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Capítulo 16 Delineando uma acusação formal Grande é a calamidade que agora aflige a Santa Igreja e a vastidão do Mundo. Nestes tempos estranhos - tal como nos da Crise Ariana -, o laicado deve meter ombros a fardos que, em épocas normais, não lhe competiriam. Como membros do Corpo Místico de Cristo, temos o dever de tomar medidas positivas de oposição a essa crise, de acordo com o nosso estado de vida. Se assim fizermos, não poderemos ser destroçados por esse falso apelo à piedade que nos incita à condescendência, na errónea presunção de que “É Deus Quem cuida da sua Igreja” - falso apelo se com isso se quer significar que o comum dos Católicos nada deve fazer para se opor aos erros e às injustiças praticados por membros da Hierarquia; mas, antes, submeter-se cegamente a qualquer decisão da autoridade, por mais destruidoras que sejam as consequências. O nosso dever em Justiça e Caridade Ora, não é isto o que um Católico deve fazer. Não foi isto o que fizeram os leigos e o Clero fiéis durante a Crise Ariana, e não é isto o que nós devemos fazer hoje. O nosso silêncio e aquiescência em face deste progressivo desastre seria, antes de mais, uma injustiça para com a Igreja e a traição do nosso dever solene de Justiça, decorrente da nossa condição de Católicos confirmados como soldados de Cristo. Tal dever de Justiça é, também, obrigação nossa em Caridade para com os nossos irmãos Católicos, incluindo os nossos superiores na Hierarquia. É nosso dever em Caridade para com os nossos superiores opormo-nos àquilo que está a acontecer na Igreja, mesmo se tal oposição implica dar o passo - extremo - de ter de censurar, em público, esses mesmos superiores. Como disse São Tomás de Aquino: «se a Fé está em perigo, qualquer súbdito tem o dever de censurar o seu Prelado, mesmo publicamente.» E porque é que será ao mesmo tempo Justiça e Caridade que, nestes casos, um súbdito censure o seu Prelado, mesmo que o faça publicamente? Neste ponto, São Tomás observa que a censura pública a um Prelado «pareceria ter o sabor de um orgulho insolente; mas não há presunção alguma no facto de alguém pensar de um modo melhor sobre determinado assunto, porque nesta vida não há ninguém que não tenha algum defeito. Devemos também lembrar-nos de que, quando uma pessoa censura o seu Prelado inspirada pela Caridade, isso não significa que ela se julgue, porventura, melhor; mas apenas que está a oferecer a sua ajuda a quem, “estando de entre vós em posição mais alta, por isso mesmo se encontra em maior perigo”, como Santo Agostinho observa na sua Regra, supra citada1.» Claro que há também perigo para os nossos irmãos católicos - o perigo mais grave possível -, vindo do actual curso de inovações destrutivas que é seguido por certos membros do aparelho de estado do Vaticano que voltaram as costas não só à Mensagem de Fátima como a todo o passado da Igreja. A lição de São Tomás, sobre o dever de censurarmos os nossos superiores sempre que as suas acções ameacem prejudicar a Fé, reflecte o ensinamento unânime dos Santos e dos Doutores da Igreja. Dizia São Roberto Belarmino, Doutor da Igreja, na sua obra sobre o Pontífice Romano, que até o Papa pode ser alvo de censura e de oposição, se for uma ameaça e perigo para a Igreja: Do mesmo modo que é lícito opor-se a um Pontífice que agride o corpo, é também lícito opor-se àquele que agride as almas ou perturba a ordem pública ou que, acima de tudo, atenta no sentido da destruição da Igreja. Afirmo que é lícito opor-se-Lhe, não fazendo o que Ele ordena e evitando que a Sua vontade seja executada; já não é lícito, contudo, julgá-lo, puni-lo ou depô-lo, uma vez que tais actos são da competência de um superior2. Semelhantemente, o eminente teólogo do séc. XVI, Francisco Suárez (que recebeu do Papa Paulo V a elogiosa designação de Doctor Eximius et Pius, “Doutor Excepcional e Piedoso”) ensinou o seguinte: E desta segunda maneira o Papa podia ser cismático, se Ele não quisesse estar em união normal com todo o corpo da Igreja, como seria se Ele quisesse excomungar toda a Igreja ou, como observa tanto Cajetan como Torquemada, se Ele quisesse subverter os ritos da Igreja baseados na Tradição Apostólica. (…) Se [o Papa] der uma ordem contrária aos bons costumes, Ele não deve ser obedecido; se Ele tentar fazer algo manifestamente contrário à Justiça e ao Bem comum, será legítimo resistir-Lhe; se Ele atacar pela força, é pela força que deve ser repelido, [embora] com a moderação apropriada a uma justa defesa3. Ora, se até ao Papa se pode, legitimamente, oferecer oposição quando (ou se) toma medidas que iriam fazer mal à Igreja, quanto mais aos Prelados a quem temos o dever de acusar aqui. Muito simplesmente, como disse o Papa São Félix III, «Não se opor ao erro é aprová-lo; e não defender a verdade é suprimi-la.» Os membros do laicado e do baixo Clero não estão isentos desta injunção. Todos os membros da Igreja estão sujeitos a ela. Por isso temos um dever: o de falar abertamente. Temos o dever de chamar a atenção do Santo Padre para aquilo que, em consciência, acreditamos ser uma bem fundada acusação aos Prelados mencionados neste livro (e aos seus muitos colaboradores) de terem causado - e estarem na iminência de continuar a causar - um grande mal à Igreja e ao Mundo, com os seus ataques à Mensagem de Fátima. Temos o dever de suplicar ao Santo Padre que repare o crime que, segundo cremos, estes homens cometeram. Estamos, pois, a apresentar o caso à sua consideração, leitor, como membro da Santa Igreja Católica. Iremos agora sumariar brevemente aquilo que as provas demonstram, em geral, e o que elas evidenciam, em particular, das acções daqueles que acusámos nesta obra. Na generalidade, demonstrámos o seguinte: Primeiro: a Mensagem de Fátima é uma verdadeira profecia, autêntica, e de vital importância para a Igreja e o Mundo, nesta época da História humana. A Mensagem foi trazida, em pessoa, pela Mãe de Deus, e autenticada por milagres públicos indiscutíveis e testemunhados por dezenas de milhar de pessoas; foi pronunciada como digna de crédito pela Igreja e recebeu a confirmação de uma série de Papas, incluindo o Papa João Paulo II. Em suma: a Mensagem de Fátima não pode, simplesmente, ser ignorada. Foi Ele próprio quem disse que «a Igreja se sente interpelada por essa Mensagem». Segundo: a Mensagem de Fátima apela ao estabelecimento no Mundo da devoção ao Imaculado Coração de