revelação - completa e integral
- do Terceiro Segredo de Fátima

        Esta revelação teria de incluir o texto com as palavras da Santíssima Virgem explicando a visão que foi publicada no dia 26 de Junho de 2000. Que este texto existe, prova-o uma montanha de evidências directas e circunstanciais que atingem uma certeza moral como cada uma delas aponta para um texto que falta: de uma página, com cerca de 25 linhas e o aspecto de uma carta - e que contém as palavras da Santíssima Virgem, em pessoa.

        A Igreja e o Mundo têm o direito de conhecer o conteúdo do Terceiro Segredo - que, obviamente, contém salutares avisos sobre a actual crise na Igreja. As claras indicações do Santo Padre de que o Segredo se relaciona com a apostasia e a queda das almas consagradas, a que se refere o Livro do Apocalipse, indiciam que também ele foi constrangido a não revelar o Segredo na sua forma completa, mas, antes, induzido a apenas sugerir o seu conteúdo. E entretanto, aqueles que realmente controlam os assuntos diários da Igreja - em primeiríssimo lugar, o Cardeal Sodano - continuam a sepultar a verdade sobre o seu falhado governo da Igreja.

Terceiro:
Um apelo à reza diária do Terço

        O Rosário é infinitamente mais poderoso do que qualquer arma inventada pelo Homem. Não há dificuldade que não possa ser ultrapassada, nem batalha que não possa ser ganha com a ajuda do Santo Terço. Se um número suficiente de Católicos rezar o Terço com recta intenção, os inimigos da Igreja serão totalmente derrotados e obrigados a sair dos “fortes” que ocupam no Seu interior. Como a própria Mensagem de Fátima nos aponta, é por desígnio de Deus que a Virgem Maria é o nosso refúgio e a nossa força em tempos de crise. E nesta que é a mais grave de todas as crises, a Igreja inteira deve recorrer a Ela mediante a reza diária do Terço.

        Se, por um lado, não podemos nem devemos esperar mais - e instituir na Igreja, a todos os níveis e o mais depressa possível, uma Cruzada Perpétua do Rosário -, por outro lado, podemos dirigir petições ao Santo Padre no sentido de que seja Ele a instituir essa campanha por toda a Igreja escrevendo em cada ano Encíclicas sobre o Rosário, como o fez o Papa Leão XIII, formando um dicastério chefiado por um Cardeal que promovesse a reza do Terço dinamizando várias iniciativas, através da concepção de uma rede de lugares de devoção católica e de Sacerdotes marianos (quer religiosos, quer diocesanos). Evidentemente que tais iniciativas devem ser pensadas em estrita obediência à doutrina e às práticas católicas, promovendo, todas elas, os grandes privilégios de Nossa Senhora.

        O Terço deveria incluir, evidentemente, aquela oração que Nossa Senhora de Fátima ensinou para se acrescentar à reza do Terço: «Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do Inferno. Levai as almas todas para o Céu, especialmente as que mais precisarem.» Contudo, aquando da “entrega” do Mundo ao Imaculado Coração de Maria em Outubro de 2000, a recitação pública do Terço no Vaticano omitiu notoriamente esta oração - embora nessa ocasião a Irmã Lúcia tenha recitado aquela oração no seu convento. Foi ainda mais um sinal da nova orientação, que detesta qualquer referência ao Inferno ou à condenação.

Quarto:
Promover a Devoção dos Cinco Primeiros Sábados

        Todos aqueles que se propuseram “rever” a Mensagem de Fátima tentaram sepultar no silêncio esta parte da Mensagem, juntamente com outros elementos explicitamente católicos. Na verdade, o próprio conceito de ser o Homem a oferecer reparação a Deus e à Santíssima Virgem Maria pelas blasfémias e outros pecados foi muito e gravemente diminuido na nova orientação da Igreja. (Um dos elementos-chave cuja importância foi obscurecida na nova liturgia é ser a Santa Missa um sacrifício propiciatório oferecido a Deus em reparação dos pecados, e não apenas um “sacrifício de louvor”.)

        A devoção dos Primeiros Sábados é um dos meios escolhidos pelo Céu para restaurar, no nosso tempo, o sentimento da necessidade de Reparação pelos pecados cometidos pelos membros da Santa Igreja. Quem poderá pôr em dúvida que a Igreja, agora mais do que nunca, deve reavivar esforços no sentido de oferecer Reparação a Deus e à Imaculada Virgem Sua Mãe, suspendendo deste modo a Ira de Deus? E aqui temos outro assunto - a Ira de Deus - sobre o qual nada dizem os Clerigos modernos. Ao promover a devoção dos Cinco Primeiros Sábados, o Santo Padre chefiará o Poder da Igreja no sentido de oferecer reparação pelo pecado, neste tempo crítico da história do Mundo.

Quinto:
Restabelecer por toda a Igreja a Devoção do único
Imaculado Coração: o Imaculado Coração de Maria

        A vergonhosa tentativa do Cardeal Ratzinger de igualar o único e verdadeiro Imaculado Coração de Maria ao coração daqueles que se arrependem dos seus pecados é coisa típica da nova orientação da Igreja, que tanto aborrece o conceito de Pecado Original como a existência do Inferno, ou a condenação.

        Só o Imaculado Coração de Maria foi preservado de qualquer mácula do Pecado Original, assim como nunca esteve sob o domínio de Satanás. Contemplando a glória do Imaculado Coração de Maria, o único sem mancha de pecado, somos também levados não só a ter consciência da nossa própria miséria como a ver a necessidade do Baptismo e de outros Sacramentos da Santa Igreja para conservar em nós um estado de graça.

        A devoção (unicamente católica) ao Imaculado Coração de Maria é, em si mesma, uma censura à nova orientação da Igreja cujo “ecumenismo” faz com que o dogma da Imaculada Conceição (e da Assunção) fiquem fora do respeito que Lhe é devido pela humanidade - por respeito para com as sensibilidades dos não-Católicos. E é exactamente por isso que, como disse Nossa Senhora de Fátima, Deus deseja estabelecer no Mundo a devoção ao Seu Imaculado Coração. Deus quer que o Mundo veja que é a Igreja Católica - e não uma outra qualquer - que é a Arca da Salvação.

Sexto:
A resignação dos acusados e dos seus colaboradores

        Como acabámos de provar, o Cardeal Sodano, o Cardeal Ratzinger, o Cardeal Castrillón e o Arcebispo Bertone conspiraram, de comum acordo, para destruirem a Mensagem de Fátima no seu sentido tradicional católico: manipularam o significado das próprias palavras da Mãe de Deus, sepultaram no silêncio e na obscuridade todos os elementos proféticos e explicitamente católicos da Mensagem, e perseguiram aqueles que ofereciam oposição fundamentada ao seu programa revisionista - ou seja, a sua Linha do Partido sobre Fátima. Procedendo deste modo, para além de terem já causado danos indizíveis à Igreja, os acusados expuseram-na, e a todo o Mundo, aos mais graves perigos que é possível conceber, incluindo a perda de milhões de almas e a aniquilação de várias nações - o que Nossa Senhora predissera como consequência de não atenderem aos Seus pedidos. Pois, como a Santíssima Virgem interpelou a Igreja, «Se não atenderem a Meus pedidos, a Rússia espalhará seus erros pelo Mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados; o Santo Padre terá muito que sofrer; várias nações serão aniquiladas (…)» Mas a Santíssima Virgem Maria também prometeu: «Se fizerem o que Eu disser salvar-se-ão muitas almas e terão Paz.» Ora, persistindo obstinadamente os acusados em manter a conduta que têm tido, estão a ameaçar a Igreja e o Mundo com a iminência de danos incalculáveis. Então, para o bem da Igreja, estes homens deveriam receber ordem do Santo Padre para abandonarem os cargos que ocupam - e imediatamente.