Maria - isto é, da Fé Católica - por todo o Mundo. Para esse fim, o próprio Deus decretou as seguintes coisas para o nosso tempo: a Consagração pública e solene da Rússia - específica e unicamente a Rússia - ao Imaculado Coração de Maria, pelo Papa em união com todos os Bispos; a conversão da Rússia ao Catolicismo; e o consequente Triunfo do Imaculado Coração, tanto na Rússia como em toda a parte. Terceiro: o Terceiro Segredo de Fátima (na porção ainda por revelar) prediz aquilo que os Católicos vêem à sua volta nos dias de hoje: uma catastrófica perda de Fé e de disciplina na Igreja - heresia, escândalo, apostasia, que atingem quase cada canto do mundo católico. Para além de uma montanha de outras evidências que sobre este ponto apresentámos, há uma delas que, por si só, o prova cabalmente: a frase crucial da Mensagem que os acusados ocultaram e tentaram fazer esquecer de todos: «Em Portugal, se conservará sempre o dogma da Fé etc.» - em Portugal, sim; mas não em outros países, como estamos a ver. Quarto: a Irmã Lúcia insistiu para que o Terceiro Segredo fosse tornado público em 1960, porque nesse ano ele seria «mais claro». Quinto: em 1960 foi convocado o Concílio Vaticano Segundo. Os homens que governaram a Igreja a partir de 1960 deram ao Seu elemento humano uma orientação inteiramente nova - o que foi feito por meio de uma “abertura ao Mundo”, através da qual o “diálogo” com hereges, cismáticos, comunistas, ateus e outros oponentes da única e verdadeira Igreja substituiu, de facto, a oposição ao erro - que, antes, a Igreja tinha mantido intransigentemente -, assim como a Sua obrigação de transmitir às gerações seguintes a Fé Católica, total e inviolada, como Cristo lhes mandara que fizessem. E, não contentes com ignorar o seu solene dever de conservar e transmitir a Fé, eles perseguiram ainda aqueles que procuravam aderir a esse dever. Sexto: já em 1973, o Papa Paulo VI era forçado a admitir: «A abertura ao Mundo transformou-se numa verdadeira invasão da Igreja pelo pensamento mundano» - ou seja, pelo liberalismo. Esta invasão da Igreja pelo liberalismo, e o consequente colapso da Fé e da disciplina no interior da Igreja, constituem o ansiado objectivo da Maçonaria organizada e do Comunismo: não a completa aniquilação da Igreja, que eles sabiam ser impossível, mas a Sua adaptação às ideias liberais. O estado presente da Igreja é, precisamente, o que essas forças haviam audazmente anunciado que iriam conseguir e, precisamente também, aquilo que uma longa linha de Papas pré-conciliares avisara ser o objectivo das suas conspirações. Sétimo: em vez de lutarem contra essa nova orientação que adapta a Igreja às ideias liberais, os homens da Igreja pós-conciliar (incluindo aqueles que aqui acusamos) continuaram, inflexivelmente, a segui-la, tomando e implementando decisões em nome do Concílio Vaticano II, o que inclui a Ostpolitik, uma política pela qual muitos membros da Igreja foram forçados a evitar qualquer condenação ou oposição activa aos regimes comunistas; a “iniciativa ecuménica” e o “diálogo inter-religioso” que, de facto, significam o abandono da conversão dos não-Católicos à única e verdadeira religião, e do dogma de que a Igreja Católica é a única Igreja verdadeira, fora da qual não há salvação; a introdução, em documentos conciliares e pós-conciliares, de uma novel terminologia cuja ambiguidade (tal como as fórmulas dos Arianos, no século IV) está a enfraquecer insidiosamente a crença nos dogmas da Fé; uma “reforma” da liturgia sem quaisquer precedentes, que consistiu em abandonar o Rito Latino tradicional; permissão ou tolerância de diversas formas de heteropraxis (práticas condenáveis) - tais como receber a Comunhão na mão, haver raparigas no serviço do altar, retirar o Sacrário do seu lugar no altar, etc. - que destroem a crença na Sagrada Eucaristia e no Sacerdócio sacrificial. Oitavo: a Mensagem de Fátima - com o seu simples apelo a uma pública Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria feita pelo Papa e pelos Bispos, a conversão da Rússia ao Catolicismo, e o Triunfo do Imaculado Coração (e, com Ele, da Igreja Católica) por todo o mundo - não pode conciliar-se com a nova orientação da Igreja, na qual a Ostpolitik, o “diálogo ecuménico” e o “diálogo inter-religioso” impedem a Igreja de declarar publicamente que a Rússia deve ser consagrada e convertida à verdadeira religião, para o bem dessa nação e de todo o mundo. Nono: os eclesiásticos que implementaram a nova orientação (incluindo os acusados) tentaram “rever” a Mensagem de Fátima para a conformarem àquela nova orientação - o que foi feito insistindo numa “interpretação” da Mensagem que elimina: qualquer consagração da Rússia pelo seu nome (o que eles consideraram uma intolerável ofensa “ecuménica” ou uma “provocação” aos Ortodoxos Russos), qualquer conversão da Rússia à Fé Católica (o que expressamente abandonaram, como uma eclesiologia “ultrapassada”), e qualquer Triunfo do Imaculado Coração de Maria por todo o mundo (o que consideram “triunfalista”, embaraçoso e “não-ecuménico”). Décimo: o actual Secretário de Estado do Vaticano, o Cardeal Sodano - que assumiu de facto o controle do governo quotidiano da Igreja, desde a reorganização da Cúria Romana pelo Cardeal Jean Villot (maçom e Secretário de Estado do Papa Paulo VI) - ditou uma Linha Partidária sobre Fátima, segundo a qual a Mensagem de Fátima em geral e o Terceiro Segredo em particular devem ser ‘enterrados’, por via de uma “interpretação” que elimina as profecias de acontecimentos futuros - transformando-as em eventos passados, e reduzindo o seu conteúdo especificamente católico a uma genérica e simples piedade “cristã” que não ofende nem os Ortodoxos Russos nem os Protestantes. Décimo primeiro: a Linha do Partido sobre Fátima deste Secretário de Estado foi citada nada menos que quatro vezes no comentário sobre a Mensagem de Fátima e o Terceiro Segredo dado a público pelo Cardeal Ratzinger e por Monsenhor Bertone, a 26 de Junho de 2000. Décimo segundo: assim, de acordo com a Linha do Partido sobre Fátima, o Terceiro Segredo foi só parcialmente revelado (se é verdade que aquilo que foi dado a público faz parte dele), e a visão do “Bispo vestido de Branco” a ser executado por soldados no exterior de uma cidade meio em ruínas foi “interpretada” como tendo sido apenas aquele atentado - falhado - há 21 anos, à vida do Papa João Paulo II, por um só assassino. Décimo terceiro: essa