        Contudo, no caso de alguém objectar que é por arrogância que alguns simples membros do laicado vêm pedir ao Papa que destitua Prelados de tão elevado estatuto na Hierarquia, diremos que, pelo contrário, é nosso dever como Católicos suplicar ao Papa o afastamento dos Prelados que, caídos no erro, fazem perigar todo o rebanho.

O exemplo de S. João Gualberto

        Porém, é um Santo da Igreja Católica que nos indica o exemplo a seguir quando os Fiéis são confrontados com um Prelado rebelde que traz males à Igreja5.

        S. João Gualberto viveu no século XII. Não é apenas um Santo; é também o fundador dos Beneditinos Valambrosianos. A sua festa celebra-se a 12 de Julho no calendário antigo. A heroicidade da virtude cristã de S. João Gualberto fica demonstrada por ele ter perdoado o assassino de seu irmão: encontrando-o um dia sem armas e sem defesa num beco sem saída, S. João Gualberto (que ainda nem sequer era monge) sentiu-se movido ao perdão quando o outro, erguendo para ele os braços em forma de cruz, lhe pediu misericórdia por amor de Cristo crucificado. E S. João perdoou àquele homem, apesar de ter andado em sua busca com um bando de soldados, a fim de executar vingança. Era Sexta-Feira Santa - foi então que S. João Gualberto viu uma imagem de Cristo crucificado que, tomando vida, lhe fazia com a cabeça um sinal de assentimento. Nosso Senhor transmitiu nesse momento a S. João uma extraordinária Graça especial que o levou a perdoar ao assassino de seu irmão. Foi também esse momento de Graça que o levou a tornar-se monge.

        Como vemos, S. João Gualberto é o exemplo acabado do perdão de Cristo: quem pode perdoar o assassino do seu irmão pode perdoar qualquer ofensa. Ele foi ainda um homem de considerável importância na Hierarquia da Igreja, tendo conseguido fundar um Mosteiro e uma Ordem de monges que ainda existe nos nossos dias. A Ordem tinha - e ainda tem - a seu cargo uma igreja em Roma, a Igreja de Santa Praxedes, onde foi descoberta nada mais nada menos do que a coluna a que ataram Cristo para ser açoitado. É nesta igreja, mesmo ao virar a esquina da Igreja de Santa Maria Maior, que se encontra uma pintura do Santo perdoando ao assassino de seu irmão - evento claramente muito importante na História da Igreja.

        No entanto, para além da sua exemplar misericórdia cristã e da sua relevante estatura na Igreja, S. João Gualberto não hesitou em procurar obter o afastamento de um Prelado corrupto do seu tempo: foi a Latrão (residência do Papa, quando ainda não se tinha criado o enclave do Vaticano) pedir que o Arcebispo de Florença fosse afastado, por ser indigno do seu cargo. O fundamento para o pedido de S. João era ter o Arcebispo subornado com dinheiro certas pessoas influentes, de modo a ser ele designado Arcebispo - isto é, ele comprara o seu cargo eclesiástico, o que constitui um grave pecado de simonia.

        Ora, não tendo os funcionários do Papa em Latrão - inclusive S. Pedro Damião - feito nada para afastar esse Arcebispo, invocando uma suposta falta de provas, S. João recebeu de Deus uma especial inspiração: como prova de que S. João dizia a verdade sobre o Arcebispo, Deus havia de dar um sinal. Um dos seus frades, o Irmão Pedro, caminharia pelo meio de uma fogueira de onde emergiria miraculosamente sem qualquer queimadura, em testemunho de que era verdadeira a acusação de S. João Gualberto contra o Arcebispo. Então o Santo chamou todo o povo da cidade dizendo-lhes que fizessem uma enorme fogueira com uma estreita passagem pelo meio; e explicou-lhes qual a razão de tudo aquilo e o que iria acontecer. Então o Irmão Pedro, sob santa obediência, passou pela estreita passagem ardente e saiu, são e salvo, pelo outro lado; devido à sua grande Fé foi o Irmão Pedro beatificado (celebrando-se a sua festa a 8 de Fevereiro no Martirológio Romano). Quando os fiéis - leigos - viram este sinal milagroso, ergueram-se todos à uma e expulsaram de Florença o Arcebispo: este teve de pôr a sua vida a salvo; e o Papa teve de designar um digno substituto.

O afastamento de
Prelados rebeldes já nos nossos dias

        O que é que este acontecimento da História da Igreja nos diz sobre a nossa actual situação? Mostra-nos que os leigos têm o direito e o dever de se protegerem de Prelados que, transviados, estão a causar males à Igreja e às almas devido ao seu comportamento desviante. Neste tempo sem paralelo de crise na Igreja, dificilmente estaremos sozinhos na busca - episódica - deste remédio que o Papa nos pode dar.

        Vejamos: em Março de 2002, o Santo Padre recebeu uma petição canónica de diversos membros dos fiéis da Arquidiocese de San Antonio [Estados Unidos], solicitando o afastamento do Arcebispo Flores do seu cargo, com o fundamento de ele ter encoberto actos criminosos de abuso sexual por parte de Padres homossexuais sob a sua jurisdição e de ter pago com milhões de dólares o silêncio das vítimas destes predadores. A petição levada ao Papa acusa o Arcebispo Flores de ter «sido gravemente negligente no exercício do seu cargo episcopal, de não ter devidamente protegido os bens temporais da Arquidiocese e de ter prejudicado a Fé das pessoas que, devido ao seu cargo de Arcebispo, lhe estavam entregues, ao deixar predadores sexuais à rédea solta no seio do Clero6.» Semelhantemente, milhares de Fiéis apelaram à resignação do Cardeal Law da Arquidiocese de Boston, pela sua cumplicidade ao dar cobertura a dúzias de predadores homossexuais, livrando-os não só de serem desmascarados como de uma punição7.

        Seria possível alguém acusar os Fiéis das Arquidioceses de San Antonio, ou de Boston, de arrogância - pelo facto de terem exercido o seu direito, canónico e dado por Deus, de exigirem o afastamento de Prelados cujos actos e omissões tanto mal causaram à Igreja e a inúmeras vítimas inocentes? Então, por que peculiar padrão de justiça estarão os Prelados do aparelho de estado do Vaticano isentos de prestar contas ao Santo Padre pelas suas acções? É evidente que eles não estão isentos. Todavia, se o abuso sexual de membros do rebanho pelos seus próprios pastores é um dos escândalos mais graves, a ponto de justificar um movimento de leigos contra os Padres que cometem tais actos abomináveis, e contra os Bispos ou mesmo Cardeais que têm acobertado os malfeitores, sucede que há um escândalo ainda maior que este. Referimo-nos ao escândalo que é a rejeição das próprias prescrições que a Mãe de Deus trouxe pessoalmente à Igreja, em Fátima - prescrições essas que, tivessem elas sido seguidas, teriam evitado o escândalo sexual que agora despedaça a Igreja assim como toda a crise eclesial e mundial que agora vemos. E referimo-nos também ao escândalo do Vaticano, cujo aparelho de Estado nada faz para combater os verdadeiros inimigos da Igreja no seu próprio seio, enquanto persegue o seu Clero fiel e tradicional, pelo “delito” de este se conservar muito estritamente fiel ao Catolicismo, tendo em conta a “realidade eclesial de hoje” - para evocar uma vez mais a inconfidência do Cardeal Castrillón Hoyos. Não foi por mais razão nenhuma, senão para evitar este colapso da Fé e da disciplina na Igreja que nós hoje testemunhamos, que Nossa Senhora desceu a Fátima. Ora foi precisamente à Mensagem de Fátima que os acusados dedicaram tanto tempo e esforço só para a sepultarem - não tendo feito virtualmente nada quanto à crise eclesial que tudo devastava em seu redor.