porção do Terceiro Segredo que contém “as palavras da Santíssima Virgem” (assim referida pelo Vaticano, em 1960) - palavras que, ao que tudo indica, se seguem à frase incompleta «Em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé etc.» -, tem sido retida e negada aos fiéis. Décimo quarto: na realidade, o Terceiro Segredo foi revelado na sua essência - não só pelo depoimento de numerosas testemunhas mas até pelo próprio Papa João Paulo II que (em sermões em Fátima) por duas vezes relacionou explicitamente a Mensagem de Fátima com o Livro do Apocalipse e, em particular, com a queda de um terço das estrelas (almas consagradas) do Céu, depois de arrastadas e derrubadas “pela cauda do dragão” (Apoc. 12:3,4) - acontecimento nunca apercebido em citação alguma das duas primeiras partes da Mensagem e, portanto, indubitavelmente percepcionado no Terceiro Segredo. Décimo quinto: numa vã tentativa de abafar as legítimas dúvidas levantadas pela Linha do Partido sobre Fátima, o aparelho de estado do Vaticano conduziu uma “entrevista” secreta com a Irmã Lúcia - da qual não há transcrição nem outro registo completo - onde, ao que parece, ela foi essencialmente induzida a “concordar” ter sido ela a inventar aqueles elementos da Mensagem de Fátima que contradizem a Linha do Partido e, ainda, induzida a repudiar (sem a mais leve explicação) o seu testemunho - inalterável durante 60 anos - de que a Consagração da Rússia requer que o nome da Rússia seja explicitado e que nela participem tanto o Papa como os Bispos do Mundo, numa cerimónia pública conjunta. Décimo sexto: aqueles que não cederem à nova orientação da Igreja, o que inclui a adesão à Linha do Partido sobre Fátima, estão sujeitos a perseguição e “saneamento”, através de “suspensão”, ameaças de “excomunhão” e outras formas de injusta disciplina, enquanto os que seguem a nova orientação e a Linha do Partido sobre Fátima são deixados em paz ou mesmo recompensados - mesmo no caso de promoverem a heresia, ou se manterem em clara desobediência à Liturgia ou a outras Leis da Igreja, ou cometerem indizíveis escândalos sexuais. Tal como no tempo da Heresia Ariana, vemo-nos perante a mesma situação que São Basílio Magno lamentava: «Só uma ofensa é agora vigorosamente castigada: uma observância estrita às tradições dos nossos Pais. Por causa disto, os piedosos são exilados dos seus países e levados para desertos.» Décimo sétimo: como resultado directo deste esforço concertado de rever, obscurecer e enterrar a Mensagem de Fátima em prol da nova orientação - a Rússia, não tendo sido consagrada, não se converteu, mas só se degenerou ainda mais; a Igreja está nos abismos de uma crise sem precedentes, e muitas almas estão em risco de se perderem. É que Nossa Senhora de Fátima disse: «Se fizerem o que Eu disser, salvar-se-ão muitas almas.» E acrescentou ainda: «Vão muitas almas para o Inferno, por não haver quem se sacrifique e peça por elas.» Com respeito à sua própria missão, a Irmã Lúcia disse ao Padre Fuentes a 26 de Dezembro de 1957: «(…) a minha missão não é indicar ao Mundo os castigos materiais que decerto virão sobre a terra, se, antes, o Mundo não fizer oração e penitência. Não. A minha missão é indicar a todos o perigo iminente em que estamos de perder para sempre a nossa alma, se persistirmos em continuar agarrados ao pecado.» Consequentemente, o Mundo está perante a aniquilação de várias nações - que, segundo avisou Nossa Senhora de Fátima, seria o resultado da rejeição dos Seus pedidos. Agora, com respeito aos Prelados que nos vemos compelidos a acusar nominalmente diante da Igreja, ficou estabelecido o seguinte mediante provas substanciais: Quanto ao Cardeal Angelo SodanoPrimeiro: como Secretário de Estado do Vaticano, o Cardeal Sodano é, em absoluto, a figura de maior poder na Igreja de hoje, dada a reorganização da Cúria romana sob o papado de Paulo VI; assim, e em especial devido ao enfraquecimento da saúde do Sumo Pontífice, o Cardeal Sodano é, de facto, quem governa os assuntos do quotidiano da Igreja. Segundo: devido às mesmas reformas curiais do Papa Paulo VI, o Cardeal Sodano está no Vaticano à cabeça de cada dicastério, incluindo a Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) que (quando tinha a designação de Santo Ofício) era formalmente encabeçada pelo Papa. Terceiro: foi o Cardeal Sodano quem ditou aquilo a que chamámos a Linha do Partido sobre Fátima, isto é, a falsa ideia de que a Mensagem de Fátima, incluindo o Terceiro Segredo, pertence inteiramente ao passado, e que ninguém deve, pois, continuar a pedir a Consagração da Rússia. Sabemos isto porque:
Quarto: o Cardeal Sodano, na condição de quem governa, de facto, os assuntos do quotidiano da Igreja, reforçou vigorosamente a nova orientação da Igreja no que respeita a Fátima. Sabemos isto porque:
Quanto ao Cardeal Joseph RatzingerPrimeiro: o Cardeal Ratzinger, como chefe da Congregação para a Doutrina da Fé, reiterou em inúmeras ocasiões o seu comprometimento com a nova orientação da Igreja - que ele descreveu como a “demolição de bastiões”, num livro publicado logo que se tornou chefe da CDF. Segundo: em concordância com esta “demolição de bastiões”, o Cardeal Ratzinger declarou abertamente que, segundo ele, o Beato Pio IX e São Pio X “viram apenas um dos lados” aquando das Suas solenes e infalíveis condenações do liberalismo, e que os Seus ensinamentos foram “refutados” pelo Concílio Vaticano II. Declarou ainda que a Igreja Católica não mais procuraria converter todos os Protestantes e cismáticos, que Ela não tinha o direito de “absorver” as suas “igrejas e comunidades eclesiais”, antes deveria dar-lhes um lugar numa “unidade na diversidade” - ponto de vista obviamente irreconciliável com a consagração e a conversão da Rússia à Fé Católica. O ponto de vista do Cardeal Ratzinger é, no mínimo, suspeito de heresia. Terceiro: um dos “bastiões” que o Cardeal Ratzinger desejava “demolir” era a compreensão tradicional católica da Mensagem de Fátima. Quarto: e o Cardeal Ratzinger desejou fazer essa demolição do bastião de Fátima em AMF, comentário que ele publicou. Quinto: AMF tenta destruir o autêntico conteúdo católico e profético da Mensagem, servindo-se das seguintes fraudes exegéticas:
Sexto: o Cardeal Ratzinger sustentou, em AMF, que «devemos supor, como afirma o Cardeal Sodano, que “(…) os acontecimentos a que faz referência a terceira parte do ‘segredo’ de Fátima pareçam pertencer já ao passado”»; e que o Terceiro Segredo culminou com a tentativa falhada de assassinato [do Papa João Paulo II] em 1981. Sétimo: ao adoptar a Linha do Partido do Cardeal Sodano acerca do Terceiro Segredo, o Cardeal Ratzinger contradiz, em absoluto, o seu próprio testemunho de 1984 - três anos depois da tentativa de assassínio -, segundo o qual o Terceiro Segredo é uma “profecia religiosa”, referente a «perigos que ameaçam a Fé e a vida do Cristão e, consequentemente, do Mundo» - não tendo dado a entender, de modo algum, nessa ocasião que o Segredo se referia à tentativa de assassinato de 1981 nem a qualquer outro acontecimento passado. Oitavo: reforçando a Linha do Partido, o Cardeal Ratzinger, na conferência de imprensa de 26 de Junho de 2000, esforçou-se por criticar o Padre Nicholas Gruner informando a imprensa mundial de que o este Sacerdote “deve submeter-se ao Magistério” e aceitar a alegada consagração do Mundo, de 1984, como uma consagração da Rússia. Isto é: para o Cardeal Ratzinger, o Padre Gruner tem de se submeter à Linha do Partido do Cardeal Sodano. Tal alegação do Cardeal Ratzinger é falsa, por não ter havido nenhum pronunciamento com autoridade do Magisterium: nem do Papa, nem de um Concílio, nem do Magisterium Ordinário e Universal. Nono: em suma, o Cardeal Ratzinger, pondo em prática a Linha do Partido, abusou conscientemente da sua posição de chefe da Congregação para a Doutrina da Fé para dar a falsa aparência de peso e validade teológicos a uma vergonhosa “desconstrução” da Mensagem de Fátima - uma atitude tão descarada que até o Los Angeles Times pôs como subtítulo à sua notícia de AMF e da conferência de imprensa de 26 de Junho de 2000 o seguinte:
Quanto a Monsenhor Tarcisio BertoneNa sua qualidade de Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, também Mons. Bertone pôs em prática a Linha do Partido ditada pelo Cardeal Sodano. Primeiro: Mons. Bertone perpetrou uma fraude (demonstrável) ao afirmar em AMF que «A Irmã Lúcia confirmou pessoalmente que este acto, solene e universal, de consagração [do Mundo, em 1984] correspondia àquilo que Nossa Senhora queria: “Sim, está feita tal como Nossa Senhora a pediu, desde o dia 25 de Março de 1984” (carta de 8 de Novembro de 1989). Por isso, qualquer discussão e ulterior petição [para a consagração da Rússia] não tem fundamento.» Segundo: ora a fraude é demonstrável, uma vez que a citada «carta de 8 de Novembro de 1989» foi impressa em computador - coisa que a idosa Irmã Lúcia não utiliza, e contém um erro de facto que a Irmã Lúcia nunca poderia ter cometido: ou seja, que o Papa Paulo VI realizou uma consagração do Mundo durante a sua visita a Fátima em 1967 - quando este Papa não consagrou coisa alguma nesta Sua rápida passagem pela Cova da Iria. Terceiro: Mons. Bertone baseia-se apenas e propositadamente na «carta de 8 de Novembro de 1989» que é claramente falsa, embora ele (e todo o aparelho de estado do Vaticano), uma vez que tinha um total acesso à Irmã Lúcia em Abril-Maio de 2000, pudesse ter-lhe pedido então que confirmasse se a consagração do Mundo de 1984 era suficiente como substituto da consagração da Rússia - contrariamente ao que ela testemunhou, de modo consistente, durante décadas. Quarto: Mons. Bertone que, segundo a Linha do Partido do Cardeal Sodano, considerou que Fátima «pertence ao passado», toma a ousadia de afirmar em AMF que «A decisão (…) [do] Santo Padre João Paulo II» em publicar o conteúdo do Terceiro Segredo a 26 de Junho de 2000, «encerra um pedaço de história, marcado por trágicas veleidades humanas de poder e de iniquidade» - asserção displicente, absurda e fraudulenta, que ignora a realidade e contribui para a presente exposição ao perigo, tanto da Igreja como de todo o Mundo. Quinto: em resposta à crescente dúvida do público, sobre se teria sido completa a revelação do Terceiro Segredo e da Consagração da Rússia pelo Vaticano, Mons. Bertone preparou uma “entrevista” secreta com a Irmã Lúcia no seu convento em Coimbra, cujos alegados resultados não foram dados a público senão passado mais de um mês. Sexto: ora, embora a “entrevista” tenha supostamente durado mais de duas horas, Mons. Bertone fornece apenas quarenta e quatro palavras da Irmã Lúcia relacionadas com a Consagração da Rússia e o Terceiro Segredo - palavras essas que são apresentadas sem qualquer contexto, pelo que nos é impossível saber exactamente o que teria sido perguntado à Irmã Lúcia e como terá ela exactamente respondido. Sétimo: entre outras coisas incríveis, esperam que nós acreditemos que, nesta entrevista de duas horas da qual nos são fornecidas apenas quarenta e quatro palavras,
Oitavo: da tal “entrevista” de duas horas não foi publicada transcrição alguma, nem outra qualquer gravação [ou registo]; apenas um sumário, em língua italiana, em L'Osservatore Romano, assinado por Mons. Bertone e (alegadamente) pela Irmã Lúcia - que nem sequer fala Italiano. (A “assinatura” da Irmã Lúcia não aparece na tradução inglesa do “sumário”.) Nono: foi Mons. Bertone quem conduziu essa “entrevista”, embora ele estivesse pessoalmente interessado em coagir a Irmã Lúcia a apoiar a Linha do Partido e em defender a sua absurda afirmação de que a conferência de imprensa de 26 de Junho de 2000 «encerra um pedaço de história, marcado por trágicas veleidades humanas de poder e de iniquidade (…)». Quanto ao Cardeal Dario Castrillón HoyosO principal papel do Cardeal Castrillón Hoyos neste assunto foi pôr em prática a Linha do Partido [do Cardeal Sodano] e servir a nova orientação da Igreja procurando, na sua qualidade de chefe da Congregação para o Clero, esmagar o apostolado de Fátima e destruir o bom nome do Padre Nicholas Gruner - que representa o maior foco de ‘resistência’ perante o esforço de sepultar a Mensagem de Fátima. As provas demonstram que: Primeiro: a nova orientação da Igreja permitiu que o Clero católico fosse completamente infiltrado por homossexuais, pederastas e hereges, que não trazem senão a vergonha à Igreja - em detrimento de tantos bons Sacerdotes que, tal como o Padre Gruner, têm respeitado os seus votos e guardado a Fé. Segundo: a despeito da crise de Fé e disciplina que grassa entre o Clero, varrendo todos os continentes, este Cardeal Castrillón Hoyos tem emitido condenações públicas, avisos de “suspensão” e, até, uma ameaça de excomunhão, respeitante a um único Sacerdote da Igreja Católica: o Padre Nicholas Gruner (Nota do editor: talvez agora haja mais um), que não