        O exemplo de S. João Gualberto ensina-nos também que, quando Deus envia um sinal através de um mensageiro - por Ele escolhido -, os leigos ficam autorizados a apoiar-se nesse sinal, mesmo se os mais altos Prelados da Igreja preferirem ignorá-lo. É o caso da Mensagem de Fátima, em favor da qual não podia haver maior sinal do Céu do que o Milagre do Sol. A Mensagem de Fátima envolve claramente um aviso acerca da apostasia e da prática do mal entre os membros da mais alta Hierarquia, assim como da queda de muitas almas consagradas do seu posto. Neste preciso momento, nós bem podemos testemunhar o cumprimento desta profecia. Logo, estamos autorizados a apoiar-nos no sinal do Céu que veio autenticar essa profecia para além de toda a dúvida racional - não importando o que os detractores da Mensagem de Fátima possam clamar no Vaticano.

        Conhecendo o que o Céu nos fez saber em Fátima, é um dever nosso, como membros da Igreja, tentar convencer o Papa a afastar os conselheiros desviantes que o rodeiam, em especial os acusados, e a seguir preferencialmente as recomendações da Mãe de Deus em Fátima. Devemos instar com o Papa para que faça a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria exactamente da maneira que a Virgem pediu, sem alteração por parte de algum desses sábios mundanos que estão no aparelho de estado do Vaticano. E mais: temos o dever de pedir ao Santo Padre que, se necessário for, destitua do seu cargo qualquer Prelado do Vaticano que intente impedir o Papa de honrar os pedidos da Virgem Santíssima.

        Devemos ainda, semelhantemente, pedir ao Papa que afaste dos seus cargos todos os que, como os acusados, têm conspirado para evitar a plena revelação do Terceiro Segredo de Fátima - que, obviamente, é da mais alta importância, não só para compreender e combater a crise da Igreja como para nos protegermos dos seus efeitos espirituais devastadores (dos quais os crimes nefandos cometidos por tantos Padres não são mais do que uma manifestação). Os Fiéis estão, pois, credenciados para exigirem saber o que é que o próprio Céu deseja que façam, para a sua salvação espiritual. As acções concertadas dos que querem evitar a revelação completa do Terceiro Segredo são crimes graves não só contra a Igreja e contra a Bem-Aventurada Sempre Virgem Maria, mas também contra o próprio Deus Todo-Poderoso.

A Igreja precisa urgentemente de Prelados militantes

        A Igreja precisa, hoje mais do que nunca, de verdadeiros soldados de Cristo - homens que possuam uma inabalável militância católica, que não tenham medo de um confronto com as forças do Mundo que invadiram a Igreja, enquanto os acusados, e os seus muitos colaboradores no aparelho de estado do Vaticano, ali ficavam sem fazer nada a não ser encorajar essa invasão. E a Igreja precisa de homens prontos a actuar decisivamente para arrancarem pela raiz a heresia e o escândalo pandémicos que se instalaram na Igreja, em vez de perseguirem e oprimirem o Clero tradicional católico que se recusa a ser “inserido” na “realidade eclesial de hoje” do Cardeal Castrillón Hoyos. Do que a Igreja precisa é de combatentes espirituais, e não de especialistas no “diálogo”, no “ecumenismo” e na Ostpolitik.