cometeu ofensa alguma contra a Fé nem a Moral, que honrou o seu voto de celibato, que conservou a Fé e que não fez absolutamente nada merecedor de qualquer castigo - quanto mais a punição cruel e invulgar que lhe foi imposta pelo Cardeal Castrillón Hoyos, sob as ordens do Cardeal Sodano que, de facto, se arrogou a si próprio o poder do Papado. Terceiro: os únicos Sacerdotes que o Cardeal Castrillón Hoyos, durante o seu mandato, sujeitou a medidas disciplinares duras e imediatas são Padres “tradicionalistas” que ele considerou insuficientemente “inseridos” na “realidade eclesial de hoje” e na “Igreja do nosso tempo” - isto é, a nova orientação, pela qual ele exercita um zelo muito mais diligente do que em prol da integridade moral e doutrinal do sacerdócio. Quarto: na sua carta ao Padre Gruner, a 5 de Junho de 2000, o Cardeal Castrillón Hoyos ameaçava-o com a excomunhão - apenas alguns dias antes da (já referida) conferência de imprensa de 26 de Junho de 2000, convocada, sob a direcção do Cardeal Sodano, para “demolir com luva branca” a Mensagem de Fátima. Quinto: a 16 de Fevereiro de 2001, o Cardeal Castrillón Hoyos enviou nova carta ao Padre Gruner, reiterando a ameaça de “excomunhão” e exigindo-lhe que “publicamente retractasse” a sua crítica, quer ao Cardeal Sodano quer a outros assuntos de livre opinião na Igreja encontrados em alguns artigos da The Fatima Crusader - exigência sem precedentes e que não deixa de ser risível, considerando a profusão de literatura herética que hoje é promovida por Padres infiéis e até por Bispos, em relação aos quais o Cardeal Castrillón Hoyos não toma medida alguma. Sexto: nessa mesma carta, o Cardeal Castrillón Hoyos revelou o motivo que o levava a promover a Linha do Partido enquanto criticava duramente o Padre Gruner por não aceitar a nova versão de Fátima: «a Mãe Santíssima apareceu a três pequenos videntes na Cova da Iria no princípio do século XX, e delineou um programa para a Nova Evangelização na qual a Igreja inteira se encontra empenhada e que se torna ainda mais urgente no dealbar do terceiro milénio.» Sétimo: ora Nossa Senhora de Fátima nada disse sobre nenhuma “Nova Evangelização”, mas apenas sobre a consagração da Rússia, a conversão desta nação ao Catolicismo e o Triunfo do Seu Imaculado Coração - elementos que, todos eles, o Cardeal Castrillón Hoyos ignorou deliberadamente, do mesmo modo que os restantes acusados. Oitavo: numa Igreja tomada de assalto por uma alargada corrupção do Clero por ele tolerada na generalidade, o Cardeal Castrillón Hoyos tentou destruir a obra de toda uma vida e o bom nome do Padre Nicholas Gruner, Sacerdote fiel, única e simplesmente porque o Padre Gruner não aceitará uma falsificação da Mensagem de Fátima ditada pelo Cardeal Sodano. Em relação a todos os acusadosAs evidências que apresentámos mostram que todos os quatro acusados - Cardeal Angelo Sodano, Cardeal Joseph Ratzinger, Mons. Tarcisio Bertone e Cardeal Dario Castrillón Hoyos - conspiraram de comum acordo para levarem a cabo vários actos que não fazem qualquer sentido, a menos que sejam vistos segundo o prisma do motivo que aqui provámos: e o motivo é eliminar a Mensagem de Fátima, compreendida no seu sentido tradicional católico, da memória da Igreja, de modo a abrir caminho a uma nova orientação eclesial que não pode coexistir com aquilo que a autêntica Mensagem diz. Os acusados tentaram livrar-se da Mensagem de Fátima precisamente naquele momento histórico em que a correspondência da Igreja aos seus pedidos evitaria aquilo que, como pode ver-se, é o advento de uma catástrofe à escala mundial. As autoridades civis do Mundo, tendo apenas por base de defesa os relatórios falíveis (e humanos) dos operacionais dos Serviços de Defesa do Estado, são suficientemente sensatas para se prepararem para o pior. Porém, os acusados - que estão na posse de um “relatório” infalível, enviado pelos nossos “Serviços de Defesa Celestes”, sobre o aniquilamento de nações que se avizinha - afirmam-nos que esse “relatório” só fala de acontecimentos passados, que provavelmente não é fiável e que de qualquer modo, pode perfeitamente ser ignorado. E, ao mesmo tempo, há a prova esmagadora de que os acusados estão ainda a ocultar-nos uma parte do “relatório” destes nossos “Serviços de Defesa Celestes”: a parte que aponta directamente as acções e omissões dos acusados como sendo a causa de uma crise sem precedentes na Igreja, uma crise cujos terríveis efeitos são agora visíveis no Mundo inteiro - que se limita a olhá-los com um misto de troça e desprezo. Onze mentirasProva a evidência que os acusados perpetraram pelo menos onze mentiras distintas - mentiras que já causaram um grave dano à Igreja e a toda a humanidade, e que, de modo iminente, ameaçam com males ainda mais graves cada homem, mulher e criança, tal como a própria Virgem Maria nos avisou. Essas mentiras são as seguintes:
De uma forma criminosa, esta mentira priva a Igreja e o Mundo dos óbvios avisos proféticos da visão, que só podem ser explicados através das palavras omissas da Santíssima Virgem - palavras que não só explicariam a visão como também nos diriam o modo de evitar a futura catástrofe aí representada, que inclui a execução de um Papa (ou de um Bispo vestido de Branco) por um pelotão de soldados, no exterior de uma cidade meio arruinada. Numa exibição de clara duplicidade, os acusados dizem-nos, por um lado, que a visão deve ser interpretada de modo “simbólico” (representando a perseguição da Igreja durante o século XX), enquanto, por outro lado, eles próprios a interpretam à letra, como sendo a representação da tentativa falhada de assassínio do Papa, em 1981. Pura e simplesmente, eles fingem ignorar como, no texto publicado da visão, a Irmã Lúcia a explica dizendo que «o Papa é morto». E aqui ignoram também a alegada carta da Irmã Lúcia de 12 de Maio de 1982 - por eles próprios apresentada como prova em AMF! -, supostamente escrita um ano depois da tentativa de assassinato, na qual a vidente dizia: «E se não vemos ainda o facto consumado do final desta profecia, vemos que para aí caminhamos a passos largos.» Ao ocultar as palavras da Virgem Maria que claramente faltam no Terceiro Segredo, os acusados privam-nos de uma orientação preciosa vinda do Céu, neste tempo de crise única para a Igreja - só para tentarem esconder o quanto contribuiram, para provocarem essa crise, que o Segredo - conhecido na sua totalidade - sem dúvida revelaria.