        A Mensagem de Fátima é, em si mesma, uma chamada a uma cruzada espiritual - a um combate que vai culminar na Consagração e na Conversão da Rússia, e no Triunfo do Imaculado Coração de Maria. Os acusados olham tudo isto com a irritação própria de quem se julga mais iluminado do que todas as gerações de Santos, Doutores da Igreja, Mártires e Papas da Santa Igreja Católica cuja militância, percorrendo os séculos, é um testamento vivo das próprias palavras de Jesus Cristo:

       «Se o Mundo vos aborrece, sabei que, primeiro do que a vós, me aborreceu a Mim. Se fôsseis do Mundo, o Mundo amaria o que era seu; mas, porque não sois do Mundo, antes Eu vos escolhi do meio do Mundo, por isso o Mundo vos aborrece.» (S. João, 15:18-20)
       «Não julgueis que Eu vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz, mas a espada. Porque Eu vim separar o filho de seu pai, e a filha de sua mãe, e a nora da sua sogra. Assim, os inimigos de cada homem habitarão na sua própria casa.» (S. Mateus, 10:34-36)

        Tempo demais já sofreu a Igreja sob o governo daqueles que nos querem fazer crer que não há combate algum entre, por um lado, Cristo e a Sua Igreja e, por outro, o Mundo. Tempo demais se deixaram estes homens perseguir e promover a sua falsa visão de uma Igreja reconciliada com o Mundo - de preferência a um Mundo reconciliado com a Igreja. Tempo demais estes homens puseram à Igreja o freio da visão utópica da paz no Mundo entre os homens de todas as religiões (ou sem religião alguma), em vez da verdadeira Paz que só pode existir quando a alma dos Homens foi já conquistada pela Graça de Cristo-Rei - da qual Ele se digna fazer mediadores para os Homens o Imaculado Coração de Maria e a Santa Igreja Católica.

        Fátima mostra-nos o caminho para esta verdadeira Paz no Mundo. Porém, os homens a que nos referimos bloquearam-nos o caminho impedindo-nos de o seguir, expondo a Igreja e o Mundo inteiro ao perigo de uma calamidade - que será a derradeira. Ora, se as vítimas de escândalo e de abuso sexual por parte de membros do Clero têm o direito de lutar pelo afastamento dos Prelados por cuja negligência se instalou o escândalo, muito mais estamos nós habilitados a lutar por um mesmo tratamento para aqueles Prelados que presidiram à escandalosa campanha de invalidar a Mensagem de Fátima. São esses homens que maliciosamente obstaram a que se cumprisse a Mensagem de Fátima - eles, e não os Católicos em geral - que têm falta de visão. São eles, e não nós, que são de espírito tacanho. São eles, e não nós, que não conseguem ver a realidade. Por isso, são eles que devem ser afastados, para o Bem de toda a Humanidade.



Notas

1. Summa Theologiae, São Tomás de Aquino, Q. 33, Art. V, Pt. II-II.

2. S. Roberto Belarmino, De Romano Pontifice, Livro II, Cap. 29.

3. De Fide, Disp. X, Sec. VI, N. 16.

4. The Whole Truth About Fatima - Vol. II: The Secret and the Church, pp. 543-544. Veja-se ainda Toute la vérité sur Fatima - Vol. II: Le Secret et l'Église, pp. 344-345.

5. Cf. Coralie Graham, “Divine Intervention”, The Fatima Crusader, nº 70, Primavera de 2002, p. 8 e segs.

6. “Abuse Victims File Petition Seeking Removal of Archbishop”, The Wanderer, 4 de Abril de 2002.

7. «Documentos internos da Igreja revelaram que, desde meados dos anos 80 e continuando pelos anos 90, o Cardeal Law e os seus mais altos assessores tinham conhecimento dos problemas em torno do Padre Geoghan, eventualmente acusado de molestar mais de 130 crianças num total de 30 anos. Em Fevereiro foi condenado entre 9 e 10 anos de prisão por manter carícias ilícitas com um menino de 10 anos. Logo que foi conhecido o papel da Igreja [isto é, o papel das chefias da Arquidiocese de Boston] encobrindo o Padre Geoghan, o Cardeal entregou à acusação os nomes de mais de 80 sacerdotes acusados, desde há décadas, de abusos sexuais.» Citado de “As Scandal Keeps Growing, Church and Its Faithful Reel”, New York Times, 17 de Março de 2002.

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