O esforço para “interpretar” a visão de um futuro desastre que se abate sobre o Papa e a Hierarquia (o que inclui uma execução pública) como, unicamente, uma tentativa falhada de assassinato, há mais de 20 anos, é a fraude mais gritante envolvida no crime que nos ocupa. Como demonstrámos abundantemente, esta mentira é o aspecto mais perigoso do crime, porque fará com que toda a Igreja desça pelo caminho florido que leva à ruína, só por dizer a todos os Fiéis que não devem preocupar-se mais com o que constitui, afinal, avisos proféticos em plena vitalidade (inclusive a aniquilação de várias nações) e que, seguramente, ainda não pertencem ao passado. Esta fraude - quase risível pela sua audácia - é exposta unicamente pela descrição que o próprio Cardeal Ratzinger fez do conteúdo do Terceiro Segredo, em 1984. Curiosamente, nesta altura Ratzinger nada disse sobre a “interpretação” vulgarizada de que o Terceiro Segredo culminou em 1981, com a referida tentativa de assassinato. Torna-se óbvio, portanto, que esta “interpretação” foi forjada posteriormente com o fim de desorientar e enganar os Fiéis.
Os acusados e os seus colaboradores querem fazer crer que Nossa Senhora de Fátima não pediu especificamente, por vontade expressa de Deus Todo-Poderoso, a Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, pelo Papa em união com todos os Bispos católicos do Mundo, e ao mesmo tempo; e a Devoção dos Cinco Primeiros Sábados, com a Sagrada Comunhão em Reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria, entre os quais se situam todas as blasfémias dos Homens contra o Imaculado Coração. Fica provado que os acusados e os seus colaboradores enterraram e ignoraram estes pedidos vindos do Céu, porque tais coisas são católicas demais aos olhos da nova orientação da Igreja, “ecuménica” e mundialmente espalhada, que eles obstinadamente perseguem e promovem. E aqui está como os próprios meios que Deus determinou para se obterem, no nosso tempo, Graças especiais para as almas se salvarem do Inferno foram, criminosamente, ocultadas da vista de todos.
Pelo contrário, os Seus pedidos foram repelidos pelos acusados. Tanto eles como os seus colaboradores substituiram arrogantemente a consagração da Rússia - a ser feita pelo Papa conjuntamente com todos os Bispos católicos de todo o Mundo, numa solene cerimónia pública - por uma consagração do Mundo. O que eles fizeram foi “adaptar” aquilo que a Mãe de Deus pedira com a autoridade do Seu Divino Filho, de modo a enquadrar-se nos seus planos e iniciativas - humanos, sujeitos a erro e, portanto, sem valor -, incluindo um “ecumenismo” absolutamente estéril que nada mais produziu do que um contínuo desrespeito pelo Papa, por parte da Hierarquia Ortodoxa Russa - não convertida e controlada pelo Kremlin. Em vez de procurarem a conversão da Rússia, o Triunfo do Imaculado Coração de Maria e a reparação pelos pecados que Deus lhes pedira em Fátima, os acusados participaram na fraude desta “nova embalagem” da Mensagem de Fátima que a apresenta como um suave e insignificante “programa para a nova Evangelização” (para recordar a ridícula asserção do Cardeal Castrillón Hoyos a este respeito). Tal como demonstrámos, “a nova Evangelização” abandona o constante ensinamento da Igreja segundo o qual não só os Ortodoxos Russos mas também todos os cismáticos e hereges deverão voltar ao seio da Igreja Católica, e que os Muçulmanos, Judeus e pagãos precisam igualmente da conversão, da Fé em Jesus Cristo e do Baptismo para serem livres do Inferno. Em suma: “a nova Evangelização” - muito à maneira dos slogans comunistas - significa o oposto daquilo que se lê: o que “a nova Evangelização” significa é nenhuma Evangelização - de ninguém! - e, consequentemente, não honrar os pedidos da Santíssima Virgem respeitantes à Conversão da Rússia.
É um crime tentar enganar os Fiéis dizendo-lhes que a actual situação da Rússia e do Mundo em geral representa, de qualquer modo que seja, o cumprimento das promessas da Mãe de Deus em Fátima. Deste modo, a Igreja e o Mundo são roubados de indizíveis benefícios temporais e espirituais que Deus lhes concederia se a Mensagem de Fátima fosse respeitada e obedecida. Foi-nos dada uma demonstração de tais benefícios no caso de Portugal - uma nação miraculosamente transformada numa ordem social católica, a seguir à sua consagração ao Imaculado Coração de Maria, em 1931; resultado que, segundo explicitamente declarou o chefe da Hierarquia portuguesa, se veria por todo o mundo, se, do mesmo modo, a Rússia fosse consagrada. Ora, não deixa de ter um sabor a blasfémia atribuir a horrenda situação espiritual e moral da Rússia e do Mundo inteiro ao Triunfo do Imaculado Coração de Maria.
Neste ponto, os pedidos específicos da Mãe de Deus são deliberada e fraudulentamente ocultados, para que ninguém requeira às autoridades da Igreja que os reafirme publicamente. Tal ocultação fraudulenta dos meios de auxílio espiritual enviados pelo Céu para o nosso tempo tem causado perdas incalculáveis para a Igreja e o Mundo.
E deste modo os acusados, deliberada e premeditadamente, ocultaram da Igreja e do Mundo dois meios concretos que o Céu determinou para a protecção de males temporais e a obtenção de graças extraordinárias nesta época da História da Igreja - nomeadamente a Consagração da Rússia, e a prática generalizada da Devoção dos Cinco Primeiros Sábados. Assim os acusados - de um modo frio, deliberado e cruel - colocaram tanto a Igreja como a sociedade civil naquele mesmo percurso seguido pelos infortunados Reis de França que não prestaram atenção à ordem de Nosso Senhor para que a França fosse consagrada ao Seu Sacratíssimo Coração, em solene cerimónia pública. A execução do Rei de França [Luís XVI] pelos revolucionários, em 1793, é um espelho do que espera o Papa e muitos membros da Hierarquia, como mostra a visão do Terceiro Segredo: a execução do Papa e dos seus ministros por soldados, no exterior de uma cidade meio arruinada. É este acontecimento futuro que os acusados tentaram criminosamente deturpar, dando-o, simplesmente, como a representação da tentativa falhada de assassínio do Papa - sozinho e há mais de vinte anos!
O Cardeal Ratzinger assevera em AMF que a Mensagem de Fátima é apenas (e unicamente) «uma ajuda que é oferecida, mas não é obrigatório fazer uso dela.» Quer isto dizer que o Cardeal Ratzinger declara abertamente não estar a Igreja obrigada a respeitar os pedidos da Virgem de Fátima, incluindo a Consagração da Rússia e os Cinco Primeiros Sábados - asserção com que os outros acusados concordam. Ora, enquanto eles nos dizem que ninguém tem obrigação de acreditar ou de honrar a Mensagem de Fátima, já o próprio Papa vem declarar que «a Igreja se sente interpelada por essa Mensagem» - e, para o demonstrar, inseriu no novo Missal Romano a Festa de Nossa Senhora de Fátima, que a Igreja Católica celebra todos os anos a 13 de Maio. Consequentemente, e segundo a afirmação fraudulenta dos acusados, a Igreja celebra uma Festa em honra de uma aparição na qual ninguém tem de acreditar! Sustentar que os avisos do Céu acerca de um grande castigo, que «várias nações serão aniquiladas» e que a perda de milhões de almas não merecem qualquer crédito (se resolvermos não querer acreditar nisso) - mesmo se tais avisos foram autenticados por um milagre público sem precedentes, e testemunhado por 70 mil pessoas - é o cúmulo da insanidade humana. Então, todos nós sofreremos terríveis castigos, incluindo a aniquilação de várias nações - e já sofremos a Segunda Guerra Mundial, a Guerra da Coreia, a Guerra do Vietname, etc., já sem falar da Guerra contra os que não chegam a nascer, com a chacina de mais de 600 milhões de crianças inocentes -, tudo isto e muito mais são as consequências deste arrogante rebaixamento dos conselhos da Mãe de Deus em Fátima.
Com esta mentira, os Fiéis são criminosamente privados dos avisos do Céu e de prescrições da mais alta importância para a Igreja no nosso tempo. Tivesse a Mensagem de Fátima sido honrada, e incalculáveis danos, temporais e espirituais, se teriam evitado. Ao continuarem a insistir nesta mentira, os acusados deixam a Igreja e o Mundo impotentes para impedir a grande punição que há-de afectar gravemente todos os homens, mulheres e crianças - nomeadamente a (literal) “aniquilação de várias nações” e a escravidão a que serão submetidas, na totalidade e por todo o mundo, as populações sobreviventes; já sem mencionar a perda de milhões de almas condenadas ao Inferno por toda a eternidade. Nossa Senhora advertiu que esta seria a consequência última de não serem satisfeitos os Seus pedidos.
Ao mesmo tempo que se escondem por detrás de uma falsa aparência de crença na Mensagem de Fátima, as palavras e os actos objectivos dos acusados revelam em si uma tentativa sistemática para rebaixar e destruir toda a crença no conteúdo profético - e explicitamente católico - da Mensagem. A sua verdadeira intenção revela-se quando citam Dhanis como “eminente conhecedor” de Fátima; quando Dhanis lançou a dúvida sobre cada um dos aspectos proféticos da Mensagem. Assim, ao citarem Dhanis como a sua grande autoridade, os acusados dão a conhecer aos seus correligionários “iluminados” (mas não ao público em geral e não informado) que eles olham a Mensagem de Fátima essencialmente como uma piedosa congeminação da Irmã Lúcia, cuja afirmação de ter falado com a Virgem Maria sobre a consagração e a conversão da Rússia (e por aí fora…) não pode ser considerada digna de crédito pelos homens “iluminados” da Igreja pós-Conciliar. O facto de os acusados não admitirem abertamente que, na verdade, não acreditam na autêntica Mensagem de Fátima - e se propõem, mesmo, interpretá-la para nós -, não é apenas de uma grande hipocrisia, mas sim de uma fraude ultrajante feita à Igreja. Ora bem: tal como, no tribunal, os juízes e os potenciais membros do júri devem apresentar quaisquer eventuais pré-conceitos que haja em relação ao caso que têm entre mãos, também aqui os acusados deveriam revelar abertamente os seus juízos previamente formados, antes de pretenderem ser juízes isentos da Mensagem de Fátima.
Por “Magistério”, os acusados compreendem apenas as opiniões que têm sobre a Mensagem de Fátima - opiniões essas que contradizem mesmo aquilo que o Santo Padre tem dito e tem feito para confirmar a autenticidade da Mensagem, como, mais recentemente, a instituição da Festa de Nossa Senhora de Fátima no calendário litúrgico da Igreja. Assim (e ironicamente…), são os acusados que são desleais ao Magisterium, quando procuram despromover Fátima até ao estatuto de uma “revelação privada”, podendo ser negligenciada por toda a Igreja numa completa segurança. Um crime de dimensões incalculáveisComo poderá compreender-se bem a magnitude do crime cometido por aqueles que iriam sepultar, em falsas representações e num encobrimento, uma preciosa Mensagem vinda do Céu e trazida pela Mãe de Deus em Pessoa, para o Bem temporal e a Salvação eterna dos Seus Filhos? Este crime é de dimensões incalculáveis, porque envolve não só calamidades temporais como também a perda de incontáveis milhões de almas - o que poderia ser evitado cumprindo os pedidos da Santíssima Virgem Maria quanto à Consagração da Rússia e aos outros pedidos que a Senhora fez em Fátima (incluindo a Devoção dos Cinco Primeiros Sábados que os acusados e seus colaboradores se recusam a promover). Quem os acusa é a própria Virgem de Fátima: «Se fizerem o que Eu disser, salvar-se-ão muitas almas e terão Paz.» Não fizeram o que a Senhora disse e, portanto, estes homens (mais os seus colaboradores) são os responsáveis pelas consequências: para a Igreja, para o Mundo, e para incontáveis milhões de almas que foram roubadas às Graças que Nossa Senhora de Fátima veio providenciar-lhes, em nome do Seu Divino Filho. Um mistério de iniquidade Mas por que razão estarão os acusados, e os que com eles trabalham em prol da nova orientação da Igreja, tão irredutíveis na sua recusa em permitir que o Papa e os Bispos façam uma coisa tão simples como a que Nossa Senhora de Fátima pediu? Porque removem montanhas só para impedir que a palavra - Rússia - seja pronunciada numa consagração pública “desta pobre nação”? Que temos nós a perder, se cumprirmos o pedido da Santíssima Virgem à letra, sem correcções impostas por diplomatas do Vaticano e por ecumenistas? Nada. Que temos nós a ganhar? Tudo. De facto, não existe uma explicação legítima para tão perversa resistência à Consagração da Rússia pelo seu nome. Algo não-natural está presente aqui. Sem julgar os motivos subjectivos dos acusados, é-se levado à conclusão de que a sua recusa - de outro modo inexplicável e aparentemente sem sentido - de permitir que seja pronunciada uma simples palavra - a única que Nossa Senhora de Fátima pediu - é o resultado de uma intervenção preternatural no seio da Igreja. É uma intervenção do próprio Inimigo que, como disse a Irmã Lúcia, «está travando uma batalha decisiva contra a Virgem Maria.» Este derradeiro combate envolveu a penetração na Igreja de forças organizadas que a longo prazo A foram conduzindo à ruína. Em face deste tremendo desenrolar dos acontecimentos, até o Papa Paulo VI se viu na contingência de lamentar publicamente que «Por alguma fresta o fumo de satanás entrou no Templo de Deus.» Quer os acusados tivessem ou não, subjectivamente, essa intenção, o facto é que actuaram de um modo que apenas serve os propósitos do pior inimigo da Igreja. O resultado das suas acções fala por si: «Pelos seus frutos os conhecereis.» (São Mateus, 7:16). E quais são os frutos da sua governação da Igreja? Basta olhar para a situação da Igreja de hoje para conhecer a resposta. Juntamente com muitos outros detentores de elevadas posições na Hierarquia, os acusados têm presidido à pior crise de Fé e da Moral da História da Igreja. Na sua ânsia das ruinosas novidades que acarretaram consigo a crise, os acusados rejeitam uma ‘receita’ celeste que viria recuperar a saúde da Igreja e trazer a Paz a um mundo em guerra. Em vez de darem ouvidos aos avisos da Mãe de Deus em Fátima, eles dinamizam mais e mais o seu “ecumenismo” totalmente estéril, o “diálogo inter-religioso” e o “diálogo com o mundo” - bem como o seu conluio com homens sangrentos como Mikhail Gorbachev - cuja presença profanou o Vaticano, um dia apenas depois de os acusados terem tentado ver-se livres da Mensagem de Fátima. Ora, enquanto os acusados e seus companheiros mantêm conversas infindáveis com as forças do mundo, almas sem conta que, tanto na Rússia como em toda a parte, precisam da luz de Cristo para a sua Salvação, assim se ficam, deixadas na escuridão. Então os inimigos da Igreja todos se deleitam ao vê-La, deste modo, quase impotente para se lhes opor. A Igreja recua à medida que as forças do Mundo continuam a avançar sobre Ela. E, para mais, os acusados e seus colaboradores persistem na sua tentativa suicida de abraçarem o mundo - em vez de o conquistarem espiritualmente para Cristo Rei, como Nossa Senhora de Fátima os teria levado a fazer. Os homens que hoje controlam o aparelho de estado do Vaticano não querem ofender os Ortodoxos Russos nem qualquer outra pessoa com mostras de alguma militância católica por eles considerada embaraçosa e “ultrapassada” - para empregar uma das suas expressões favoritas. O abjecto recuo da Igreja perante o combate alegra o coração dos Maçons e dos Comunistas que, durante gerações, têm trabalhado na esperança de verem a Igreja reduzida, precisamente, a esta patética condição. Para mais, não falta sequer militância aos acusados e seus colaboradores. Enquanto, nos últimos quarenta anos, não fizeram praticamente nada para suster aqueles que, infiltrados na Igreja, espalhavam com virtual impunidade a heresia e a corrupção moral - nesse entretanto, implacavelmente perseguiam, denunciavam e ostracizavam quem quer que se opusesse aberta e efectivamente à sua desastrosa política de “reforma”, “abertura” e “renovação”. Para os acusados e outros membros da alta Hierarquia que presidiram à derrocada pós-conciliar, parece que a única “heresia” que resta, a única ofensa merecedora de dura punição, é questionar os seus juízos ao imporem à Igreja a nova orientação - orientação da qual excluiram, total e definitivamente (pelo menos, assim o consideram), a Mensagem de Fátima no seu tradicional significado católico. A que ‘remédios’ podem os Fiéis legitimamente recorrer O que pedimos nós ao Santo Padre, como remédio para os actos e as omissões dos homens que já identificámos? Aquilo que buscamos é o seguinte: Primeiro: O que queremos dizer com isto é, precisamente, o que Nossa Senhora de Fátima pediu: a imediata Consagração da Rússia - pelo seu nome e inequivocamente - ao Imaculado Coração de Maria, numa solene cerimónia pública efectuada pelo Papa conjuntamente com todos os Bispos católicos do Mundo inteiro. Pedimos ao Papa que, sob pena de excomunhão, ordene a todos os Bispos católicos (excepto os que estejam presos ou impedidos por séria enfermidade) que consagrem a Rússia - solene, pública e especificamente - de acordo com o pedido de Nossa Senhora de Fátima, ou seja: conjuntamente com o Papa; no mesmo dia e à mesma hora que o Santo Padre indicar. Alguns dirão que já é tarde demais para obter a Consagração, e que continuar a pedi-la está fora de questão. Mas acontece que não é assim. Na Sua revelação à Irmã Lúcia em Rianjo (Espanha), em Agosto de 1931, foi Nosso Senhor Mesmo que lho fez saber:
Mas, no entanto, como Nosso Senhor também revelou à Irmã Lúcia nessa ocasião, “Nunca será tarde para recorrer a Jesus e a Maria.” Isto é, mesmo se nós estamos a sofrer as consequências na demora no cumprimento dos pedidos do Céu, o pior dessas consequências - o que inclui a aniquilação de várias nações - pode ainda ser evitado, se for honrado o pedido da Consagração da Rússia, embora o seja tardiamente. É ultrajante que o respeito humano - o receio de ofender os Ortodoxos Russos - tenha, até agora, conseguido impedir a Igreja do cumprir o plano do Céu para alcançar a Paz no nosso tempo. E nós, como membros da Igreja militante, não podemos permitir por mais tempo que aqueles que se afirmam ser a voz do nosso Papa, tão doente, declarem que “o Papa” pronunciou - de maneira inequívoca, com autoridade e definitivamente - que a Consagração foi efectuada. Já demonstrámos como, em público, o próprio Papa disse precisamente o contrário. Devemos, portanto, implorar a Sua Santidade que repudie os conselhos, manifestamente maus, que lhe foram dados por aqueles que o rodeiam, para seguir antes os conselhos do Céu. Segundo: Esta revelação teria de incluir o texto com as palavras da Santíssima Virgem explicando a visão que foi publicada no dia 26 de Junho de 2000. Que este texto existe, prova-o uma montanha de evidências directas e circunstanciais que atingem uma certeza moral como cada uma delas aponta para um texto que falta: de uma página, com cerca de 25 linhas e o aspecto de uma carta - e que contém as palavras da Santíssima Virgem, em pessoa. A Igreja e o Mundo têm o direito de conhecer o conteúdo do Terceiro Segredo - que, obviamente, contém salutares avisos sobre a actual crise na Igreja. As claras indicações do Santo Padre de que o Segredo se relaciona com a apostasia e a queda das almas consagradas, a que se refere o Livro do Apocalipse, indiciam que também ele foi constrangido a não revelar o Segredo na sua forma completa, mas, antes, induzido a apenas sugerir o seu conteúdo. E entretanto, aqueles que realmente controlam os assuntos diários da Igreja - em primeiríssimo lugar, o Cardeal Sodano - continuam a sepultar a verdade sobre o seu falhado governo da Igreja. Terceiro: |
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